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GALERIA DOS GOESES ILUSTRES

INTROSPECÇÃO SOBRE A ORIGEM, O ALCANCE E OS LIMITES DA IDENTIDADE GOESA, E O SEU CONTRIBUTO HISTÓRICO E SOCIAL EM PORTUGAL E NO MUNDO

GALERIA DOS GOESES ILUSTRES

INTROSPECÇÃO SOBRE A ORIGEM, O ALCANCE E OS LIMITES DA IDENTIDADE GOESA, E O SEU CONTRIBUTO HISTÓRICO E SOCIAL EM PORTUGAL E NO MUNDO

653 LAVINHO TOMÁS PINTO

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Nascido em Nairóbi, no Quênia, então território britânico, em 23 de outubro de 1929, Lavinho Tomás Pinto mudou-se para Bombaim e despontou como um atleta promissor quando estudava na St. Xavier’s School and College. 

 

Treinado por Benson Proudfoot, tinha 20 anos quando venceu o sprint duplo no Bombay State Athletics Meet e começou a dominar o cenário nacional indiano no ano seguinte.

 

Nos 14º Jogos Nacionais em Nova Delhi, estabeleceu a marca dos 200m em 21,8 segundos nas baterias antes de melhorar para 21,7 segundos na final. 

 

Continuou a vencer os sprints em Bombaim (Mumbai) em 1950, Ludhiana em 1951, Madras (Chennai) em 1952, Jabalpur em 1953, quando marcou seu melhor tempo de carreira de 10,6 segundos nos 100m de Calcutá (Kolkata) em 1955. Desistiu da corrida de 200m em Madras devido a uma distensão muscular.

 

Em Patiala, em 1956, fez 21,5 segundos nos 200m antes de deixar as pistas com apenas 27 anos, mas já era um herói na Índia, pois emergiu como o homem mais rápido da Ásia com vitórias nos 100m e 200m em 10,8 e 22 segundos, respectivamente, nos Jogos Asiáticos inaugurais em 1951 e assim ajudou a Índia a terminar com 10 ouros, apenas um a menos que o Japão.

 

Se não fosse por uma distensão muscular após a vitória nos 100m, ele poderia ter ancorado a Índia ao ouro também nos 4x100m, mas não conseguiu superar a liderança que os japoneses abriram após três etapas. Ainda assim, com Alfred Shamin, M Gabriel e Ram Swaroop, ficou encantado com a prata, bem à frente do quarteto filipino.

 

Nos Jogos Olímpicos de Helsínquia, no ano seguinte, Lavy Pinto foi o capitão da equipe indiana de atletismo. Terminou em quarto lugar em 10,7 segundos nas semifinais dos 100m e ficou assim de fora dos seis primeiros que chegaram à final. Da mesma forma, ele marcou 21,7 segundos nas semifinais dos 200m. Uma nuvem de pó no momento da partida fê-lo percorrer a pista sem visibilidade e foi eliminado.

 

De muitas maneiras Lavinho foi pioneiro, tendo passado alguns meses em Londres, treinando com o renomado treinador austríaco Franz Stampfl no London Athletic Club. Lavinho era um iniciante lento, mas sua resistência era tal que parecia ser capaz de acelerar mesmo quando os outros estavam desacelerando.

 

Mais tarde, teve forte concorrência com Summa Navaratnam do Ceilão e Abdul Khaliq do Paquistão no contexto sul asiático. 

 

Aposentou-se do atletismo competitivo em 1956 após o encontro duplo Indo-Pak em Delhi, focado na sua carreira com os Tatas no Taj Hotel e Air India, antes de se mudar para os Estados Unidos da América em 1969.  

 

Faleceu em Chicago em 15 de fevereiro de 2020.

652 JOSÉ CARLOS FARIA (15/04/1936)

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Joseph, o primogénito de Lígia e Alberto Faria, veio ao mundo a 15 de janeiro de 1936 em Mombassa, no Quênia. 

 

Joe começou a vida como um jovem muito afável, embora tímido. Na escola, no ensino superior e no mercado de trabalho, a facilidade com que interagia com as pessoas, o seu amor pelas brincadeiras e seu genuíno apreço pela humanidade, o tornaram uma companhia muito procurada.

 

Qualificou como professor de escola primária, tornando-se querido pelos seus alunos. 

 

Também se destacou no campo desportivo, particularmente no atletismo, onde alcançou a competição internacional quando representou o Quénia nas estafetas 4x100 dos Jogos da Commonwealth de 1962.

 

Mostrou-se um grande jogador de equipe, bem como alguém que poderia perseguir a coroa de vencedor no desporto individual, destacando-se no ténis de mesa e no hóquei em campo, conquistando para si elogios e vários troféus para sua equipe.

 

Em 1966 conheceu Auxilia, a sua futura mulher, e deixou o Quênia, indo para Londres onde casou e prosseguiu a sua vida profissional, tendo ensinado Matemática por mais de 30 anos na Wimbledon Chase School.

651 ALBERT CASTANHA (07/10/1935)

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Albert Castanha sempre será lembrado como o principal esportista polivalente do Quênia.

 

Este campeão bem organizado, preciso e comprometido é um dos muitos goeses que devem ser creditados por estar na vanguarda da corrida ao ouro olímpica que consolidou o Quênia como uma potência do atletismo.

 

Os seus talentos inatos como velocista e em outros eventos desportivos foram notados na sua adolescência. Sem muito alarde, Albert ganhou troféus nacionais no seu país. Ele destacou-se no seu desporto favorito, futebo,l e em eventos de atletismo, enquanto o Quênia ainda estava na sua infância no cenário desportivo mundial. 

 

Albert maravilhou no críquete, foi um astuto adversário de badminton, um jogador de hóquei elegante e um excelente guarda redes de futebol. Como desportista estiloso, Albert ainda não encontrou par no Quênia. O seu estilo, juntamente com seu físico atlético, foi sempre um prazer em observar.

 

Educado na Goan High School em Mombasa, Albert foi campeão atlético da região costeira em 1956 e classificou-se para a seleção olímpica no seu 21º aniversário, no final daquele ano. Foi vencedor do troféu Victor Ludorum duas vezes, e em 1960 foi eleito o Desportista do Ano pelo Instituto Goês de Mombasa.

 

Albert Castanha foi o primeiro goês a apresentar a comunidade ao resto da África Oriental no atletismo, além de ser o primeiro goês a ser homenageado por usar as cores nacionais do Quénia no atletismo e no futebol. 

 

Um guarda redes deslumbrante, foi capitão do antigo “Liverpool Football Club” na Costa, mais tarde conhecido como “Mwenge”. Foi apelidado de "O Gato" pelos seus companheiros de equipe pelas suas defesas estranhas e também conhecido popularmente como "Pernas Castanha" pela sua incrível agilidade.

 

Mas não parou por aí: Albert começou a jogar hóquei na posição de centro esquerda. Era um jogador dedicado da equipe no Instituto Mombasa e frequentemente representava a Província Costeira. Frequentou as Clínicas Internacionais de Treinadores de Hóquei, em todo o mundo, retornando para treinar várias equipas de hóquei masculino e feminino. 

