Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

GALERIA DOS GOESES ILUSTRES

INTROSPECÇÃO SOBRE A ORIGEM, O ALCANCE E OS LIMITES DA IDENTIDADE GOESA, E O SEU CONTRIBUTO HISTÓRICO E SOCIAL EM PORTUGAL E NO MUNDO

GALERIA DOS GOESES ILUSTRES

INTROSPECÇÃO SOBRE A ORIGEM, O ALCANCE E OS LIMITES DA IDENTIDADE GOESA, E O SEU CONTRIBUTO HISTÓRICO E SOCIAL EM PORTUGAL E NO MUNDO

678 ANA RITA GANDRA DA CUNHA GONÇALVES

FB_IMG_1699428027076.jpg 

 

texto de Helena Pato em Antifascista da Resistência 

 

"Militante da extrema-esquerda, cidadã antifascista de grande dignidade, modéstia e coragem, entregou-se à luta clandestina, integrada na FAP por convicção. 

 

Viveu 8 meses na clandestinidade, guardiã de uma casa da organização e com trabalho de impressão numa tipografia. 

 

Terá sido, na década de 60, a única mulher na clandestinidade, que não era do PCP. Seguiu o seu companheiro, Rui D ´Espiney e foi presa com ele. Condenada em Tribunal Plenário, ficou dois anos em Caxias.  

 

Ana Rita Gandra Gonçalves nasceu a 21 de Dezembro de 1945, em Lisboa, filha de Nuno da Cunha Gonçalves e de Ângela Guimarães da Cunha Gonçalves. Nascida numa família oposicionista [por parte da mãe], Ana Rita Gandra Gonçalves começou cedo a envolver-se nas actividades estudantis contra o regime. 

 

No 5º ano do liceu Maria Amália Vaz de Carvalho, juntou-se a uma colega na organização de uma estrutura que batizaram como “JIOP – Jovens Independentes de Oposição Portuguesa”. Em breve, vai pertencer à Pró-Associação dos liceus e militar no PCP. 

 

Aos 17 anos, o namoro com Rui D’Espiney, militante do PCP já em ruptura com o partido, alimenta-lhe dúvidas ideológicas, que ela própria tinha. [Na sua visão, a ausência de acções armadas era um erro do Partido Comunista]. 

 

Em 1963, com o despontar das correntes maoistas na Europa, alguns militantes do Partido Comunista tinham passado a defender a luta armada contra o regime. É neste quadro que, quando Rui D´Espiney decide exilar-se em Paris, Rita parte com ele, por convicção política e por amor. 

 

Em 1964, partem para a Argélia, com o objectivo de se juntarem aos campos de treino da guerrilha de Humberto Delgado. Já em Argel, conhecem João Pulido Valente e estabelecem contacto com os primeiros escritos de Francisco Martins Rodrigues. Em 1964, Francisco Martins Rodrigues, Rui d´Espiney e João Pulido Valente criam, com outros dissidentes do PCP, a Frente de Acção Popular (FAP) e o Comité Marxista-Leninista Português. Rui d’Espiney, na altura exilado em Argel, segundo uma entrevista que deu à RTP após o 25 de Abril, propunha-se «formar uma frente para levar a cabo a luta armada e um comité para fazer fermentar as ideias daqueles que se consideravam comunistas de extrema-esquerda. A FAP seria a organização que iria, de algum modo, responder ao imperativo de resposta armada à repressão ditatorial e do fascismo». 

 

Rita volta para Portugal, doente, e aguarda o marido, para se lhe juntar na clandestinidade, já que o seu objectivo, desde sempre, seria vir para o interior e lutar pelo fim da Ditadura. Em Junho de 1965, Rui d´Espiney regressa ao País, vindo da Argélia, e desenvolve então actividades com Francisco Martins Rodrigues e João Pulido Valente.  

Depois de vários meses na clandestinidade e com o envolvimento em várias acções de propaganda, a polícia política detecta-os, aproxima-se deles e o cerco aperta-se. [Rita sempre afirmou, desde então, que não chegou a participar nas acções violentas, dedicando-se sobretudo a imprimir propaganda da Frente de Acção Popular]. Ocorrera a execução de um infiltrado da PIDE na FAP, responsável pela detenção de João Pulido Valente e, em Janeiro de 1966, R d´E e FMR foram detidos pela PIDE e submetidos a um tratamento brutal. Rita é encontrada pela PIDE em casa de amigos onde se tinham refugiado, quando constataram que estavam vigiados pela PIDE. Rui tinha sido preso no mesmo dia, sem que Rita soubesse.

