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GALERIA DOS GOESES ILUSTRES

INTROSPECÇÃO SOBRE A ORIGEM, O ALCANCE E OS LIMITES DA IDENTIDADE GOESA, E O SEU CONTRIBUTO HISTÓRICO E SOCIAL EM PORTUGAL E NO MUNDO

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INTROSPECÇÃO SOBRE A ORIGEM, O ALCANCE E OS LIMITES DA IDENTIDADE GOESA, E O SEU CONTRIBUTO HISTÓRICO E SOCIAL EM PORTUGAL E NO MUNDO

588 ESTALEIRO REAL DE DAMÃO (1773), de Carlos Xavier

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"Damão deveu também a sua prosperidade aos seus estaleiros onde se faziam construções de excelentes barcos.

Nos séculos XVIII e XIX foi febril a actividade dos seus estaleiros tendo-se neles construido inúmeros barcos.

Além dos estaleiros do Governo ou propriamente do Arsenal, Damão tinha estaleiros particulares. Enquanto aqueles se achavam situados na margem esquerda do rio, junto da muralha da Praça, estes ficavam na margem direita, um deles ali onde hoje fica o salão D. Luís.

Os estaleiros do Governo não tinham pessoal permanente além do construtor e uns poucos mesteirais, mas os operários eram recrutados segundo a necessidade das construções encetadas neles.

Este factor e mais a circunstância de salários baixos e excelentes madeiras baratas que se podiam adquirir nas proximidades do porto, davam aos seus estaleiros uma situação de vantagem em relação aos estaleiros de Bombaim e aos de Goa.

Em 1773 o Marquês de Pombal que reorganizou o Arsenal e a Ribeira das Naus de Goa dizia que enquanto em Goa durante o último século não se tinham construído senão três barcos, nos estaleiros de Damão o célebre construtor Sadashiva Caliana havia feito sozinho muito mais do que toda a corporação marítima de Goa e, por isso dava-lhe o cargo de Construtor Régio [e o vencimento de 100 xerafins por mês].

Chegamos a anotar as seguintes construções feitas no terceiro quartel do século XVIII:

Quatro manchuas fabricadas no Arsenal de Damão que foram enviadas para Goa pela Fragata S. Francisco Xavier em 25 de Novembro de 1783. Em relação a estas manchuas (duas de penão e duas de gávea) dizia-se que estavam bem feitas com os seus lambarins à inglesa, cinco portinholas de cada banda, duas à popa e uma à proa.

Em 1784 fabricou-se uma manchua de 35 pés de quilha. No mesmo ano fabricou-se uma chalupa de mastro.

Em 1790 foram enviadas para Goa as duas chalupas e uma manchua construídas no Arsenal de Damão. No mesmo ano foram construídas quatro galvetas sem coberta.

Em 1793 foram construídas seis galvetas das quais quatro destinadas a Goa.

Nesse mesmo ano ficou pronta a corveta que o armador Jacinto Domingues mandara construir e um batelão com tamanho e forma de chalupa como, também seis chatas; também foram lançados ao mar um navio de casco de 116 pés, outro de 80 pés e uma palinha muito bonita.

Em 1799 foi construído o navio "Veiga Cabral", dois navios consignados a José Harding e duas embarcações encomendadas por ingleses.

No século XIX pudemos registar as seguintes construções:

De 1814 a 1816 foram construidos 7 navios, 1 brigue, 1 galea e 1 pala.

De 1820 a 1841 foram construidas nos estaleiros de Damão 149 embarcações sendo 3 navios, 2 corvetas, 27 batelões, 7 brigues, 8 daus, 1 catraia, 1 falea de guerra, 1 barca de aguada, 4 patmarins, 5 paraus, 1 lancha e 89 galvetas.

Nos três anos que vão de 1842 a 1844 construiram-se 2 barcaças, 10 galvetas e 1 batelão.

Em 1841 o pessoal do Arsenal de Damão era o seguinte:

1- 1° Construtor
1- 2° Construtor
1- Mestre Carpinteiro
1- Mestre Calafate
1- Sarangue Mor
1- Mestre mocadão do escaler da Praça.

Com tão diminuto pessoal permanente os estaleiros de Damão obravam verdadeiros milagres construindo barcos numa intensidade de pasmar, barcos cuja construção era muito apreciada devido à sua traça e boa qualidade.

A madeira usada nas construções era o sâg (teca) essência florestal muito consistente e durável (Tectona granclis) que abundava nas matas de Nagar-Aveli e nas redondezas do território inglês. Era barata e de fácil transporte. Os operários vinham das aldeias circunvizinhas e das do território inglês próximas da fronteira que mudavam temporáriamente a sua residência para as proximidades dos estaleiros retirando-se quando não houvesse trabalho.

Os Construtores eram filhos da terra ou das circunvizinhanças excepto no segundo quartel do século XIX em que houve europeus. Mencionarei entre eles os seguintes:

1774 - Sadassiva Caliana [Construtor das fragatas «Real Fidelíssima» , na gravura e «Temível Portuguesa»]
1781 - Sadassiva Quenso
1805 - Jado Samoji [Construtor da fragata real «D.Fernando e Glória»]
1842 - Gangaramo Jado
1852 - José Nicolau Rodrigues
1855 - José Victor Moreira (2° tenente construtor naval)
1866 - O mesmo.

O Arsenal Real de Damão foi extinto por Portaria de 11 de Agosto de 1871 e, consequentemente, cessaram de existir os estaleiros de Damão."

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