 

Foi também designado “Treinador Provincial” nos anos 80.

 

Foi seu prazer conhecer e receber prémios do falecido presidente Mzee Jomo Kenyatta, do Sheikh Abeid Karume, Presidente de Zanzibar, e de Sua Alteza, o Aga Khan, entre muitos outros dignitários."

O LUGAR DE TELHEIRAS

Até aos anos 60 ainda era chamada de Aldeia de Telheiras, por onde passava a Estrada de Telheiras que ligava Lisboa ao norte da capital e a região saloia.  

 

Já nessa altura ali se destacava a Igreja e Convento da Nossa Senhora das Portas do Céu, edificada no séc XVII por D.João, Príncipe de Cândia, reino aliado de Portugal, no atual Sri Lanka.

 

Hoje, Telheiras foi tomada pela urbanidade e, numa área relativamente pequena, coexistem inúmeros nomes na sua toponímia que de alguma forma remetem para Oriente, com principal destaque para Goa e a sua herança imaterial:

 

Rua Professor Mário Chicó

Rua Professor Aires de Sousa

Rua Professor Luís da Cunha Gonçalves

Rua António Quadros

Largo Dom João, Príncipe de Cândia

Igreja de Nossa Senhora das Portas do Céu 

 

É também em Telheiras que se situa o templo principal da Comunidade Hindu portuguêsa, maioritariamente vinda de Diu.

650 LICOR QUINTO IMPÉRIO

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O licor artesanal que traz a essência das especiarias de Goa até Portugal

 

por Joana Rita Santos

 

"Registou a marca “Quinto Império”, que lançou no Sardoal como aquele que é o licor nº1 desta aventura no mundo das bebidas alcoólicas doces, que transferiu agora para Portugal. 

 

Óscar de Sequeira Nazareth, 36 anos, nasceu em Goa, numa cidade chamada Margão, vulgo marca de especiarias presente nas prateleiras das superfícies comerciais. E são elas, as especiarias, que compõem a receita renascentista que produz, herança de família, tornando-o um licor único e distintivo e muito virado para a expansão, nomeadamente na Europa. As primeiras 50 garrafas de lançamento, todas reservadas por antecipação, estiveram exclusivamente à venda no Sardoal, onde reside há quase três anos.

 

Aos 4 anos de idade veio para Portugal, e cresceu na cidade de Coimbra onde fez os seus estudos até que chegou a altura de se candidatar à universidade.

 

“Fui aceite para a Faculdade de Economia de Universidade de Coimbra, mas também fui aceite para a Universidade de Londres. E entre Coimbra e Londres… escolhi Londres”, contou Óscar Nazareth em entrevista ao nosso jornal.

 

Durante muito tempo Óscar trabalhou na área da banca de investimento, algo que considerou “muito estressante” uma vez que tanto “estava lá das 8 às 22 horas num dia bom, e às vezes até era pior do que isso… E no próximo dia tinha de estar lá outra vez”, confidenciou.

 

O que valia ao jovem era quando, nas férias, ia ter com a família a Goa, onde tinham uma casa de férias e isso “tirava um bocadinho do estresse”. “Um dia, em dezembro de 2011, estava a apanhar um bocadinho de seca e eu sabia que existia uma receita de um licor, que originalmente era de Oliveira do Hospital e foi parar à minha família, e eu fui experimentar fazer esse mesmo licor”.

 

Passado algum tempo, depois de amadurecido, Óscar chegou à conclusão que “nunca tinha provado um licor assim”. Foi paixão ao primeiro gole.

 

A receita em si, baseada na época quinhentista/renascentista, “pedia especiarias da Índia portuguesa, do Ceilão (Sri Lanka), das Molucas (Indonésia), açúcar do Brasil, e uma fruta muito exótica portuguesa chamada laranja”, ditou, risonho.

 

Os maiores apreciadores surgem na Europa, reconhecendo o empresário que na Índia não há uma cultura virada para este tipo de bebida, “ninguém sabe o que é um licor”. “Quando tentava dar o meu licor a provar, as pessoas às vezes diziam-me que o meu vinho era muito doce, ou que gostavam muito do meu whisky… e não tem nada a ver”, relatou.

 

Sendo um licor distintivo, à base de especiarias, “tem notas de cardamomo, cravinho, canela, curcuma, e por aí fora… é um sabor mesmo distintivo. E portanto, para um apreciador de licores, não há como este mais nenhum no mercado”.

 

A bebida, tal como a maioria dos licores, é versátil no sentido de poder ser utilizada na confeção de produtos gastronómicos, desde entradas, prato principal ou sobremesas, demarcando-se até em refrescantes cocktails.

 

E foi isso que Óscar de Sequeira Nazareth quis mostrar numa prova organizada no espaço Cá da Terra, em Sardoal, em setembro de 2018. “A ideia é demonstrar a versatilidade do licor. Não só serve para cocktails e para doces, e como licor, como pode ser usado para confecionar pratos principais e entradas” e logo nos deixa de água na boca ao ditar o menu da degustação. Camarões grelhados com licor, tostinhas com patê de fígado com licor, frango grelhado com licor,… Acabando por mostrar que a bebida pode ser utilizada para “cozinhar uma refeição completa dando um travo muito especial aos produtos”.

 

Adeus Banca, Olá licores!

 

Testada a receita por si produzida, consultou uma tia com experiência no ramo vitivinícola, que o encorajou a prosseguir mais a sério com o projeto, por ter saída.

 

Não demorou então muito tempo até que Óscar decidisse abandonar Londres, e regressar a Goa, terra natal, em março de 2012. “Comecei a criar uma empresa, e ao procurar um nome para o licor, acabei por denominá-lo Armada, em Goa, porque é fácil de pronunciar e para quem sabe a história é muito fácil associar à época, e localizar o licor em termos históricos e geográficos”.

 

Por já estar registada em Portugal essa marca, optou por criar uma nova marca e renomeá-la “Quinto Império”, remontando ao auge do império português e baseado na obra do Padre António Vieira.

 

Daí, rapidamente surgiram os prémios que “nunca licor português ou indiano até agora alguma vez alcançaram”, desde o IWSC – International Wine & Spirit Competition, em Londres, que chega a receber mais de cinco mil produtos de 90 países.

 

“Na categoria de licores fomos um de três a ganhar a medalha máxima, para produtos excecionais. O meu licor ganhou um Gold Outstanding”, ou seja, conseguiu uma cotação acima dos 100%, recordou, visivelmente orgulhoso desse feito.

 

Daqui à exportação, foram apenas dois ou três passos, para que este licor chegasse a outras partes do mundo, caracterizado por ser “100% natural, sem corantes e conservantes”. Os mercados têm sido a Finlândia, o Reino Unido, e atualmente prepara uma encomenda para os Estados Unidos.

 

Mas a visão do empreendedor é muito clara. “Primeiro comecei a comercializar o produto na Índia, para tentar distribuir por lá, ainda por cima sendo um licor de especiarias e crendo eu que havia um tipo de mercado que não estava bem servido: que era as pessoas que gostavam de cocktails e o segmento feminino, que só tinham ao dispor cerveja e vinho, “e se não gostavam de nenhuma das opções, não havia muito mais para escolher”.