 

Presa a 14 de Fevereiro de 1966 e interrogada, Ana Rita Gandra Gonçalves é levada para Caxias. Durante o interrogatório na António Maria Cardoso, em que é submetida à tortura do sono, Rita Gandra não fala. Ao ser detida, ainda não sabia se o marido tinha conseguido fugir, mas a PIDE fez questão de trazê-lo, então, à sua presença, para a pressionar a falar. Rui D´Espiney tinha sofrido tais violências durante os interrogatórios, que Rita só o reconheceu pelas mãos (tal o estado desfigurado em que este se encontrava, tantas eram as nódoas negras e o sangue que tinha na cara). A informação sobre a tortura do jovem D´Espiney desencadeou na Universidade manifestações estudantis contra a brutalidade da polícia.

 

Em Abril de 1967, Rita Gandra foi levada para o Hospital da Ordem Terceira (junto à sede da PIDE) e, pouco tempo depois, novamente enviada para Caxias, onde permaneceu até ao julgamento, em 1968. 

Em Abril de1966 fora constituída arguida num processo, cujo julgamento em Tribunal Plenário só ocorreu em Março de 1968. Rita não "falara", mas a sua acusação decorreu de testemunhos de companheiros. Condenada na suspensão de direitos políticos por cinco anos e a uma pena de 20 meses de prisão, já expiada com a detenção sofrida (de mais de dois anos), é libertada imediatamente. Durante o tempo na cadeia de Caxias, os encontros com o marido, Rui D’Espiney, aconteciam uma vez por ano, durante uma hora, sempre vigiados pela PIDE. De resto, o casal contactava por carta, uma vez por semana.

 

Rui D’ Espiney, Francisco Martins Rodrigues e João Pulido Valente ficaram presos até 27 de Abril de 1974. Rita Gandra estava em Londres a acompanhar a filha doente quando soube que uma revolução eclodira em Portugal e que o marido iria ser libertado. A filha Catarina, que havia sido criada pelos Avós (pais do Rui) até à libertação da Mãe, acaba por morrer no mesmo dia em que o pai é libertado [Rui D´ Espiney não a vira desde que fora preso]. D’ Espiney sempre confirmou a sua militância política [«O mais que disse à PIDE foi que era guerrilheiro»], mas nunca assumiu que puxara o gatilho. Rui D ´Espiney morre de cancro em 2016 (ver biografia citada em “Fontes”). Nessa ocasião, a Câmara Municipal de Setúbal apresentou, em reunião pública ordinária, um voto de pesar no qual lamentou o falecimento do sociólogo Rui d’Espiney, fundador e dirigente do Instituto das Comunidades Educativas, que se envolvia activamente “em inúmeros projectos de promoção da democracia participativa e dando espaço e voz aos direitos das minorias”

677 VALERIANO FERRÃO (11/10/1939)

FB_IMG_1699378960138.jpg

 

Valeriano Inocêncio de Araújo Ferrão foi um político e diplomata moçambicano que se tornou o primeiro embaixador de Moçambique nos Estados Unidos da América.

 

Filho de Tomás António e de Cristina Joana Araújo Ferrão, cresceu no ambiente que considerava racista e colonial da cidade da Beira. Exilou-se em Paris em 1963, onde se juntou a grupos de exilados portugueses e moçambicanos. 

 

Em 1964 foi estudar para Neuchâtel na Suíça, tendo-se formado em engenharia mecânica. 

 

Em 1970 regressou a África, integrando campos de treino da Frelimo em Argel, Cairo e Dar-es-Salaam onde além de receber treino militar, foi professor.

 

Regressou a Moçambique depois da independência nacional, tornando-se deputado na Assembleia Popular em 1977, e ingressou em 1978 nos quadros do Ministério dos Negócios Estrangeiros, primeiro como secretário-geral do ministério e em 1981 como Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros. 

 

Em 1983, foi nomeado o primeiro embaixador de Moçambique nos Estados Unidos da América, cargo do qual foi exonerado em 1991.

 

Dedicou-se então a apoiar a agricultura, especialmente a realizada por mulheres na zona suburbana de Maputo, a qual fornece a cidade com produtos hortícolas.

 

Faleceu em outubro de 2022.

 

em Wikipédia

676 FREDERIKA MENEZES

FB_IMG_1699378883811.jpg

 

Frederika Menezes é uma autora, poetisa e artista goesa conhecida pelo seu livro Unforgotten, uma história de amor para jovens adultos publicada em 2014. 

