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"Faleceu no dia 15 de janeiro de 2021 vítima de Covid-19, Maria Linette Filomena Selda Barreto, goesa, filha de Agostinho Blásio Horácio Barreto e Selda Genelina da Costa Lopes.
Era neta de José Sebastião da Piedade Barreto e Luisinha Clementina Ubelina Rosinha Fernandes Barreto pelo lado do pai e de Augusto Gambeta Manoel Mousinho Lopes e Maria Aurora Zulema Amália Quitéria Filomena Lopes de Noronha da Costa pelo lado da mãe.
Nascida em 20 de Setembro de 1948 em Pangim, Goa, Estado Português de India, era residente na cidade da Beira em Moçambique com a família desde os 4 anos de idade, território onde seu pai se estabeleceu com o primeiro cinema itinerante de Moçambique, que infelizmente teve de deixar por complicações de saúde relacionadas com a doença parasitária grave, comum na região, a bilharziose.
Linette Barreto cresceu no seio de uma família feliz até aos seus 10 anos, altura em que seu pai faleceu por complicações de saúde.
Recaiu então sobre a mãe, Selda da Costa Lopes, mulher de armas, a difícil tarefa de criar dois filhos, contando apenas com o seu próprio esforço prestando serviços de modista.
Foram anos de bastantes dificuldades, que levaram a jovem Linette a concorrer e entrar para o Banco Nacional Ultramarino (BNU) com apenas 18 anos.
Passou pelos anos anos 60 e 70, de intensas transformações sociais e culturais, com grande influência da cultura americana de bailes, coca-cola e rock & roll, dos clubes de fãs dos Beatles e Elvis Presley aos quais fervorosamente pertenceu.
Cruzou-se no liceu com figuras conhecidas da nossa sociedade como as manas Jardim, Yolanda Noivo, entre outras.
Esta fase da sua vida culminou com a participação no concurso Miss Moçambique 1972. Foi uma das primeiras goesas a participar num concurso de misses, onde foi eleita Miss Radio e Televisão de Moçambique, tendo sido escolhida pela sua beleza e “ar" exótico, para se incluir no grupo de misses que veio a Lisboa numa campanha de charme do Estado Português.
Apareceu nessa altura na RTP a ser entrevistada pelo conhecido apresentador Henrique Mendes e muitos serão os portugueses residentes na altura em Moçambique, que ainda se recordarão da sua indelével participação.
Não voltou a participar em eventos do gênero, pois dedicou-se a criação dos três filhos e ao seu trabalho como caixa do BNU de Tomar onde trabalhou até à reforma.
Os seus últimos anos foram marcados por um infeliz avanço do Alzheimer, mas o seu doce sorriso acompanhou-a sempre até ao fim, iluminando o dia de quem quer que a conhecesse."