 

Infelizmente, nem tudo correu como Óscar gostaria, nomeadamente pela complexidade dos processos burocráticos. “A Índia é um país extremamente corrupto, e uma das áreas mais corruptas é mesmo o setor do álcool. Algo que eu não fazia ideia, pois em Portugal é um mercado naturalíssimo”, e mesmo que pudesse ir ultrapassando cada passo com recurso a suborno, Óscar recusou veementemente fazê-lo por ser “contra os seus princípios”, o que lhe valeu longos anos de espera.

 

O contratempo burocrático fê-lo transferir tudo para Portugal, onde acabou por estabelecer residência na pacata vila de Sardoal. Tudo começou quando, no estabelecimento das relações comerciais com a Câmara de Comércio de Lisboa e gostando de conhecer Portugal, quis adquirir uma casa de férias.

 

“Procurei num portal. Como seria casa de férias, não queria algo num centro de uma grande cidade, mas também não queria numa localização tão remota que não tivesse acesso a nada”, contou, frisando algumas peripécias com algumas das hipóteses apresentadas pelas agências imobiliárias. Até à altura em que encontrou, no centro da vila, uma moradia em ótimo estado, comprovado pelas “40 fotos apresentadas na galeria da imobiliária”.

 

E foi um amigo de Óscar que, em 2015, desconhecendo onde se localizava Sardoal, veio conhecer a habitação, reticente quanto àquilo que encontraria. Até que, espantado com a “a vila espetacular” pediu imediatamente que pudesse vir ali passar férias também.

 

Só em 2016, o empreendedor veio conhecer aquilo que havia comprado. E foi amor à primeira vista. “Apaixonei-me pelo Sardoal, de tal forma que quando voltei para Goa, fiquei a matutar… o que estava ali a fazer, se fazia mais sentido transferir a produção para Portugal e ir morar para o Sardoal. E no dia 1 de agosto de 2017, mudei-me de volta para Portugal”, indicou, especificando morar na rua principal da vila.

 

Questionado sobre o que mais o alicia em terras sardoalenses, o jovem enumera “a qualidade de vida, a proximidade à natureza, o facto de, como sede de um concelho, ter todos os serviços muito próximos, e ter uma comunidade muito acolhedora”.

 

“Eu adoro estar aqui. É uma qualidade de vida muito, muito diferente daquela que eu tinha tanto em Londres, como em Goa”, admitiu, considerando-se um “sardoalense adotivo”.

 

Agora, com produção artesanal, em pequena escala, e engarrafamento assegurados, próximo de Coimbra, nas Caves Avelar, e com objetivo de 1000 garrafas de cada vez, onde o licor acaba por ficar a amadurecer. E está garantida a margem para expansão.

 

O Quinto Império não fica por aqui, pois após este licor nº1, cujas 50 primeiras garrafas de lançamento, exclusivas e todas reservadas no evento de degustação, estiveram à venda no espaço Cá da Terra, na vila que o acolheu. Mas a vinda a Portugal, quis o destino ou o sentido de oportunidade, que Óscar descobrisse outras receitas “originais, centenárias e que remontam ao auge do Império Português”, estando neste momento a testá-las.

 

Daqui por uns tempos, garante o empreendedor, o Quinto Império ganhará no rótulo outras versões “do número 2, número 3, e por aí fora”. Mas, para já, nada como degustar o primeiro.

 

Este ano 2019 o licor Quinto Império Nº1 conquistou uma medalha de prata no maior concurso internacional de vinhos e bebidas espirituosas do mundo, em Londres. A empresa do Sardoal recebeu uma classificação de 92 pontos para o seu licor, feito a partir de uma receita com 500 anos. Este concurso “International Wine and Spirit Competition 2019” juntou mais de 9 mil produtos de todos os cantos do mundo."

 

Entrevista publicada em setembro de 2018, republicada em agosto de 2019 em

https://mediotejo.net/sardoal-o-licor-artesanal-que-traz-a-essencia-das-especiarias-de-goa-ate-portugal/

649 AIRES RICARDO DE MENDONÇA

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#pontadelgada #castelodevide #mombaça #goa #beingindoportuguese #notindian 

 

"[...] Radicado há várias dezenas de anos (desde 1962) em Castelo de Vide com a família, Aires Mendonça exerceu advocacia um pouco por todo o país com base no seu escritório na Carreira de Cima.[...]

 

Com 86 anos de idade (nasceu a 3 de Abril de 1930), o advogado e o cidadão foram alvo de duas homenagens: uma pelos seus pares da Ordem dos advogados em Junho de 2009 e outra promovida em cerimónia pública nos Paços do Concelho num sábado de Aleluia, em Abril de 2012.

 

Era viúvo de ​Teresa Maria Figueiredo Velho Bettencourt Mendonça, pai de quatro filhos, avô de seis netos, e bisavô de duas meninas e dois meninos. [...]

 

Filho de pais goeses, Aires Ricardo Mendonça nasceu em Mombaça (Quénia) no dia 3 de Abril de 1930, local para onde a família se havia mudado anos antes. Iniciou e concluiu os estudos primários e secundários em Goa, tendo-se distinguido pelas notas obtidas, premiado com uma viagem ao Vaticano para assistir à canonização de João de Brito; aos 18 anos ingressou no Curso de Direito na Faculdade de Direito de Lisboa. Concluiu o curso de Direito na Faculdade de Direito de Coimbra (sexto ano, destinado aos melhores alunos) em 1954.

 

Ingressou no Ministério Público como Delegado do Procurador da República, tendo exercido funções na cidade de Ribeira Grande, Angra do Heroísmo, na Boa Hora em Lisboa e em Goa.

 

Em 1959, na cidade de Angra do Heroísmo, no exercício das funções de Delegado do Procurador da República e Director da cadeia local foi homenageado pela Corporação da P.S.P., tendo sido o único civil até então distinguido com essa honra.

 

Fez prova domiciliária do concurso para Juiz mas desistiu da prova oral (nunca ninguém até aí havia chumbado), pois sentia que não tinha capacidade e coragem para exercer as funções de Magistrado Judicial.

 

Em 1961 foi demitido do cargo (Ministério Público) pelo anterior regime na sequência da invasão de Goa por parte da União Indiana, nunca tendo expressado contra ninguém qualquer mágoa ou ressentimento.

 

Notário e advogado em Castelo de Vide desde 1962

 

Em 1962, foi colocado como Notário na Vila de Castelo de Vide, onde se viria a estabelecer como Advogado, com inscrição na Ordem dos Advogados em Janeiro de 1963; foi-lhe concedida licença sem vencimento a seu pedido do Notariado, por sentir que a sua vocação era a advocacia.

 

De 1963 até ao presente momento foi interveniente em milhares de processos de Norte a Sul do país. Continuou a exercer a profissão com o gosto inicial mantendo a sua inscrição na Ordem dos Advogados apesar de na realidade já não exercer efetivamente, sendo conhecido não só pelas qualidades profissionais como também pelo seu lado humanista.