 

Frederika Menezes nasceu em 1979 ou 1980, filha dos médicos José Menezes e Angela Fonseca e Menezes e cresceu no Altinho, em Pangim. Foi-lhe diagnosticada paralisia cerebral quando tinha um ano de idade e tem sido uma defensora da causa dos deficientes. Completou seus estudos na People's High School, Panjim em 1996.

 

Menezes começou a escrever poesia quando foi incentivada pela professora a fazer um projeto de aula, e foi aí que descobriu sua paixão pela escrita de poemas. 

 

Outras obras literárias de Menezes incluem The Portrait (uma coleção de poemas, publicada em 1998), The Pepperns and Wars of the Mind (um romance de fantasia, publicado em 2003) e Stories in Rhyme (que era um livro de versos para crianças, lançado em 2014).  

 

Fredericka é também uma pintora iniciante, usando processos digitais (em tablet, smartphone ou PC), utilizando apenas o dedo. Algumas de suas pinturas mais conhecidas são The Grievon Madonna, Tourada, Mother Sea e First Kiss . 

 

Menezes recebeu o galardão Yuva Srujan Puraskar de Literatura em 2016. O seu primeiro livro recebeu elogios do então presidente indiano, Abdul Karam. Foi-lhe também dada a oportunidade de recitar o seu livro de poemas na Assembleia Legislativa de Goa diante dele.  

 

Em 2019, o Samraat Club, em Panjim, felicitou-a em sua casa por ocasião do Dia Internacional da Mulher. 

 

Também em 2019, Frederika Menezes foi convidada principal na exposição de arte da Mouth and Foot Painting Artists Association (MFPA), e foi escolhida pela Comissão Eleitoral da Índia para ser o "ícone do voto para deficientes" no distrito North Goa durante as eleições gerais indianas de 2019. Foi também palestrante no certame TEDxPanaji, sobre otimismo, positividade e determinação.

 

segundo Wikipédia

675 NUNO DA CUNHA GONÇALVES (1914-1997)

FB_IMG_1699378793920.jpg

 

 

[...] nasceu na cidade da Beira, Moçambique e mudou-se para Portugal no seguimento do 25 de Abril de 1974. Foi chefe de secção do Serviço de Turismo e chefe da divisão de Rally’s do ACP - Automóvel Club de Portugal.

 

Sócio da Associação Numismática de Portugal, da Sociedade Portuguesa de Numismática e sócio-fundador da Sociedade de Numismática Scalabitana. Participou no 1.º Congresso Nacional de Numismática (1980) e fez parte da Comissão Executiva do primeiro e segundo encontros de “Medieval Coinage in the Iberian Peninsula”, realizados em 1984 e 1986. Colaborou também com a Numisma Leilões na organização da 1.ª Expo-Feira de Numismática de Beja (1987).

 

Em 1983, realizou uma conferência sobre “A Moeda – Testemunha viva de multiseculares civilizações". No mesmo ano lecionou um curso rápido sobre a Numária Grega.

 

Publicou variadíssimos artigos nas revistas “Académica”, “Numismática”, “Moeda” e “A Permuta”, dos quais destacamos “Moeda de Cobre de D. João I com Inscrição Árabe” (1982) e “Mestre Aragão e o “ceitil” pseudo-árabe de D. João l” (1984).

 

Doou a sua biblioteca, composta por milhares de livros, à Universidade e à Biblioteca Pública de Goa.

 

Em https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=246203438074632&id=100080549326420

674 PEDRO DO CARMO COSTA

FB_IMG_1699378711897.jpg

 

 

Nasceu em Moçambique, morou por pouco tempo em Goa e cresceu em Lisboa. Descende diretamente dos Costa, gãocares (fundadores) de Curtorim, Goa.

 

"Pedro do Carmo Costa é um empreendedor, co-fundador e CEO da Pulsely (www.pulsely.io), uma empresa tecnológica líder em diagnósticos e analytics de Diversidade e Inclusão. Antes de fundar a Pulsely, Pedro foi co-founder e Director da Intersection Ventures, uma company-builder e venture capital baseada em Londres.

 

O Pedro co-fundou e liderou os esforços de desenvolvimento de negócio, da Exago, em Lisboa e Londres, de 2006 a 2016, data em que a companhia foi adquirida.

