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GALERIA DOS GOESES ILUSTRES

INTROSPECÇÃO SOBRE A ORIGEM, O ALCANCE E OS LIMITES DA IDENTIDADE GOESA, E O SEU CONTRIBUTO HISTÓRICO E SOCIAL EM PORTUGAL E NO MUNDO

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INTROSPECÇÃO SOBRE A ORIGEM, O ALCANCE E OS LIMITES DA IDENTIDADE GOESA, E O SEU CONTRIBUTO HISTÓRICO E SOCIAL EM PORTUGAL E NO MUNDO

534 ANA MARIA MASCARENHAS

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Nome sonante do meio musical luandense e angolano das décadas de 60 e 70, Ana Maria Mascarenhas carrega no sobrenome a herança goesa do seu avô materno:

"Nasceu em Luanda e aos 12 anos de idade frequentou a Escola Particular da professora Lilly Pardal de Anapaz, onde estudou teoria da música, solfejo e piano pelo método de Viana da Mota, de quem fora aluna aquela professora.

Fez parte do grupo infantil «Os Cábulas e as Formigas» e mais tarde do grupo de teatro «De Tanga».

Uns anos depois ingressou no grupo coral da Sé Catedral de Luanda, onde, com a suas irmãs, se manteve cerca de 12 anos acompanhando missas cantadas em latim e português.

Nos finais dos anos 60 foi criada em Luanda a Academia de Música. Os alunos que a frequentaram tinham que ser inscritos também no Conservatório Nacional de Lisboa se quisessem os seus estudos oficializados.

Apesar dos muitos anos que estudou com a professora Lilly Anapaz, e porque queria continuar com os seus estudos musicais, matriculou-se na Academia de Música de Luanda recomeçando os estudos. Foi assim que, entre 1968 e 1971, obteve os diplomas do Curso Geral de Teoria e Solfejo e do Curso Geral de Canto do Conservatório Nacional de Lisboa.

Na audição final do curso de canto apresentou, como soprano, acompanhada pela seu colega finalista Raul Miranda (baixo) o dueto «La ci dareu la mano» da ópera D. João, de Mozart.

Ainda como soprano foi vocalista da «Fantasia relê instrumentos», sob direcção do maestro Jayme Luendes e seu compositor, no Cine-Teatro Nacional, em Luanda.

A partir dessa altura recebeu vários convites oficiais da Câmara Municipal de Luanda, que sempre aceitou. Convites do presidente Dr. António Videira.

Em 1972 exerceu, por acumulação porque era funcionária privativa da Direcção dos Serviços de Fazenda, o cargo de professora de Educação Musical do Ciclo Preparatório da Escola General Victor, em Luanda, na estrada de Catete.

Em 1973 participou, pelo curso de Professores da Academia de Música de Luanda, na sessão musical que foi dirigida pelo professor compositor Dr. Cândido Lima, sob o patrocínio da Fundação Gulbenkian.

Todos os conhecimentos adquiridos como aluna da D. Lilly Anapaz, do professor de canto, Sr. Mário Duque e da Dra. Maria Emília de Leite Velho (ambos da Academia de Música de Luanda) criaram a compositora e letrista Ana Maria de Mascarenhas.

Ainda que as suas composições já fossem conhecidas num ciclo restrito, foi com o Festival da Canção de Luanda que as suas obras se tornaram públicas. Nos anos 60 formou uma dupla com o jornalista português Adelino Tavares da Silva, que tinha chegado a Angola havia pouco tempo. Quatro ou cinco composições em conjunto e logo se inscrevem na SPA, Sociedade Portuguesa de Autores, ele como autor e Ana Maria como compositora. Pode dizer-se que foi a dupla que revolucionou o Festival da Canção, quando Maria Provocação foi defendida por Sara Chaves e «Mulata é a Noite» por Concha de Mascarenhas, ambas acompanhadas pelo Ngola Ritmos, conjunto de ritmos angolanos.

Ana Maria e Tavares da Silva tinham iniciado as canções com recados, canções com sabor local. «Senhora da Muxima», «Sangazuea, Benguela – Rua 9», «Mulata Maldita», «Camião do Asfalto Molhado» (impossível citar todas) foram concorrentes a festivais, obtendo sempre as primeiras classificações. A dupla desfez-se em 1968. A partir daí Ana Maria concorreu como compositora e letrista (autora). «Balada de todo o tempo», «Um mundo novo», «No silêncio dos sabores», «Canção da vida», continuaram a merecer festivais e havia que parar…

Ana Maria foi convidada a integrar o júri do Festival da Canção de Luanda seguinte. Aceitou e deixou de concorrer, mas não deixou de compor: «Mukondaya kitari», «Luanda ao luar», «Manhê, manhê», «Angola nova», «Canção nostálgica», entre muitas, continuaram a ser cantadas e gravadas.

No «Nosso tempo de inocência», Ruy Legot foi o primeiro artista a cantar uma das suas primeiras composições – «Acorrentada». Anos depois esta composição foi recreada pela dupla e gravada em single pela fadista portuguesa Celeste Rodrigues com o título «Gaivota Perdid»a. Também Lurdes Resende, Artur Rodrigues, conjunto Água Viva (Espanha), Los Indios Paraguaios, Agostinho dos Santos e Martinho da Vila (brasileiros) cantaram e gravaram composições de Ana Maria. «Maria Provocação», que deu a Sara Chaves e ao Ngola Ritmos os primeiros prémios do Festival, foi internacionalizada pelo Duo Ouro Negro, primeira gravação em LP, segunda gravação, por Artur Rodrigues, em single, e terceira gravação, em LP, por Martinho da Vila.

«Mulata é a Noite», que igualmente deu à Concha de Mascarenhas honras de primeiro prémio, foi gravada logo a seguir ao Festival. Agostinho dos Santos (single) mas também Cirineu Bastos, Lilly Tchiumba, Milita, Fernanda Ferreirinha, Dionisio Rocha, Ruy Legot e Carlos Burity, cantaram e cantam Ana Maria de Mascarenhas.

O seu percurso poético teve início quando um primo seu, Luís Barbosa Victor, lhe chamou a atenção para o facto de ela falar rimando. Ofereceu-lhe livros de poesia de Marta Mesquita da Câmara e de Florbela Espanca. Era então adolescente. Apaixonou-se por sonetos. E o seu “segundo” pai – o padrinho da família, Lourenço Mendes da Conceição – sabendo dessa preferência ofereceu-lhe um tratado de sonetos de Luís de Camões para que estudasse a composição e métrica dos sonetos e suas rimas. Não parou mais. Cresceu escrevendo poesia e compondo melodias. Tem uma antologia manuscrita da maior parte das suas obras e um CD de tangos inéditos, ambos sem destino. Quando em 1975, mês de Abril, foi convidada a deixar o seu país, fixou residência em Lisboa.

Para não interromper os seus estudos musicais, faz um curso intensivo no Centro de Altos Estudos Gregorianos tomando conhecimento do método WAR, aperfeiçoando-se em vocalizações, gestos, ditados musicais e escritos melódicos, improvisações e ritmos (1976). Por razões profissionais do marido fixou residência na cidade da Guarda, em 1978, onde leccionou como professora de Educação Musical do Ensino Básico na Escola Preparatória daquela cidade… forte, fria e farta.

Em 1981 regressou a Lisboa, onde continua a escrever e a compor."

na foto: Aos microfones da rádio em Angola com o locutor José Guize.

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