 

Ficou marcado pelo homicídio de Mahatma Gandhi, o melhor Advogado Indiano da África do Sul que, em 1947 deixou todos os bens que possuía e regressou à União Indiana, com uma simples tanga, e conseguiu, com a denominada Resistência Passiva, libertar milhares de cidadãos do domínio britânico.

 

Ao longo de mais de 49 anos de inscrição como advogado, angariou milhares de amigos dentro e fora dos Tribunais, concretamente, colegas, magistrados, funcionários, constituintes e muitas outras pessoas anónimas, que só pelo prazer que tinham em o ouvir, se deslocavam propositadamente às salas para assistirem aos julgamentos onde intervinha."

 

em http://litoralcentro-comunicacaoeimagem.pt/2016/06/17/faleceu-aires-ricardo-mendonca-funera/

648 DOM FILIPE NERI

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Filipe Neri António Sebastião do Rosário Ferrão, arcebispo de Goa Damão e Diu, é o novo Cardeal de origem goesa.

 

No dia 29 de maio, o Papa Francisco surpreendeu os goeses com o anúncio, em Roma, de que o arcebispo patriarca Dom Filipe Neri António Sebastião do Rosário Ferrão, natural de Aldoná seria elevado à estatura de cardeal num Consistório de agosto juntamente com outros 20.

 

Depois de concluir o Curso Preparatório no Seminário Menor de Nossa Senhora, Saligão-Pilerne, Goa, foi estudar filosofia e teologia no Seminário Pontifício de Pune. Foi ordenado sacerdote em 28 de outubro de 1979. Suas atribuições pastorais foram: 

Vigário Paroquial em Salvador do Mundo em 1979 e em Chinchinim de 1981 a 1984; Prefeito de Disciplina do Seminário Menor de Nossa Senhora, Saligão-Pilerne, de 1984 a 1986, onde foi também Diretor da Comissão Vocacional para o Clero Diocesano.

 

Estudou na Pontificia Universitas Urbaniana, obtendo uma licenciatura em Teologia Bíblica em 1988, e depois em Bruxelas no Instituto Internacional Lumen Vitae, obtendo uma licenciatura em catequese e teologia pastoral em 1991.

 

De volta a Goa, foi o primeiro diretor do Centro Diocesano de Apostolado dos Leigos de 1991 a 1994. Lá lançou a publicação de folhetos de reflexões bíblicas diárias para os fiéis: Daily Flash e Jivitacho Prokas. Suas outras atribuições incluíram o de Convocador da Equipe para Transferências de Sacerdotes de 1992 a 1997; Conselheiro Eclesiástico do Grêmio Médico de São Lucas, Goa, de 1992 a 1994, e Vigário Episcopal para a Zona Norte da Arquidiocese, de 1993 a 1994.

 

Ele é fluente em concani, inglês, português, italiano, francês e alemão. Ele também celebra liturgias em Marathi e Gujarati. 

 

O Papa João Paulo II nomeou-o bispo auxiliar de Goa e Damão e bispo titular de Vanariona em 25 de janeiro de 1994. Recebeu sua consagração episcopal em 10 de abril de 1994 do Arcebispo Raul Nicolau Gonçalves na Sé Catedral de Velha Goa, com os bispos Aleixo das Neves Dias e Ferdinand Joseph Fonseca como co consagradores.

 

Em 16 de janeiro de 2004, o Papa João Paulo II o nomeou Arcebispo de Goa e Damão com o título honorário de Patriarca das Índias Orientais. Foi empossado arcebispo em 21 de março de 2004.

 

Em 25 de novembro de 2006, a Arquidiocese de Goa e Damão foi reorganizada como uma arquidiocese metropolitana com uma diocese sufragânea e não mais diretamente subordinada à Santa Sé. O Papa Bento XVI nomeou Ferrão seu primeiro arcebispo

 

Apesar da sua longa história e do importante papel que desempenhou na difusão do catolicismo no sul e sudeste da Ásia, o arcebispo de Goa, nunca foi elevado ao status de cardeal.

 

Este é um momento de orgulho para Goa, pois é mais um reconhecimento da resiliência secular participada pelos goeses na evangelização da Ásia, que começou aquando da chegada de Vasco da Gama à Índia.

 

Fonte: Wikipédia

UMA HISTÓRIA PORTELENSE

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Damião Salvador Vaz, nasceu em Aldonã, Goa em 1835. Veio para Coimbra onde se formou em Direito.

 

Tendo sido Quadro de Saúde em Moçambique, Damião, por algum ignoto motivo veio para Portel onde se casou com Maria Benedita Limpo Toscano natural de Portel e de proeminente família. Tiveram oito filhos.

 

Desconhecemos em concreto as atividades profissionais exercidas por Damião Vaz no tempo em que viveu na vila alentejana, pelo que já solicitámos a respectiva câmara municipal essa informação.

 

Salvador Vaz morreu em Portel, no ano de 1905, depois de sua filha Isabel, casada com o Governador Civil de Évora, e falecida em 1882, aos 22 anos de idade.

 

Damião Salvador Vaz, de origem brâmane, era parente afastado do Abade Faria e de Álvaro de Santa Rita Vaz.

 

Uma das suas netas, Matilde Landa Vaz, nascida em Badajoz, veio a ser uma proeminente opositora ao regime franquista.

647 JOAQUIM XAVIER DE SIQUEIRA COUTINHO

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O Dr.Joaquim Xavier Otto de Siqueira Coutinho.

Natural de Goa, Salvador do Mundo, foi membro do corpo docente fundador da Walsh Foreign Service School em 1919.

 

Passou quase 50 anos em Georgetown ensinando geopolítica, português e geografia. 

 

Em 1955, Coutinho, foi homenageado pelo Instituto Pan-Americano com a Medalha de Serviços Distintos por seus esforços para melhorar as relações entre EUA, Brasil e Portugal.

646 A POLÍCIA DO ESTADO DA ÍNDIA PORTUGUESA (PEI)

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 Polícia de Goa como organização independente nasceu em Abril de 1946 com a criação da Polícia do Estado da Índia (PEI) através de um decreto que governou Goa até 1961. Até então, todas as funções de policiamento incluindo a manutenção da lei e da ordem estavam a ser cumpridos pelos militares.

 

A PEI era responsável pela execução das funções de vigilância e manutenção da ordem geral e era composto pelos seguintes ramos: Segurança Pública, Polícia Judiciária, Polícia de Trânsito interno e externo, Polícia Administrativa e Municipal e Identificações Civis. 

 

Dois anos mais tarde, foram enquadradas as regras adequadas que regem a polícia, nos moldes da legislação então vigente em Portugal. No período de dois anos da elaboração das regras, o PEI funcionou sob os regulamentos do Corpo de Polícia e Fiscalização da Índia (CPFI) – Corpo de Polícia e Serviços de Inspeção da Índia, que havia sido criado em 1924 para funcionar como braço para policiamento dos militares. 

 

Os serviços policiais foram colocados sob a supervisão direta do comando do CPFI.