 

A sua carreira está centrada em inovação de negócio nos últimos 20 anos. Antes de co-fundar a Exago, o Pedro foi consultor na Strategos, uma empresa líder em consultoria em inovação estratégica fundada por Gary Hamel, onde liderou o escritório Ibérico e LatAm.

 

Antes de se juntar à Strategos, Pedro foi Senior Manager na Ernst&Young, nos escritórios de Boston (USA) e São Paulo (Brasil), durante cinco anos, e consultor na BaaN, em Lisboa, por três anos.

 

Pedro é Engenheiro de Produção Industria pela Faculdade de Ciências e Tecnologia, da Universidade Nova de Lisboa. Vive em Londres com a sua Familia.

 

É membro do Conselho da Diáspora Portuguesa desde dezembro de 2022"

 

em https://www.diasporaportuguesa.org/perfil/pedro-do-carmo-costa/

673 A RELEVÂNCIA HISTÓRICA DA OBRA PORTUENSE DE LUÍS CAETANO PEDRO D'ÁVILA, de José Pedro de Galhano Tenreiro*

FB_IMG_1699378622726.jpg

 

 

A breve notícia do incêndio do “chalet” do comendador Dantas permite compreender 

que a mesma, a par do palacete vizinho, teria características invulgares no contexto 

portuense, merecendo a referência a ambas como “magnificas propriedades acastelladas”. 

 

É de notar que o tipo de arquitectura de Luís Caetano Pedro d’Ávila é, à época, profundamente distinta dos modelos praticados no Porto. Esta situação verifica-se tanto no que respeita ao modelo proposto pelo arquitecto [...] no palacete de Henrique d’Oliveira Soares como também nas características referidas relativamente ao “chalet” Dantas. 

 

É de notar que a noção de “chalet” não era já 

estranha na região portuense aquando da passagem de Luís Caetano Pedro d’Ávila 

pelo Porto. Nesta ocasião são edificados vários “chalets” no Porto e na sua região de 

influência, muitos deles projectados pelo arquitecto Thomaz Soller, como as casas de 

Júlio Lourenço Pinto (1872) e de João António Gomes de Castro, Conde de Castro (1876), ambos na Foz do Douro. Outros edifícios apresentavam já alguns elementos característicos deste tipo de edificação, como lambrequins e telhados de duas águas 

dispostos perpendicularmente às fachadas, as quais se elevam em empenas de perfil 

triangular, surgindo sobretudo na proximidade da frente marítima. Todavia, tanto estes exemplos como a arquitectura de Thomaz Soller assumem características muito distintas do carácter “acastelado” do “chalet” Dantas, apresentando ambos, por oposição a este, um carácter menos monumental e de simplicidade ornamental. 

 

Será apenas na passagem de Oitocentos para Novecentos que surgem novos chalets 

de feição “acastelada”, como vários dos projectados no gabinete do engenheiro António da Silva, irmão do Visconde de Salreu, e outros da autoria do engenheiro António Rigaud Nogueira, sendo todos eles apresentando torreões encimados por coruchéus e muitas vezes ostentando telhados rematados nas suas empenas com lambrequins elaborados, caso este da casa de Custódio José da Costa, edificada na Rua do Bonjardim entre 1906 e 1909.

 

O mesmo engenheiro António Rigaud Nogueira revela em obras suas uma leitura atenta dos alçados do palacete de Henrique d’Oliveira Soares nas casas projectadas a partir de 1897 para José de Sousa Feiteira, na esquina da Rua Guerra Junqueira com a Avenida da Boavista, onde se verifica o uso de cantaria almofadada em torno das janelas e de vãos em arco ultrapassado, elementos à época ainda incomuns na arquitectura portuense.

 

O modo de implantação do palacete de Henrique d’Oliveira Soares, afastado da via pública, era também ele raro à época da sua construção, mas torna-se nota comum na arquitectura burguesa portuense a partir de finais de Oitocentos.

 

Por sua vez, as características formais do alçado do palacete de Eduardo Pinto da Silva ressurgem em diversos edifícios projectados posteriormente para os novos eixos urbanos abertos na década de 1870. 

 

Populariza-se então o uso da janela alta 

de verga curva e o revestimento de panos de fachada em cantaria de silharia fendida 

desde o piso térreo até à cornija, à imagem do que sucede no palacete da Rua de Vilar. O exemplo mais completo deste tipo de construção é, possivelmente, o prédio de rendimento edificado no ângulo da Rua Mouzinho da Silveira com o Largo de São Domingos entre 1881 e 1883.

