Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

GALERIA DOS GOESES ILUSTRES

INTROSPECÇÃO SOBRE A ORIGEM, O ALCANCE E OS LIMITES DA IDENTIDADE GOESA, E O SEU CONTRIBUTO HISTÓRICO E SOCIAL EM PORTUGAL E NO MUNDO

GALERIA DOS GOESES ILUSTRES

INTROSPECÇÃO SOBRE A ORIGEM, O ALCANCE E OS LIMITES DA IDENTIDADE GOESA, E O SEU CONTRIBUTO HISTÓRICO E SOCIAL EM PORTUGAL E NO MUNDO

631 MANUEL DE SOUZA e a Tanzanita

FB_IMG_1640513177682.jpgMais um caso exemplificativo do pioneirismo Goês. 

Os nossos agradecimentos a Sandrain Breytenbach pela divulgação. 

 

631 MANUEL DE SOUZA e a Tanzanita.

 

Manuel de Souza foi um alfaiate goês que viajou pelo mundo em busca de ouro e pedras preciosas. 

Carinhosamente conhecido como ‘Manuel Louco’, consertou roupas para atravessar África, geralmente a pé e desarmado, em busca de ouro e diamantes nos lugares mais remotos.

Manuel nasceu em Goa, Índia Portuguesa em 1913 e mudou-se para o Tanganica em 1933, tendo-se qualificado como Mestre Alfaiate. 

Em 1939, em Lupa Goldfields, oeste de Tanganica, de Souza começou a prospecção, mas após a Segunda Guerra Mundial deixou de ser lucrativo. 

Mudou-se para Dar er Salaam, na costa leste da Tanzânia, e voltou a se dedicar à alfaiataria, mas no seu interesse pela prospecção, percebeu que era improvável encontrasse algo perto da costa. Logo partiu para os campos de diamantes Shinyanga, mas devido ao monopólio da Williamson Diamond Mines, não conseguiu obter uma licença. 

Mudou-se novamente, desta vez para a área ao redor do Lago Vitória, combinando alfaiataria e prospecção para sobreviver.

No verão de 1967, Manuel estava morando em Arusha, no norte da Tanzânia, e selecionou uma área para explorar durante um fim de semana. Contratou um motorista e partiu. No entanto, as estradas estavam tão más, que o seu motorista se recusou a continuar para além da aldeia de Mtakuja. Manuel, o seu equipamento e os quatro homens locais que contratou ficaram apeados. Em vez de seguir em frente Manuel seguiu seus instintos, e tendo um bom pressentimento sobre a área onde estava, decidiu ficar e explorar. 

A DESCOBERTA

Por volta do meio-dia de 7 de julho de 1967, Manuel de Souza notou algo brilhando na superfície do solo. A cerca de quatro milhas de onde seu motorista havia parado, fez uma descoberta relevante.

Levando para casa, percebeu que a gema era muito mole para ser uma safira, e decidiu que a coisa mais próxima no seu livro de referência de gemas era Olivina. Registou o pedido de exploração junto do governo da Tanzânia em 25 de julho de 1967 para extrair Olivina, (que foi posteriormente alterada a designação para Zoisite em 17 de abril de 1968).

No início, havia muita confusão em torno do que poderia ser a jóia. Alguns disseram que podia ser Dumortierite. Outros pensaram que poderia ser Cordierite. Os primeiros garimpeiros falantes de suaíli que correram para a área nos primeiros dias chamaram-na de ‘Skaiblu’ ("Céu Azul").

Logo após registar sua primeira reclamação de descoberta, Manuel voltou com uma pequena equipe e começou uma operação em pequena escala, levando consigo o famoso geólogo Dr. John Saul.

DR JOHN SAUL

O Dr. John Saul foi o primeiro geólogo a chegar ao local após a descoberta, além de ser membro fundador da Associação Internacional de Gemas Coloridas e proprietário da famosa mina John Saul Ruby no Quénia. Muito do que sabemos agora sobre a descoberta de Tanzanite se deve à diligência de John Saul.