             

A PEI foi organizado em cinco divisões territoriais para um desempenho eficiente com cada divisão chefiada por um comissário que reportava ao comandante do PEI. 

 

A PEI tornou-se assim um garante da lei e da ordem, supervisionando organizações como a Alfândega tendo esta que fazer o reporte sobre violações que chegassem ao seu conhecimento. 

 

A PEI não só tinha poderes para realizar operações de busca e apreensão, como também poderia enquadrar processos de acusação e arquivar processos para extradição de criminosos.

 

Punições e recompensas foram usadas para aumentar a eficiência da força policial. A punição incluía admoestação verbal, censura, multa, detenção até 130 dias e reclusão até 30 dias, reversão, aposentadoria compulsória e demissão. Se a punição era dura, as recompensas eram generosas: isenção de serviço até 12 dias, licença com salário até 30 dias e benefícios pecuniários até 30 dias de salário.

 

A força do PEI continuou a crescer ano após ano, tendo em mente a crescente necessidade de manter a lei e a ordem em uma sociedade em expansão.[...]"

645 AMARO FERNANDO DE BRAGANÇA (1929)

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Nascido em Lourenço Marques de pais Goeses, formou-se em medicina na Universidade Coimbra (1956) onde veio a conhecer a sua futura esposa, vinda de abastada família vimaranense.

 

Cumpriu o SMO como Major Médico em Moçambique, tendo estado em zona de combate.

 

Amaro Fernando de Bragança foi anestesista em Lourenço Marques (hospital civil e hospital militar). Em Nampula foi o diretor de serviço do Hospital de Nampula, a partir de 1967. 

 

Posteriormente, já em Portugal, foi diretor clínico e depois diretor do Hospital de Guimarães até 1991, quando se reformou.

 

Deixou descendência na cidade berço.

644 BADMINGTON EM MOÇAMBIQUE

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Os Goeses e Chineses foram os pioneiros na introdução desta modalidade.

Na década de 60 haviam cerca de 100 atletas federados, masculinos e femininos, além dos alunos praticantes no ensino secundário. 

Os maiores núcleos de praticantes eram em Lourenço Marques, Beira e Inhambane. Os principais clubes que tinham o Badmington eram o Indo-Português de LM, Clube Naval de LM, Desportivo de LM, Ferroviário de LM, Escola Dr. Joaquim Araújo e Operários Goanos da Beira.

Para além dos vários Torneios e Campeonatos, o intercâmbio era feito entre de Lourenço Marques, Beira e Rodésia. [...]

[...] o nível do Badmington praticado em Moçambique atingiu um nível semelhante praticado na Europa, nomeadamente em Portugal."

 

em https://bigslam.pt/historia/bau-das-memorias/bau-das-memorias-badmington-em-mocambique/

643 ZANETA MASCARENHAS 

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Zaneta Felícia Antonieta Mascarenhas é uma política australiana de ascendência Goesa. 

 

Em 2022 foi eleita para a Câmara dos Representantes da Austrália na eleição federal australiana, para o círculo de Swan.

 

Mascarenhas nasceu em Kalgoorlie, Austrália Ocidental, filha de imigrantes Goeses. 

 

Cresceu em Kambalda e frequentou o John Paul College em Kalgoorlie. Estudou ciências e engenharia na Curtin University em Perth.

 

Trabalhou como engenheira por 15 anos na Austrália Ocidental e Victoria, inclusive como engenheira FIFO. Também se voluntariou para o The Climate Reality Project.

 

Carreira política

Mascarenhas participou na pré-seleção do Partido Trabalhista para o círculo de Swan na eleição federal australiana de 2019, mas desistiu, permitindo que Hannah Beazley fosse pré-selecionada. 

 

Mascarenhas faz parte da ala esquerda do Partido Trabalhista e é apoiada pelo Australian Manufacturing Workers' Union. 

 

Em junho de 2021, derrotou Fiona Reid para a pré-seleção para Swan na eleição federal australiana de 2022.

 

Na eleição de 2022 em 21 de maio de 2022, Mascarenhas venceu o círculo de Swan sucedendo a aposentadoria do político do Partido Liberal Steve Irons e derrotando a candidata do Partido Liberal Kristy McSweeney.

642 MANUEL VIDIGAL

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Por João Carlos (Lisboa) | 03.09.2020

 

No ano em que Angola celebra 45 anos de independência, levantam-se vozes dos que querem ver reconhecido o seu papel na História do país, sobretudo quem foi tratado como traidor na sequência do 27 de maio de 1977.

 

A luta pela independência de Angola envolveu muitos atores políticos e cidadãos anónimos, que deram o seu contributo para a libertação do país do jugo colonial. Um deles é Manuel Vidigal, cardiologista angolano, nascido em Goa, a viver em Luanda, e que fez parte do Comité de Médicos e Enfermeiros integrado nas fileiras do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).

 

Na altura, participou nas comissões populares de bairros e de apoio a muitos dos centros de instrução revolucionária (os chamados CIR). 

 

Vidigal concorda que se deve enaltecer o papel dos comandantes e dos guerrilheiros que deram o seu contributo para a luta de libertação de Angola, nomeadamente na Primeira Região Político-Militar do Movimento pela Libertação de Angola (MPLA).

 

Lamenta, no entanto, o que diz ser a maior tragédia do partido, na altura dirigido por António Agostinho Neto, e que mudou o rumo da História do país e que custou a vida a numerosos guerrilheiros: o 27 de Maio de 1977: "Desde o camarada "Monstro Imortal” (Jacob Caetano), Nito Alves, Sianouke, Ho Chi Min, o Bakaloff, Bagé, todos eles são comandantes da Primeira Região. O Kiluanje acho que ainda está vivo”.

 

O médico angolano Manuel Vidigal reivindica uma comissão da verdade. 30 mil angolanos chacinados

 

As represálias arrastaram-se por dois anos. Segundo a Amnistia Internacional, foram mortas cerca de 30 mil pessoas, maioritariamente jovens.

 

Manuel Vidigal nega que se tenha tratado de uma tentativa de golpe de Estado: "Não é essa a verdade da história e nós continuamos a esforçar-nos para que a história contada, a versão dos vencedores, a declaração do bureau político do MPLA, possam realmente ser contrariadas.”

 

Para este médico, os visados saíram à rua para reivindicar a reposição da justiça depois da expulsão do Comité Central de Nito Alves e de José Van Dunem, dirigentes do MPLA.

 

"Não havia razões nenhumas para aquilo que aconteceu e que foi justificado dizendo que eram fracionistas, uma fação organizada do MPLA”, defende. "Mas a Primeira Região, acho que foi sempre mal entendida, porque, como viveu afastada da direção do MPLA, era natural as desconfianças que existiam entre o interior e o exterior”, diz.