 

Finalmente, o desenho da fachada do palacete de Eduardo Pinto da Silva vem contribuir para a confirmação de um novo modelo de residência burguesa no Porto, o qual se desenvolve em lote estreito com o piso térreo sobre-elevado em relação à via pública, e que se torna dominante a nível regional a partir desta ocasião. Apesar de existirem casas de lote estreito com o piso térreo sobre-elevado deste meados do século XIX e de a disseminação deste modelo arquitectónico ser particularmente notória a partir da década de 1870, o palacete de Eduardo Pinto da Silva permite o estabelecimento de uma variante àquele modelo tipológico que conjuga aquelas características com a monumentalidade adquirida pela tripartição da fachada, situação até então quase exclusiva de palacetes de grandes dimensões. 

 

Neste sentido, o modelo do palacete de lote estreito e fachada de esquema tripartido torna-se comum sobretudo durante o período que decorre de 1880 a 1910, sendo de referir neste contexto vários exemplares erguidos ao longo das avenidas da Boavista e Rodrigues 

de Freitas, bem como o palacete de Constantino Rodrigues Batalha situado na Rua do Passeio Alegre, exemplo raro da transposição desta tipologia para o contexto 

urbano da Foz do Douro.

 

Os modelos de distribuição interna dos palacetes de Henrique d’Oliveira Soares e de Eduardo Pinto da Silva não terão, contudo, seguimento nos anos seguintes. 

 

Com efeito, até finais do século mantêm-se em voga os modelos planimétricos neo-palladianos praticados desde finais de Setecentos, nos quais a escadaria assume sempre uma posição central no espaço doméstico, tanto nas casas de lote estreito como nos grandes palacetes, verificando-se ainda o recurso a grandes escadarias centrais e de aparato, por exemplo, no palacete do Conselheiro Boaventura Rodrigues de Sousa, 

projectado em 1895 pelo arquitecto Joel da Silva Pereira numa clara recuperação do 

modelo do Palacete Forbes, ou dos Braguinhas, edificado na década de 1860. 

 

Será apenas nos palacetes erguidos a partir do final da década de 1890 que a escadaria 

principal passa a assumir uma posição lateral a um corredor central de distribuição, como se verifica no palacete de António Eduardo Glama, projectado em 1899 para a então recém-aberta Rua Álvares Cabral, num projecto também ele atribuível a Joel da Silva Pereira.

 

A passagem do arquitecto [...] Luís Caetano Pedro d’Ávila pelo Porto em inícios da década de 1870 assume, assim, um papel de relevo no contexto da renovação do panorama arquitectónico e dos modelos residenciais locais na segunda metade do século XIX.

 

*Investigador do Centro de Investigação Gallaecia, Universidade Portucalense, Porto. Doutorado em Arquitectura, ramo 

de Teoria e História, pela Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa.

 

em Romanthis, n°1, 2022

672 O ENGENHEIRO ARQUITETO LUÍS CAETANO PEDRO D'ÁVILA E A CIDADE DO PORTO 

FB_IMG_1699378531771.jpg

 

 

Também na cidade do Porto o arquiteto goês deixou a sua marca, não tanto pela quantidade, exuberância ou centralidade das suas obras, mas porque elas marcaram uma mudança de estilo e de paradigma na arquitetura da cidade. 

 

Foram quatro, os projetos seus aprovados pela edilidade entre 1870 e 1880. 

 

Desses quatros projetos, um, encomendado por Joaquim Francisco da Silva Azevedo, nunca chegou a ser edificado. Outro, o chalé do Comendador Miguel Dantas, ardeu imediatamente num violento incêndio, com posteriores peripécias envolvendo as companhias de seguros, e que ecoaram nos jornais do país e do Brasil. 

 

Somente dois, os palacetes de Henrique d’Oliveira Soares e o de Eduardo Pinto da Silva foram concluídos. O primeiro, também conhecido como Palacete das Lousas, depois de servir como residência do mandante da obra, foi comprado no início da segunda década de XX, pela Escola Prática Commercial Raul Dória. Depois de muitas e sucessivas alterações acabou demolido em 1968. Era situado entre a Rua Gonçalo Cristóvão e a Travessa Alferes Malheiro. 

 

Persiste até hoje e em boas condições o segundo, a Casa de Vilar, situado na Rua do Vilar, 54, Porto.

671 A PAROQUIA E A IGREJA DE SANTA ANA DA MUNHUANA

FB_IMG_1699378465227.jpg

 

 

"A paróquia Santa Ana Munhuana localizada na cidade de Maputo è uma das maiores paróquias da Arquidiocese de Maputo. 

