Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

GALERIA DOS GOESES ILUSTRES

INTROSPECÇÃO SOBRE A ORIGEM, O ALCANCE E OS LIMITES DA IDENTIDADE GOESA, E O SEU CONTRIBUTO HISTÓRICO E SOCIAL EM PORTUGAL E NO MUNDO

GALERIA DOS GOESES ILUSTRES

INTROSPECÇÃO SOBRE A ORIGEM, O ALCANCE E OS LIMITES DA IDENTIDADE GOESA, E O SEU CONTRIBUTO HISTÓRICO E SOCIAL EM PORTUGAL E NO MUNDO

585 AS DONAS DAS MEMÓRIAS

FB_IMG_1599583520237.jpg

 

[...] Esta região de Moçambique [Zambézia] está plena de histórias pessoais centradas em mulheres, mas cuja proeminência não está refletida nos livros de história oficial.

Uma aparente excepção são as Donas, latifundiárias que floresceram entre os séculos XVII e XIX e cujo poder está reconhecido nos textos de história.

As Donas surgem por meio de uma série de editais da Coroa Portuguêsa, que tencionava estender a sua influência sobre a região. A terra por elas detida eram os chamados Prazos da Coroa, aforrados um prazo determinado, geralmente três vidas.

Para vários estudiosos da história de Moçambique em geral e do Vale do Zambeze em particular, os prazos foram a primeira manifestação tangível da colonização portuguesa em Moçambique e seguiam um modelo já aplicado na Índia Portuguesa.

Através dos Prazos, a Coroa tencionava ocupar o território, concessionando território sob sua jurisdição aos seus vassalos, em troca destes assegurarem os interesses comerciais da Coroa e protegerem os fortes aí estabelecidos de invasões dos chefes locais [...]

A instituição dos Prazos criou uma elite na intersecção das sociedades colonial e nativa. As Donas, na literatura e nos arquivos estão localizadas num não lugar. Não inteiramente nativas para os nativos, e nativas demais para a sociedade colonial.

A questão da mestiçagem figura de forma central na literatura sobre as donas e a sociedade criada pelos Prazos, assim como no imaginário da sociedade que se lhes seguiu após a sua extinção.

Pelo menos duas das minhas informantes afirmaram que estas mulheres “mistas” eram Donas – no sentido de proprietárias e comandantes dos destinos – de Quelimane.

Esta percepção ecoa a afirmação de Capela segundo quem a Dona da Zambézia terá sido uma “reivindicação da mulata na afirmação do status adquirido” . Em outras descrições a dona é considerada sinónimo de “europeias, mulatas ou [de] origem em Goa”.

Efectivamente, as primeiras Donas tinham origem Goesa. Eram elas Dona Ignez Garcia Cardozo, proprietária do prazo do Luabo e Dona Sebastiana Fernandes de Moura, proprietária dos prazos Quizungo, Macuze, Sone e Inhasoreire.

Com o decorrer dos anos o número de descendentes afro-euro-asiáticos e proprietários de prazos terá multiplicado. Tendo havido preferência pelo casamento dentro do grupo ou com novos europeus, até pela garantia do acesso à propriedade. Ainda assim, e o casamento com mulheres nativas continuou." - Carmeliza Soares da Costa Rosário, Universidade de Bergen

Foto de D. Ernestina de Menezes Soares, esposa de António Maria Pinto, goês, supostamente o fundador do Prazo do Carungo, situado em Inhassunge. Era ela também filha de um goês, Amaro Francisco de Menezes Soares proprietário do Prazo de Chirangano e mãe da herdeira D. Amália de Menezes Soares Pinto, uma das chamadas Donas da Zambézia, conhecidas pelo seu mau feitio.

Mais sobre mim

imagem de perfil

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D