 

Carlos Cavaleiro, também formado em medicina, disponibilizou-se a colaborar com o MPLA quando regressou a Angola em setembro de 1974, após ter concluído os seus estudos. Foi enviado para a Primeira Região, onde conheceu muitos responsáveis políticos e militares, entre os quais Nito Alves. "Havia uma comissão política composta por civis e uma organização das mulheres, a OMA. Havia bastante povo nas bases guerrilheiras. O problema mais grave era a inexistência de ligação com a retaguarda, ou seja, com Brazaville, o que impediu que qualquer logística funcionasse. Acabaram-se as munições, as armas, a alimentação, etc. Foram entregues a si próprios durante quase uma década”, recorda.

 

No entanto, acrescenta, havia espírito de resistência porque o objetivo traçado com a independência era a destruição do sistema colonialista e a "construção de uma nova Angola". A correlação de forças dentro do MPLA, refere, levou depois à "horrenda onda de opressão" que recaiu "sobre todos os que se opunham ao poder instituído".

 

Outro lendário, Eduardo Valentim, desapareceu um mês antes de maio de 1977. Valentim foi preso político no Tarrafal, em Cabo Verde. Depois da revolução portuguesa em 25 de Abril de 1974, foi transferido para a prisão de São Paulo, em Luanda.

 

Segundo a irmã, Maria Isabel Valentim, Eduardo pertenceu ao Comité Regional de Luanda antes da independência. Apesar da vigilância da polícia política portuguesa (PIDE), Valentim, que nunca foi militar, e outros companheiros, tudo fizeram para ajudar a Primeira Região com o envio de alimentos, roupa e medicamentos.

 

"Já na altura, ele estudava e trabalhava, tirava o seu salário para compras. Eles deixaram o núcleo da Primeira Região, onde as pessoas estavam a morrer de fome. Não tinham nada. Porque a PIDE e o exército português estavam muito bem organizados e não deixavam chegar os abastecimentos. Eles já estavam ali praticamente encurralados há anos, onde não recebiam nada da direção [do partido]”, lamenta Maria Isabel.

 

O irmão, conhecido por Juca, acabou por ser vítima do próprio MPLA, diz, nunca tendo recebido o reconhecimento pelo papel que ele e os companheiros desempenharam.

 

O 27 de Maio marcou profundamente a História do MPLA e do país. O MPLA "usa e deita fora" as pessoas. "Isso é muito normal no MPLA. Como dizia um antigo chefe meu, o MPLA utiliza as pessoas e depois descarta-as. As pessoas são descartáveis. Usa e atira para o lixo. Foi o que fez com eles”, diz Maria Isabel Valentim.

 

A familiar de Juca Valentim recorda o caso de Luís Carlos Nunes, professor da Faculdade de Economia de Angola, preso por ter dado aulas a Nito Alves, seu primo e então ministro do Interior. Conta que o professor foi torturado, tendo saído da cadeia com mazelas.

 

Quarenta e cinco anos depois da independência e 43 depois dos acontecimentos do 27 de maio, Manuel Vidigal diz terem sido já homenageados alguns daqueles lendários, antigos combatentes, entre os quais o comandante João Jacob Caetano, que em 1977 era o chefe de Estado Maior das Forças Armadas.

 

"Foi agora, recentemente, condecorado pelo Presidente João Lourenço. Alguns dos outros, até mesmo o Nito Alves, foram a título póstumo galardoados como generais do MPLA", recorda.

 

Mas Vidigal diz que "na verdade, o que se nota é que se tentou, pelo menos, ao longo destes últimos 40 anos fazer tábua rasa praticamente de toda essa Primeira Região, que foi uma região muito sofrida, onde os seus combatentes passaram por dificuldades que não são fáceis de ser entendidas”.

 

Apelo para o apuramento de responsabilidades

Vidigal acredita que o MPLA deve fazer uma "verdadeira auto-crítica” em nome da paz e da reconciliação, pedir desculpas e tomar em consideração a proposta lançada pelos sobreviventes e familiares para a criação de uma comissão da verdade, a fim de investigar quem são os responsáveis pelos crimes cometidos.

 

Os angolanos ouvidos pela DW África consideram que o novo ciclo político de maior abertura em Angola é propício a semelhante iniciativa. Manuel Vidigal deixa um aviso: "Se não existir vontade política para a entrega, por exemplo, dos restos mortais, dizer quem matou e como mataram, julgo que as pessoas têm todo o direito de levar isto às instâncias de justiça internacional, porque este tipo de crimes não prescreve”.

 

em https://amp.dw.com/pt-002/angola-urge-rever-a-narrativa-do-27-de-maio-de-1977/a-54802665

641 PANGIM, 179 ANOS DE CIDADANIA

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Faz hoje 22 de Março de 2022, precisamente há 179 anos, quando a 22 de Março de 1843, Pangim foi declarada a capital de Goa. 

 

Pangim (em inglês: Panjim; em concani: Ponjé; em hindi e marata: पणजी), oficialmente Panaji e antigamente chamada Nova Goa, é a capital do Estado de Goa, na Índia. É também a sede administrativa do distrito de Goa Norte e da taluca de Tisuadi.

 

Até ao século XVIII foi uma aldeia chamada "Taleigão". Foi ganhando importância principalmente a partir de 1759, quando o vice-rei e governador da Índia Portuguesa Manuel de Saldanha de Albuquerque e Castro, depois 1.º Conde da Ega, ali instalou a sua residência, a 1 de Dezembro. Antes de se mudar, o vice-rei e governador remodelou a fortaleza do Idalcão, transformando-a num palácio. Tornou-se, então, na "Vila de Pangim".

 

Foi então oficialmente a sede administrativa da Índia Portuguesa, em substituição da Cidade de Goa (que gradualmente passou a ser conhecida como Goa Velha), tendo então mudado de nome para "Nova Goa". 

 

D. Miguel I de Portugal, por decreto de 29 de setembro e carta de 9 de outubro de 1829, criou a 1.ª Condessa de Vila de Pangim D. Maria Leonor Teresa da Câmara, filha do antigo vice-rei e capitão-geral D. Manuel Maria Gonçalves Zarco da Câmara e de sua mulher D. Maria Teresa José de Jesus de Melo.

 

Em 9 de novembro de 1854 é criada o importante Liceu de Goa, a primeira instituição liceal das possessões portuguesas da Índia. 

D. Luís I de Portugal, por decreto de 7 de junho de 1864, criou 1.º Conde de Nova Goa D. Luís Caetano de Castro e Almeida Pimentel de Sequeira e Abreu.

 

Quando Goa passou a ser oficialmente um estado da União Indiana, a 30 de maio de 1987, Pangim veio a ser capital estadual.

 

Como o resto das possessões portuguesas na Índia, a 19 de dezembro de 1961, Pangim passou a fazer parte da União Indiana, ficando como capital do território da União de Goa, Damão e Diu.

 

É o centro de uma zona fortemente urbanizada, posicionando-se como a terceira mais populosa cidade goesa, atrás somente de Vasco da Gama e de Margão. Tal área metropolitana tinha 114 405 habitantes em 2011.

 

A cidade de Pangim cobre quase a totalidade da área territorial da taluca de Tusuadi. Assim como sua taluca, situa-se ilha de Tisuadi, em um terreno pouco elevado, cercado pelas águas da baía de Mormugão, do canal Cumbarjem e do rio Mandovi.