 

Fundada a 02 de Janeiro de 1909 hoje, a sua missão principal é evangelizar os povos, com palavras, acções e testemunho de vida, inspirado na sua padroeira Santa Ana, que foi uma Mulher simples, humilde e trabalhadora.[...]

 

Como tudo começou? A trajectória histórica da igreja de Santa Ana da Munhuana começou a desenhar-se ainda na época colonial, com chegada a Moçambique, de um grupo de jovens goeses que pisaram, pela primeira, este solo, da então cidade de Lourenço Marques, e se fixaram no antigo bairro indígena, conhecido com o nome de Munhuana. 

 

Relatos de alguns historiadores indicam que o nome Munhuana deve-se a uma lagoa de água salgada que ali outrora existia, daí essa mesma designação, pois na língua ronga significado sal.

 

De acordo com alguns relatos, o lugar era mato. A cidade civilizada terminava perto da actual avenida 24 Julho. [...]

                                

Ao recorrermos aos escritos de nossos historiadores, podemos ler que “o pequeno núcleo de novos habitantes era composto de jovens que vieram da província de Santa Ana de Goa, na Índia, e estavam cheios de confiança no futuro promissor de Lourenço Marques. Nesse grupo, destacavam-se um industrial, Paulo Nazário Pinto e o jornalista católico Luís Vicente Álvares, fundador e director do jornal semanal “O Oriente’’.

 

Em lembrando-se da sua terra natal, pediram á autoridade eclesiástica da época que houvesse no subúrbio uma paróquia com o nome Santa Ana, sua padroeira em Goa. Este pedido foi concedido.

 

Nesse tempo destaca-se a figura do senhor Gabriel Francisco Rego da Silva, que vivia em Lourenço Marques e os seus negócios prosperavam. Gabriel era nascido em Sofala, em 05 de Maio de 1855. Residia aí desde 1882, quando Loureço Marques não era senão cidade pobre e insalubre. Este senhor era conhecido como o africano. Era católico fervoroso e teve a ideia de construir, na Munhuana, com seus recursos, uma grande Igreja sob o património de Santa Ana, com escola e centro de saúde. A Igreja projectada por ele teria 25 metros de comprimentos, 10 de largura e 7 d altura.

 

Como se aproximava a data histórica da visita do príncipe Real Luís Filipe, Gabriel obteve abertura da parte das autoridades que a primeira pedra da constituição fosse lançada pelo herdeiro do trono de Portugal. A Cerimonia solene decorreu a 18 de Agosto de 1907. Era um ambiente de festa. Erigiu-se uma tenda de tela, condecorada com as cores nacionais. A pedra foi preparada e o príncipe, com o Ministro, o governador-geral e outras diversas autoridades chegaram ao local á hora marcada. Foi o dia de festa da Munhuana."

670 CLAUDE ÁLVARES

FB_IMG_1699378366643.jpg

 

Ambientalista, Álvares é membro da Autoridade de Gestão da Zona Costeira de Goa do Ministério do Ambiente e Florestas (MoEF) do Estado de Goa (União Indiana). Ele também é membro do Comitê de Monitoramento da Suprema Corte (SCMC) sobre Resíduos Perigosos constituído pela Suprema Corte da Índia.

 

Álvares nasceu em Bombaim, filho de pais católicos mangalorianos. Cresceu em Khotachiwadi e frequentou o St. Xavier's College, onde conheceu sua futura esposa Norma.

 

Em 1976, Álvares concluiu o doutorado pela Escola de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade de Tecnologia de Eindhoven. Ele e sua família se mudaram para Goa em 1977.

 

Depois de iniciar um projeto de desenvolvimento rural de curta duração, Álvares começou a escrever para o The Illustrated Weekly of India enquanto Norma estudava direito quando ela completou sua graduação em 1985.

 

Em 1986, o Parlamento da Índia aprovou a Lei de Proteção Ambiental. Juntamente com goeses que pensam da mesma forma, os Álvares fundaram a Fundação Goa no mesmo ano para aumentar a conscientização da sociedade e combater a evasão dos novos padrões ambientais. 

 

Em 1987, a Fundação abriu seu primeiro processo de litígio de interesse público contra garimpeiros que causavam a erosão das praias locais; representado em juízo pelo Adv. Ferdino Rebello, a Fundação conseguiu travar esta actividade. 

 

A Fundação também abriu processos contra o Ramada e outros desenvolvedores de resorts de praia que desrespeitavam os códigos de construção.