Na época da descoberta, John estava no Quénia, minerando para a Beryl. Ele conheceu Manuel numa visita à Tanzânia e viu amostras da surpreendente gema azul, (rotulada como ‘Dumortierita’ na época). 

John Saul eliminou rapidamente Dumortierite e Cordierite como possibilidades, mas sabia que precisava de ajuda para identificar a nova gema. Então, John pediu ajuda ao seu pai, Hyman Saul.

HYMAN SAULN

essa época, Hyman Saul era vice-presidente da loja americana de luxo Saks Fifth Avenue. Ele foi visitar seu filho John em Nairóbi no final de 1967 e levou amostras da nova descoberta para Nova York.

Chegando em Nova York, levou as amostras do outro lado da rua para o Gemological Institute of America. Ali descobriram que a gema não era olivina ou dumortierita, mas, na verdade, era uma variedade de zoisita que apresentava elementos de vanádio (daí sua cor). 

Mais ou menos na mesma época, Cornelius Hurlburt, de Harvard, Museu Britânico, Universidade de Heidelberg e Ian McCloud, um geólogo do governo da Tanzânia, todos chegaram à mesma conclusão.

Hyman mandou fazer dois lindos anéis com algumas dessas primeiras amostras e mostrou-os ao chefe do departamento de joias da Saks. 

Infelizmente, a Saks achou que trazer a jóia ao público seria um empreendimento muito grande, então Hyman as levou ao seu amigo Walter Hoving, presidente da Tiffany & Co.

O principal comprador de gemas de Hoving e Tiffany, Henry Platt (bisneto de Louis Tiffany) apaixonou-se pela nova gema. Pouco depois, Hyman e John Saul foram jantar com Henry Platt numa das melhores churrascarias italianas de Nova York, e Platt disse a eles que estava tão animado com a aparência da pedra preciosa que faria uma enorme campanha de marketing para ela.

No entanto, Platt não gostou do nome mineral Zoisite, pois disse que soava muito próximo de "suicides" (suicídio) e sentiu que as mulheres não o comprariam. Então lá, durante seus bifes, eles decidiram colectivamente chamar a jóia de Tanzanita.

O DEPOIS

Tragicamente, pouco mais de dois anos após sua descoberta mundialmente famosa, Manuel de Souza morreu aos 56 anos num acidente de carro na estrada para Dar es Salaam. 

Até ele morrer, não parecia ter havido qualquer confusão sobre a história da descoberta de Tanzanite. Pouco tempo depois de sua morte, outras versões da história começaram a surgir. Ally Juyuwatu, Habib Esmail e Jumanne Ngoma foram nomeados como o suposto descobridor num momento ou noutro. 

Já as publicações Bunte (jan 69), Der Spiegel, Jasmine (7/7/69), Time (24/1/69) e Life (9/5/69) atribuíram a descoberta a Manuel de Souza.

Outros revendedores surgiram também com a jóia sob nomes diferentes. Julio Tanjeloff da Argentina tentou chamá-lo de Tanjeloffite e até apareceu na capa do Mineral Digest Volume II em 1971 com este nome. Mas com a influência de marketing da Tiffany's, o nome Tanzanite foi amplamente adotado.

Em meados de 1970, Mererani foi inundado com garimpeiros. Alguns eram locais, mas muitos vieram do exterior. Havia um verdadeiro burburinho no ar, mas em 1971 o governo nacionalizou todas as minas. Por cerca de quinze anos, o governo tentou comandar as operações de mineração, mas logo as coisas se tornaram uma verdadeira confusão.

Em 1986, eles abandonaram seus esforços e milhares e milhares de mineiros artesanais invadiram a área. Quatro anos depois, na tentativa de estabelecer algum tipo de organização para o caos que se desenrolava, o governo criou quatro zonas de mineração diferentes. Estes foram chamados simplesmente de blocos A, B, C e D. Esses nomes ainda são usados ​​hoje.

Hoje, a tanzanita é uma das pedras preciosas mais queridas do mundo nos seus tons de azul e roxo, provando ser uma das favoritas e duradouras. Mas com as minas cada vez mais profundas, esta jóia é cada vez mais difícil de se desenterrar.

Mais sobre mim

imagem de perfil

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D