 

A cidade tem uma altitude média de 7 metros e várias subdivisões administrativas como São Tomé, Fontainhas, Mala, Portais, Altinho, Cortin, Praça da Igreja, Tar (junto ao cais do ferryboat), Bazar, Japão (perto de Dom Bosco) e Boca de Vaca. Outras zonas fora do perímetro urbano são, por exemplo, Campal, Santa Inês, Chincholem, Batulem, e Pato. Além de se situar nas margens do Mandovi, o centro de Pangim é limitado por duas ribeiras (chamadas localmente pői no singular), a ribeira de Ourém a leste e a de Santa Inês a oeste.

 

Na figura, "Vista de Pangim, nas margens do Mandovi" (1886/87), de Horace Van Ruith(1839-1923).

640 A LIGAÇÃO GOESA

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Alguma investigação confirmam a ligação de Louis de Souza, Secretário de Estado da Guerra da República do Transvaal, a Goa.

 

Era filho de Mariano Luís de Souza, nascido em Goa, e supostamente de família portuguesa emigrada no início do século XIX. 

 

Mariano terá perdido toda a família para uma crise epidémica, e na condição de jovem órfão emigrou de Goa para Moçambique, tendo daí feito o seu caminho para o Transvaal.

 

Já no Transvaal, casou-se com Trui Joubert, prima distante do presidente da República do Transvaal, o mítico Piet Joubert, de onde nasceu Louis de Souza.

 

Louis de Souza foi Secretário de Estado da Guerra do governo de Paul Kruger, estando em funções aquando da rendição boer aos britânicos. Terá sido preso.

 

Foi na qualidade de Secretário, que De Souza escondeu uma série de telegramas de estado, os quais foram posteriormente entregues ao seu filho Cyril Webley Lovell de Souza, o qual em Moçambique, os manteve por 50 anos antes de os entregar para publicação.

639 MANUELA E JOSÉ ÁLVARES, 50 ANOS DE ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA NO JAPÃO

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Meio século no Japão a ensinar português a diplomatas e a candidatos a fadista

Manuela e José Álvares conheceram-se na Universidade de Coimbra e casaram já a saber que iriam para Tóquio. Regressaram a Portugal depois de 48 anos a ensinar no Japão a língua e a cultura portuguesas e lançaram agora o livro Novos Ensaios Luso-Nipónicos.

 

Foram muitos os antigos alunos que sofreram há quatro anos com a partida de José e de Manuela Álvares do Japão - afinal o país foi a sua casa durante quase meio século, pois chegaram em 1969. E o casal português recebeu emotivas cartas de despedida, como uma que Manuela me mostra com especial carinho, pedindo só para evitar expor o nome da antiga estudante japonesa que a assina. 

 

"Querida professora, desde quando ouvi a notícia da sua partida eu tentei tantas vezes escrever uma carta para si. Mas não consegui, porque me senti vaga como se fosse um deserto sem forma nem horizonte, onde não podia achar nenhuma palavra. Afinal, no último momento, vou tentar outra vez, para fazer uma promessa de reencontro e dizer obrigada por todos estes anos. A senhora não pode imaginar como enriqueceu a minha vida, como uma professora perfeita, dama encantadora e amiga sincera."

 

Nascida a 4 de dezembro de 1945, foi ainda com 23 anos que Manuela chegou ao Japão, que desde o primeiro momento a encantou, tudo tão delicado, até a maneira de ser das pessoas. "Gostei do país assim que aterrei. Estava tão curiosa", conta, enquanto José, sentado junto, sorri. Ela é do Norte de Portugal, de São João da Madeira, ele, cinco anos mais velho, nasceu a 3 de março de 1939 em Goa, na cidade de Pangim, quando ainda havia uma Índia portuguesa como parte do império. Conheceram-se estudantes em Coimbra, onde Manuela se formou em Filologia Clássica e José em História.

 

"Fui eu que fui o culpado de irmos para o Japão. Ia ser leitor de português em Espanha, mas surgiu a necessidade urgente de alguém em Tóquio. Nunca tinha pensado nisso", relembra José. Para Manuela foi uma oportunidade de vida e de experiência inesperada, mas que deixou a família preocupada. "Para onde é que ia a menina deles, para tão longe. Os meus pais preferiam ter-me mais perto", diz. "Nunca tinha visto Lisboa até vir apanhar o avião", sublinha.

 

Fundaram, e isso mostra o seu empreendedorismo, em 1987, na capital japonesa, o Centro Cultural Português, uma escola privada criada do zero pelo casal. Manuela mostra-me os manuais que fez ela própria para alunos, que uns queriam aprender a língua para trabalhar em Portugal ou no Brasil, outros, muitos mesmo, sonhavam sobretudo cantar fado, que se tornou famoso com a visita de Amália. E ri-se. Mas ao mesmo tempo que iam estudando o japonês eles próprios, começaram por trabalhar para o Instituto de Língua e Cultura Portuguesas (ICALP), do Ministério da Educação, com Manuela a ser durante muitos anos professora na Universidade Sofia e na Waseda e José na Universidade de Tóquio e na Universidade de Línguas Estrangeiras. Com a extinção do ICALP a seguir ao 25 de Abril de 1974, os empregadores passaram a ser entidades do governo japonês, o Ministério da Educação e também o Ministério dos Negócios Estrangeiros. Pelo casal português passaram muitos futuros embaixadores e cito-lhes, por mera curiosidade, alguns nomes de diplomatas japoneses que conheço e que são fluentes em português e descubro que, claro, foram seus alunos.

 

O regresso a Portugal foi em 2017, e por pouco não os conheci quando estive no Japão em reportagem nesse ano, indo a Tóquio, mas também Hiroxima e Nagasaki, onde, comento com Manuela, comi castela, o bolo local, inspirado no pão de ló.

 

Instalaram-se em Lisboa, onde vivem a filha e a neta, que no fim da nossa conversa sei que a avó irá buscar à escola. Ontem apresentaram no Centro Cultural de Belém o livro de ambos, com o título Novos Ensaios Luso-Nipónicos. E lá estava a assistir uma boa dúzia de japoneses, incluindo o embaixador, Ushio Shigeru. Não faz muito tempo foram agraciados com a Ordem do Tesouro Sagrado, Raios de Ouro com Roseta, condecoração atribuída pelo imperador do Japão (desde 2019 Naruhito) a quem contribuiu para a promoção da relação entre o Japão e outros países ou para a divulgação da cultura japonesa nos seus países. Foi feita à medida dos dois.