 

Álvares fez tam campanha contra os cultivos geneticamente modificados. No seu artigo da Illustrated Weekly of India de 1986, "The Great Gene Robbery", criticou o programa do International Rice Research Institute, financiado pelos EUA, para substituir variedades de culturas nativas por outras menos robustas. Também se opôs às tentativas da Monsanto de comercializar versões geneticamente modificadas de vegetais como berinjela.

 

Álvares fundou a Livraria Other India em Mapuçá na década de 80; em 1990, também fundou a Other India Press com o intuito de publicar livros sobre agricultura orgânica, educação domiciliar e meio ambiente.

 

segundo Wikipédia

MARCOS DA PRESENÇA GOESA EM CARACHI

FB_IMG_1699378214299.jpg

 

 

Antes da Partição 

 

1835: Traços da presença goesa em Carachi, ainda antes da aquisição britânica (1839)

 

1858: José Caetano Misquita abre a 'JC Misquita Bakery', um marco na padaria e pastelaria na cidade. O estabelecimento ainda existe, ainda que noutro local e em outras mãos

 

1861: Manoel Caldeira é o primeiro aluno goês matriculado na St Patrick's School

 

1886: A Associação Goa-Portuguesa (GPA) é estabelecida, com mais de 200 membros

 

1894: Fundação da Indian Life Assurance Co (a maior da Índia)

 

1897: Cincinnatus F. D'Abreo, é designado Assistant Collector, na Alfândega de Carachi 

 

1898: José António Vaz, é o primeiro Goês integrar o Serviço Civil Indiano do Raj Britânico

 

1905: Aloísio de Mello, advogado, é o primeiro Goês nomeado para a Função Pública Colonial Britânica 

 

1916: Frederico J. de Souza, primeiro goês nomeado para o Serviço Imperial de Engenheiros Ferroviários

 

1918: Eduardo Raimundo, o primeiro não britânico a ser nomeado Comissário Judicial 

 

1928: Goeses estabelecem a 'Cincinnatus Town' - o primeiro município da cidade

 

1928: António Estanislau D'Mello, funda o Conselho de Controle do Críquete da Índia

 

1930: Inácio Sequeira é o eminente fotógrafo da cidade, e que capta acontecimentos históricos

 

1930: Luis João Mascarenhas, o primeiro não britânico a ser nomeado Secretário do Karachi Port Trust

 

1931: Charles M Lobo compõe o hino 'Rise India' dedicado ao Cristo Rei

 

1932: Frank D'Souza, primeiro não britânico na direção do British India Railway Board 

 

1932: O Município de Carachi nomeia algumas estradas em homenagem aos pioneiros goeses

 

1934: António Estanislau D'Mello, estabelece o torneio Ranji Cricket

 

1936: Peter Paul Fernandes, o primeiro Goês a representar a Índia Britânica nos Jogos Olímpicos de Berlim

 

1939: A 'Optimists Band' de Mickey Correa estreia no Taj Mahal Hotel, onde toca por 21 anos!

 

1940: Quatorze Goeses de Carachi formam o núcleo dos jesuítas do Gujerate

 

1940: Bertie Gomes vence o Campeonato de Boxe Peso-Pesado da Índia Britânica 

 

1940: Hannibal D'Souza vence o Campeonato de Boxe Peso Mosca da Índia Britânica 

 

1945: Arthur Sequeira elabora o retrato oficial de Jinnah, o futuro pai do Paquistão, nos Estúdios Sequeira

 

1946: Jack Britto representa a província de e Sindh no All-India Ranji Cricket Trophy

 

1946: Manuel Misquita, torna-se o prefeito de Karachi

 

1947: Dr Orphino de Sá é designado Chief Medical Officer of Karachi Municipality Corporation

 

AGOSTO DE 1947

PARTIÇÃO DA ÍNDIA BRITÂNICA E SURGIMENTO DO PAQUISTÃO

669 NILZA DE SENA (21/11/1976)

FB_IMG_1699378135192.jpg

 

 

Nilza Marília Mouzinho de Sena é uma professora universitária e política portuguesa. Foi deputada à Assembleia da República entre 2011 e 2019, pelo Partido Social Democrata.

 

Nilza de Sena tem ascendência goesa e moçambicana.

 

É mestre em Ciência Política e doutorada em Ciências Sociais na especialidade de Sociologia. É professora no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. 

 

Entre entre 2010 e 2014 ocupou o cargo de Vice-Presidente do PSD e foi Deputada à Assembleia da República entre 2011 e 2019.

