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GALERIA DOS GOESES ILUSTRES

INTROSPECÇÃO SOBRE A ORIGEM, O ALCANCE E OS LIMITES DA IDENTIDADE GOESA, E O SEU CONTRIBUTO HISTÓRICO E SOCIAL EM PORTUGAL E NO MUNDO

GALERIA DOS GOESES ILUSTRES

INTROSPECÇÃO SOBRE A ORIGEM, O ALCANCE E OS LIMITES DA IDENTIDADE GOESA, E O SEU CONTRIBUTO HISTÓRICO E SOCIAL EM PORTUGAL E NO MUNDO

«O PORTUGUÊS DE DAMÃO»

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Foi durante o Governo do Prefeito Bernardo Peres da Silva que se estabeleceu a primeira tipografia em Damão, onde se encontrava refugiado de Goa, e cujo tipo foi mandado vir de Bombaim tendo custado 520 rupias e 13 réis.

Nela foi publicado o primeiro jornal de Damão, "O Português de Damão", de 18 de Julho a 8 de Agosto de 1835.

Mas afinal quantas variedades de #SARAPATEL existem?

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1. Na Serra de Arga, Alto Minho, feito após o abate do borrego e, atualmente, consumido apenas nas festas anuais de verão que duram três dias. Não é um prato principal, mas antes um complemento.

2. No Alentejo. Na região alto-alentejana de Marvão, de borrego, consumida ao longo do ano em forma de sopa. Inclui fatias de pão e laranja dispostas no fundo da malga. Muito pouco difundido.
Em Castelo de Vide, de borrêgo, prato obrigatório na Páscoa.
Na vila de Amareleja, Baixo Alentejo, parece existir também uma versão de Sarapatel chamada Sarraburra, feita de porco e consumida com batata cozida e laranja.

3. Na Ilha da Madeira, embora seja também pouquíssimo conhecido entre os locais. Incorpora nozes entre outros produtos diferentes. Acompanha batata cozida e fatias de pão.

4. No Nordeste Brasileiro, amplamente difundido, de porco ou de borrego, havendo lugar a sub-variações regionais. De tempero simples, acompanha com farinha de pau ou arroz.

5. Em Goa, e onde quer que existam goeses. Altamente condimentado, feito das miudezas do porco. Acompanha com arroz branco ou "sanans", Servidor em qualquer ocasião especial e no dia a dia.

6. Em Macau e entre os macaenses, embora este pareça ser derivado diretamente do Sarapatel goês, contudo mais suave do que aquele.

Em Moçambique é bastante conhecido por via da presença goesa, mas não adquiriu autonomia, nem surge nas ementas regulares dos restaurantes.

589 JOSÉ CARLOS FREITAS (1959)

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Filho de pai português e mãe goesa, José Carlos Freitas segue o mesmo caminho consistente, percorrido por outros seus conterrâneos (e descendentes) no Jornalismo português como Oscar Mascarenhas, Camilo Lourenço, Ricardo Costa ou Pedro Cordeiro.

"Nasceu em Pangim, Goa, a 27 de Janeiro de 1959.

Iniciou a carreira de jornalista em 1979, tendo passado pela Agência ANOP, Diário de Lisboa, Gazeta dos Desportos (três vezes), O Jogo (duas vezes), A Bola, Record, O Jornal e Expresso.

Colaborou com a Rádio Comercial, TSF e várias revistas e jornais estrangeiros.

No Record, onde trabalha actualmente, é editor executivo, responsável pela cobertura da Selecção Nacional.

Foi durante 12 anos dirigente do CNID, membro do comité executivo da União Europeia de Imprensa Desportiva e, de 1998 a 2002, presidente da comissão de futebol da Associação Internacional da Imprensa Desportiva.

Foi ainda membro da comissão de Media da FIFA entre 1998 e 2002 e membro do Painel de Media da UEFA entre 2002 e 2004.

Entre Agosto de 1999 e Abril de 2003 foi assessor de imprensa da FPF junto da Selecção Nacional."

em wook.pt

O SÃO TOMÉ (1633)

Cunhado em Goa no tempo de D. Filipe III, é hoje uma moeda rara, do qual se conhecem apenas dois ou três exemplares.

Nela figuram o escudo de Portugal, ladeado pelo G e A, correspondente ao local de cunhagem, e a imagem de S. Tomé.

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588 ESTALEIRO REAL DE DAMÃO (1773), de Carlos Xavier

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"Damão deveu também a sua prosperidade aos seus estaleiros onde se faziam construções de excelentes barcos.

Nos séculos XVIII e XIX foi febril a actividade dos seus estaleiros tendo-se neles construido inúmeros barcos.

Além dos estaleiros do Governo ou propriamente do Arsenal, Damão tinha estaleiros particulares. Enquanto aqueles se achavam situados na margem esquerda do rio, junto da muralha da Praça, estes ficavam na margem direita, um deles ali onde hoje fica o salão D. Luís.