 

José, que explica as peculariedades da sociedade nipónica com um profundo conhecimento, já escreveu muito sobre as relações históricas entre o Japão e Portugal, que datam dos séculos XVI e XVII, antes de o arquipélago se fechar ao exterior. E oferece-me Portugal e o Japão, Tratado de Paz, Amizade e Comércio de 1860 e as Relações Diplomáticas, um livro que assinalou os 150 anos de laços diplomáticos. De volta ao contacto com o mundo, o Japão de meados do século XIX só podia ver no Portugal seu contemporâneo - era então rei D. Pedro V - um velho conhecido. "Nós dizemos que descobrimos o Japão em 1543, ou que fomos os primeiros europeus a lá chegar. Os japoneses dizem só que encontraram três náufragos. Eles são muito frugais nas palavras. Por exemplo, de São Francisco Xavier a Luís de Fróis, muitos escreveram sobre os japoneses, mas só existe da época um texto japonês sobre os portugueses e o tema é a introdução do mosquete. Mas desenharam-nos muito e é nos biombos que melhor está registado o que viram os japoneses de há 500 anos nos portugueses. A nossa presença foi sobretudo de proselitismo religioso, e por isso acabou em expulsão", explica José, assumindo aqui a análise do historiador sobre o país que após a restauração Meiji de 1868 teve um grande desenvolvimento e ainda hoje é um colosso económico, com o terceiro maior PIB, só atrás da América e da China, mas com muito menos população e território, uns 126 milhões de habitantes numa área equivalente a cinco "portugais".

 

A questão do proselitismo leva a conversa para o filme Silêncio, de Martin Scorsese, e fico a saber que José e Manuela conheceram Shusaku Endo, o romancista que escreveu o livro sobre os jesuítas portugueses no Japão que serviu de base ao realizador americano. Manuela mostra-me uma foto do marido com o escritor, num encontro onde estão também Armando Martins Janeira, um embaixador em Tóquio que muito estudou a história luso-nipónica, e a mulher deste, Ingrid, a qual assistiu agora ao lançamento do novo livro do casal.

 

Armando Martins Janeira, que deixou livros memoráveis como O Impacte Português sobre a Civilização Japonesa (publicado em 1970 e com tradução japonesa logo em 1971), foi um dos primeiros a escrever sobre Wenceslau de Moraes, português que no início do século XX muito deu a conhecer, com as suas distorções muito pessoais, o Japão aos portugueses (chegou a publicar textos no Diário de Notícias). Ora, também José publicou ensaios sobre o antigo cônsul em Kobe, que se perdeu de amores pelas japonesas, a quem reconhece, apesar da excentricidade da personalidade, esse papel de ponte entre os dois países. E neste Novos Ensaios não podia faltar vários textos dedicados ao ex-militar, como "Moraes e a visão mítica do Nippon".

 

José e Manuela casaram antes de partir para o Japão. "Podia lá ser de outra forma naquela época", comenta, entre risos, a professora de Português. E em 1970 nasceu Cláudia, hoje professora no ISCTE, durante toda a infância e adolescência uma menina portuguesa criada no Japão. Licenciada pela Nova de Lisboa e doutorada em Estudos de Comunicação por uma universidade britânica, a filha única de José e Manuela não deixa de ter uma forte ligação emocional ao país onde nasceu, ao ponto de ter traduzido para português Katie e o Devorador de Sonhos, ilustrado por Brian Wildsmith e escrito pela princesa Takamado, da família imperial nipónica.

 

Manuela diz terem sido tempos felizes os da vida no Japão e lembra-se da boa relação com as vizinhas em Tóquio, às quais ensinou a fazer bacalhau: "Havia uma carrinha que ia ao nosso bairro vender peixe. Eu comprava todos os bacalhaus salgados parecidos ao nosso, mas muito mais pequeninos. Ao fim de algum tempo, comecei a explicar às japonesas como se preparava."

 

Dos japoneses, diz Manuela que "é um povo muito educado, organizado, civilizado, requintado, culto, com uma grande sensibilidade e um elevado sentido de estética". Mas ela, conta, foi dos dois quem chegou mais entusiasmada ao país que seria a segunda pátria do casal. Estava atraída pelo Japão desde que encontrara na estante da casa dos pais um livro de Wenceslau de Moraes (de novo!). Já para José, como o próprio fez questão de contar quando recebeu a condecoração, "a minha relação com a cultura e língua japonesas não foi aquilo a que os japoneses chamam de hitomebore ("amor à primeira vista"), mas antes koi no yokan ("amor à segunda vista"). Mas tornou-se uma paixão essa relação com o país ao ponto de muitas vezes citar um provérbio que diz Sumeba Miyako, ou seja, a nossa terra é onde nós vivemos. E foi quase meio século de Japão como terra que o casal Álvares viveu, uma experiência única. Arigato por esta nossa conversa.

 

em https://www.dn.pt/sociedade/meio-seculo-no-japao-a-ensinar-portugues-a-diplomatas-e-a-candidatos-a-fadista--14380776.html

638 JOSÉ FILIPE MONTEIRO

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 Filipe Monteiro é médico pneumologista. Desempenhou as funções de assistente hospitalar no Hospital de Santa Maria, onde exerceu, entre outros, o cargo de coordenador da Unidade de Cuidados Intensivos Respiratórios e da Consulta Externa de Pneumologia Geral. 

 

Foi ainda assistente convidado da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Colaborou em vários livros de texto na área da patologia respiratória. 

 

Autor de inúmeros trabalhos de investigação no âmbito da pneumologia geral e problemas éticos do fim da vida, publicados em Portugal e no estrangeiro.

637 EDGAR ALMEIDA

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O nefrologista, professor universitário e diretor clínico do Hospital Beatriz Ângelo (HBA), Edgar Almeida, vai presidir, durante os próximos três anos, à Sociedade Portuguesa de Nefrologia.

 

Edgar Almeida foi eleito este mês pelos seus pares, para dirigir a instituição que, em Portugal, reúne todos os especialistas da área da nefrologia e que tem por missão prevenir e curar as doenças renais e melhorar a qualidade de vida de todas as pessoas afetadas por esta patologia, através do desenvolvimento da atividade científica dentro da área da nefrologia.

 

A SPN foi criada em 1978 e o Encontro Renal, que a Sociedade realiza anualmente, é um dos principais eventos promovidos em Portugal sobre doença renal, reunindo especialistas nacionais e estrangeiros e o que há de mais atual na medicina nefrológica.

 

Formação

Licenciatura em Medicina pela Faculdade de Medicina de da Universidade de Lisboa (1985)

Grau de especialista em Nefrologia (1993)

Doutoramento em Medicina pela Faculdade de Medicina de Universidade de Lisboa (2009)

 

Resumo da carreira profissional

Internato complementar de Nefrologia no Hospital de Santa Maria (1988-1993)

Assistente Hospitalar Graduado de Nefrologia (desde 1999)

Nefrologista do Hospital da Luz Lisboa (desde 2014)

Diretor do Serviço de Nefrologia do Hospital Beatriz Ângelo (desde 2012)

Responsável pelo sector de diálise peritoneal (2001-2008) e pela realização de biópsias renais (1999-2010) do serviço de Nefrologia e Transplantação Renal do Hospital de Santa Maria

Responsável pela Unidade de Diálise do Centro Hospitalar Lisboa Norte (2008-2011)

Professor Auxiliar Convidado da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa 

Autor ou co-autor de 135 comunicações científicas, das quais 18 sob a forma de artigos publicados em revistas indexadas

 

em https://www.hospitaldaluz.pt/pt/comunicacao/noticias/edgar-almeida-eleito-presidente-sociedade-portuguesa-nefrologia

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