656 DR ANTÔNIO MILITÃO DE BRAGANÇA (31/07/1860)

Antonio Militão de Bragança - o terceiro, o Varão Laranjeirens, neto de Aleixo João de Bragança, natural de Goa.
Antônio Militão de Bragança, nascido em 31 de julho de 1860, vive até os 89 anos de idade, falecendo no dia 27 de março de 1949. Forma-se pela Faculdade de Medicina da Bahia, em 15 de dezembro de 1883, defendendo a tese “Paralisias Consecutivas as Moléstias Agudas”.
Recém formado, segue para o Rio de Janeiro, onde permanece por breve espaço de tempo, recebendo ensinamentos no campo da oftalmologia.
Volta para Laranjeiras e monta consultório na rua Direita. No ano seguinte, transfere-se para Pão de Açúcar onde permanece por 7 anos, voltando já casado para Laranjeiras em 1892, onde exerce suas atividades com grande competência e dedicação. Em 1898 exerce as funções de Delegado de Higiene em Laranjeiras, único cargo público que exerce em toda a sua existência.
Em 1911 violento surto de varíola atinge a cidade e quase a despovoa, tal o número dos que fogem para Aracaju, a este tempo melhorada em seus aspectos sanitários e com maiores recursos de atendimento. Dr. Militão de Bragança escreve e publica relato científico com o título de “A Varíola em Laranjeiras”, trabalho muito rico em detalhes clínicos, epidemiológicos e profiláticos.
Uma pandemia de gripe espanhola arrasa Laranjeiras em 1918 com centena de mortes conforme o registro dos serviços públicos. Militão de Bragança é infatigável nessa luta. Respeitado pela sua dedicação à Medicina, progride de forma mais intensa em função de atividades paralelas de senhor de engenho e criador de gado, tanto em Laranjeiras como nas margens do São Francisco.
Progressista e inovador, inclui-se entre os primeiros a importar gado indiano e introduzi-lo nos rebanhos sergipanos.
Casado com Dona Maria da Silva Tavares, tem dois filhos, ambos homens. Antonio Tavares de Bragança, farmacêutico-químico e professor, e Francisco Tavares de Bragança, sacerdote. Nessa geração, portanto, não há médicos entre os Braganças. Mas a lacuna dura pouco, isso Francisco José Plácido Tavares de Bragança - o quarto. porque Antonio Tavares casa-se com Maria Otávia Plácido Tavares de Bragança e dessa união nasce em 1925, Francisco José Plácido Tavares de Bragança, o “Sobrinho do Jesuíta”, carinhosamente chamado de Bragancinha, o “Chico”, nosso querido professor de Cirurgia, que atualmente reside em Maceió.
Para não quebrar a tradição, seu filho, Ricardo Viana de Bragança, escolhe também a Medicina como profissão, especializando-se em urologia, sendo hoje o Bragança da minha geração.
Uma história que não pára por aqui, uma vez que Ricardinho, filho de Ricardo Bragança, no próximo ano receberá o seu diploma de médico. Com uma história que atravessa três séculos, a Saga dos Braganças é capítulo memorável da nossa história contemporânea e árvore frondosa e bela na Medicina de Sergipe.
Fontes consultadas:
Camerino Bragança de Azevedo - “Dr. Bragança; Esse varão laranjeirense”. Rio de Janeiro, Editora Pongetti – 1971.
Antônio Samarone de Santana - “As Febres de Aracaju – dos miasmas aos micróbios”, Aracaju, 2005
Cônego Philadelfo de Oliveira - “Histórias de Laranjeiras”. Casa Ávila. 2ª Edição – 1981.
Discurso pronunciado pelo Dr. Francisco Alberto Bragança de Azevedo ao ensejo da instalação do Ginásio “Possidônia Bragança, na cidade de Laranjeiras, em 9 de março de 1958.
Alexandre Gomes de Menezes Neto – Trabalho escrito para a Academia Sergipana de Medicina, em 1999.
Fonte: http://www.infonet.com.br/lucioprado/ler.asp?id=78159&janelaenviar=...