 

Foi deputada à Assembleia da República nas XII e XIII Legislaturas, entre 2011 e 2019, e presidente da Assembleia de Freguesia de Santo Condestável entre 2005 e 2009.

 

★Cargos que Desempenha

 

.Presidente da Comissão de Assuntos Económicos, Ciência, Tecnologia e Ambiente da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), desde 2016.

.Membro fundador e da direcção da Plataforma para o Crescimento Sustentável, desde 2011.

.Conselheira no Conselho Nacional de Educação (CNE), desde 2013.

.Vice-Presidente do Gabinete de Estudos Nacional do PSD, desde 2017.

 

★Cargos Exercidos

.Vice-Presidente da Comissão Política Nacional do PSD 2010-2014

.Membro do Conselho Nacional do PSD 2014-2016.l

.Vice-Presidente da Comissão de Assuntos Económicos, Ciência, Tecnologia e Ambiente da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) 2013-2016

.Vice-Presidente da Comissão Permanente Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura, 2011-2015

.Conselheira da Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial (CICDR), 2011-2015.

.Membro Efectivo do Conselho Científico do ISCSP 2008-2013

Membro Efectivo do Conselho Pedagógico do ISCSP 2008-2013

.Presidente Assembleia Freguesia Santo Condestável, 2005-2009

 

★Obras Publicadas

.SENA, Nilza Mouzinho de (2011) Televisão e Democracia: eleições, debates e comunicação política, in Serviço público de Televisão. Celta.

.SENA, Nilza Mouzinho de (2008) A Tribuna Pública do Comentário Político, in Comunicação e Marketing Político, ISCSP.

.SENA, Nilza Mouzinho de (2007) Espaço Público, Opinião e Democracia, in AAVV, Studies in Communication Review, Publ. Labcom, UBI

.SENA, Nilza Mouzinho de (2006) As regras e os equívocos do discurso político, in Comunicação e Marketing Político, ISCSP

.SENA, Nilza Mouzinho de, (2011). A Televisão por dentro e Por Fora, Minerva Coimbra, Coimbra.

.SENA, Nilza Mouzinho de, (2002). A Interpretação Política do Debate Televisivo 1974-1999, Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, Universidade Técnica de Lisboa.

668 ALEXANDRE OVÍDIO

FB_IMG_1699378037819.jpg

 

Ator de cinema e de teatro, humorista e apresentador de televisão, Alexandre Ovídio é um nome discreto mas perene no meio artístico português. Filho de pai goês, a sua mãe é portuguesa.

 

Participou em peças teatrais no Teatro Nacional Dona Maria II, no Pogo Teatro, na Galeria ZDB, na companhia FX-Efeitos Especiais, no Museu da Farmácia, entre muitos outros.

 

No cinema participou em "Fenómeno" (2001) e no mini filme "Jogo Maldito" (2013), de David Rebordāo, onde representou Mário, o personagem principal.

 

Já no pequeno ecrã, Alexandre Ovídio teve o seu momento alto em 2006 ao apresentar na cadeia SIC, game show "Desprevenidos", o qual teve 26 episódios. 

 

Ovídio tem também desde 2008, lugar cativo na Benfica TV como humorista.

 

Paralelamente á sua carreira artística, Alexandre Ovídio tem também desenvolvido desde 1990, uma carreira técnica na empresa fundada por seu pai, Milton Ovídio, a EletroSertec, empresa essa dedicada a comercialização de tecnologia facilitadora a invisuais. 

 

Milton Ovídio é pioneiro em Portugal e em Moçambique, no associativismo para invisuais.

667 JOÃO QUEIROZ

FB_IMG_1699377617836.jpg

 

 

João Queiroz é licenciado em Economia pela Universidade Nova de Lisboa, desde 1992, tendo concluído a pós-graduação em Mercados e Activos Financeiros no INDEG/ISCTE, em 1997.

 

Possui extensa experiência na atividade bancária, com cerca de 30 anos, dos quais mais de 20 estão ligados ao Mercado de Capitais e à negociação de Instrumentos financeiros.

 

Em 2004 ingressou na então L. J. Carregosa - Sociedade Financeira de Corretagem, assumindo atualmente a função de Head of Trading do Banco Carregosa.

 

https://www.bancocarregosa.com/pt/pessoas/detalhe-cv-joao-queiroz/

Mais sobre mim

imagem de perfil

Arquivo

  1. 2023
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2022
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2021
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2020
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2019
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D