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GALERIA DOS GOESES ILUSTRES

INTROSPECÇÃO SOBRE A ORIGEM, O ALCANCE E OS LIMITES DA IDENTIDADE GOESA, E O SEU CONTRIBUTO HISTÓRICO E SOCIAL EM PORTUGAL E NO MUNDO

GALERIA DOS GOESES ILUSTRES

INTROSPECÇÃO SOBRE A ORIGEM, O ALCANCE E OS LIMITES DA IDENTIDADE GOESA, E O SEU CONTRIBUTO HISTÓRICO E SOCIAL EM PORTUGAL E NO MUNDO

665 D. MIGUEL DE PAIVA COUCEIRO (1909)

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Nasceu em Cascais e após a implantação da república seguiu com a família para Espanha e França, de onde regressou para prestar o serviço militar. Após cursar a Escola Militar integrou-se com Alferes na Arma de Cavalaria, em Cavalaria 7 e depois em Lanceiros 2 (Lisboa). 

 

Progredindo, teve um grave acidente de automóvel que o deixou em recuperação durante um ano em Paris, após o qual foi reintegrado em Cavalaria 2, 1 e 5 respetivamente, chegando ao posto de Capitão.

 

Adido ao Ministério das Colónias, foi nomeado Governador de Diu por Portaria Ministerial de 9 de Agosto de 1948. Desentendido com o então Governador do Estado da Índia, o Almirante Quintanilha, deixou o Governo de Diu a 31 de Julho de 1950.

 

Foi um período que, embora curto no tempo, deixou marcas profundas na cidade, nas suas gentes e vizinhos da União Indiana.

 

Nessa praça Portuguesa, considerada então "...o mais arriscado posto do Império Portugues...", cedo impôs as suas imensas qualidades, apreciadas não só pelos habitantes mas também pelos vizinhos Indianos com quem reatou excelentes relações num período crítico desse país, que acabava de tornar-se independente da Coroa Britânica. 

 

Em 1949, após uma das visitas a Diu do Ministro Indiano Samaldas Gandhi, sobrinho do Mahatma, a imprensa local - Comércio de Vieira de 10 de Julho de 1949, transcrição de uma notícia publicada no Diário de Notícias – dizia, citando esse Ministro, «os Portugueses, que vivem na Índia como bons amigos e irmãos dos Indianos, há centenas de anos, continuarão na Península Hindustânica outras tantas centenas de anos, desde que os seus governantes na Índia sejam como o actual governador de Diu, Sr. Capitão D. Miguel de Paiva Couceiro, acerca de cuja acção traçou o mais rasgado elogio ».

 

O mesmo Diário de Notícias citava, a 10 de Outubro de 1949, um artigo publicado no Blitz Newsmagazine da União Indiana em que se dizia que D. Miguel de Paiva Couceiro aí era « já hoje conhecido, quer em Diu, quer em Junagadh, capital do Estado de Saurashtra, vizinho de Diu, pelo Mountbatten Português ou Mountbatten de Diu, em virtude da sua popularidade e da boa vontade que demonstra nos seus contactos com os Indianos ».

 

Durante o seu curto Governo, D. Miguel – como alguém disse – ressuscitou Diu, negociou com a vizinha União Indiana, procedeu a uma série de acções e tomou decisões que melhoraram muito significativamente a vida na Província, como por exemplo:

 

.Reduziu os impostos que a população pagava sobre as importações da Índia

.Melhorou as condições sanitárias locais

.Fundou a primeira estação de rádio na Índia Portuguesa

.Mandou construir um Novo Hospital

.Promoveu a instalação, em Diu, duma delegação da Obra de Protecção à Mulher 

.Construiu um centro médico

.Desenvolveu a horticultura

.Incrementou o combate à malária e conseguiu erradicar a cólera

.Fundou a Biblioteca Norotom Mulgi e Revam Bai

.Coordenou a recuperação e restauração de numerosas obras de arte que estavam esquecidas, muitas das quais nas ruínas do Palácio

.Fundou uma High School dirigida por Jesuítas Espanhóis no edifício « São Paulo »

.Renovou completamente a infra-estrutura de fornecimento de energia eléctrica

.Mandou construir uma estrada asfaltada entre Gogola e a Índia

.Criou bolsas de estudo para os estudantes de Diu

.Restabeleceu o transporte marítimo entre Diu e Bombaim

.Construiu novas instalações para os Correios

Restabeleceu a circulação de viaturas entre Una e Diu

.Restabeleceu o aprovisionamento de carne de vaca, que estava interrompido havia 2 anos

.Restabeleceu o aprovisionamento em água potável, abandonado há 40 anos

 

D. Miguel fez também proceder à restauração do Palácio do Governador, uma pequena maravilha da arquitectura Indo-Portuguesa, considerado como o único palácio da Índia Portuguesa. Dizia o jornal "Anglo-Lusitano" de 24/6/1950: "Com fachada do Século XVII, encimando os brazões dos valorosos heróis de Diu, Nuno da Cunha, António da Silveira, D. João de Mascarenhas e D. João de Castro, todo o mobiliário artistico característico de estilo indo-português, os interiores e principalmente a "Sala de Parvati", enriquecidos com pedra e madeira lavrada".

 

Á sua decisão de abandonar o cargo, responde a população com uma manifestação relatada no Diário de Notícias de 19.05.1950:

 

"O povo de Diu dispensou calorosa manifestação de simpatia ao sr. Capitão Paiva Couceiro, ao mesmo tempo que lhe pediu que não abandonasse o governo do distrito. Uma comissão enviou ao comandante Quintanilha, governador geral do Estado da Índia, o seguinte telegrama: O povo de Diu, vivendo uma época de paz, de prosperidade e de progresso, graças ao governador Miguel de Paiva Couceiro, recebeu em sobressalto a inesperada notícia de que era sua intenção deixar a chefia do distrito. Muitas pessoas ocorreram hoje ao Palácio pedindo ao governador o sacrifício de continuar e suplicando-lhe que desista do seu intento. Rogamos máximo interesse junto do Governo da Metrópole, no sentido de conseguir que o sr. Capitão Paiva Couceiro continue na Índia, onde tanto prestigia Portugal".

 

8 anos depois de D. Miguel ter deixado o Governo de Diu, a Câmara Municipal de Diu, na sessão ordinária de 31 de Julho de 1958, assunto n.º 5, decidiu designar uma rua de Diu "Rua D. Miguel de Noronha de Paiva Couceiro". Trata-se do troço entre a Avenida António de Silveira, que se dirige à Sé Matriz, e a Rua D. João de Castro. Diz essa acta: "A Câmara ... concordou por unanimidade ... designar essa parte da rua com o nome do inesquecível e grande Governador que Diu teve a dita de possuir".

 

Depois de ocupar muitos outros cargos públicos e privados em Moçambique e África do Sul, Dom Miguel falece em Lisboa a 24 de Junho de 1979.

 

 

 

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