Os estaleiros do Governo não tinham pessoal permanente além do construtor e uns poucos mesteirais, mas os operários eram recrutados segundo a necessidade das construções encetadas neles.

Este factor e mais a circunstância de salários baixos e excelentes madeiras baratas que se podiam adquirir nas proximidades do porto, davam aos seus estaleiros uma situação de vantagem em relação aos estaleiros de Bombaim e aos de Goa.

Em 1773 o Marquês de Pombal que reorganizou o Arsenal e a Ribeira das Naus de Goa dizia que enquanto em Goa durante o último século não se tinham construído senão três barcos, nos estaleiros de Damão o célebre construtor Sadashiva Caliana havia feito sozinho muito mais do que toda a corporação marítima de Goa e, por isso dava-lhe o cargo de Construtor Régio [e o vencimento de 100 xerafins por mês].

Chegamos a anotar as seguintes construções feitas no terceiro quartel do século XVIII:

Quatro manchuas fabricadas no Arsenal de Damão que foram enviadas para Goa pela Fragata S. Francisco Xavier em 25 de Novembro de 1783. Em relação a estas manchuas (duas de penão e duas de gávea) dizia-se que estavam bem feitas com os seus lambarins à inglesa, cinco portinholas de cada banda, duas à popa e uma à proa.

Em 1784 fabricou-se uma manchua de 35 pés de quilha. No mesmo ano fabricou-se uma chalupa de mastro.

Em 1790 foram enviadas para Goa as duas chalupas e uma manchua construídas no Arsenal de Damão. No mesmo ano foram construídas quatro galvetas sem coberta.

Em 1793 foram construídas seis galvetas das quais quatro destinadas a Goa.

Nesse mesmo ano ficou pronta a corveta que o armador Jacinto Domingues mandara construir e um batelão com tamanho e forma de chalupa como, também seis chatas; também foram lançados ao mar um navio de casco de 116 pés, outro de 80 pés e uma palinha muito bonita.

Em 1799 foi construído o navio "Veiga Cabral", dois navios consignados a José Harding e duas embarcações encomendadas por ingleses.

No século XIX pudemos registar as seguintes construções:

De 1814 a 1816 foram construidos 7 navios, 1 brigue, 1 galea e 1 pala.

De 1820 a 1841 foram construidas nos estaleiros de Damão 149 embarcações sendo 3 navios, 2 corvetas, 27 batelões, 7 brigues, 8 daus, 1 catraia, 1 falea de guerra, 1 barca de aguada, 4 patmarins, 5 paraus, 1 lancha e 89 galvetas.

Nos três anos que vão de 1842 a 1844 construiram-se 2 barcaças, 10 galvetas e 1 batelão.

Em 1841 o pessoal do Arsenal de Damão era o seguinte:

1- 1° Construtor
1- 2° Construtor
1- Mestre Carpinteiro
1- Mestre Calafate
1- Sarangue Mor
1- Mestre mocadão do escaler da Praça.

Com tão diminuto pessoal permanente os estaleiros de Damão obravam verdadeiros milagres construindo barcos numa intensidade de pasmar, barcos cuja construção era muito apreciada devido à sua traça e boa qualidade.

A madeira usada nas construções era o sâg (teca) essência florestal muito consistente e durável (Tectona granclis) que abundava nas matas de Nagar-Aveli e nas redondezas do território inglês. Era barata e de fácil transporte. Os operários vinham das aldeias circunvizinhas e das do território inglês próximas da fronteira que mudavam temporáriamente a sua residência para as proximidades dos estaleiros retirando-se quando não houvesse trabalho.

Os Construtores eram filhos da terra ou das circunvizinhanças excepto no segundo quartel do século XIX em que houve europeus. Mencionarei entre eles os seguintes:

1774 - Sadassiva Caliana [Construtor das fragatas «Real Fidelíssima» , na gravura e «Temível Portuguesa»]
1781 - Sadassiva Quenso
1805 - Jado Samoji [Construtor da fragata real «D.Fernando e Glória»]
1842 - Gangaramo Jado
1852 - José Nicolau Rodrigues
1855 - José Victor Moreira (2° tenente construtor naval)
1866 - O mesmo.

O Arsenal Real de Damão foi extinto por Portaria de 11 de Agosto de 1871 e, consequentemente, cessaram de existir os estaleiros de Damão."

587 OS GOESES E A ASSISTÊNCIA MÉDICA EM MOÇAMBIQUE, de Eugénia Rodrigues

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Em 1766, o Governador-Geral, Baltazar Pereira do Lago, solicitou à Câmara da Ilha de Moçambique, com jurisdição sobre a Terra Firme fronteira, uma relação de todos os moradores “não só para saber a qualidade de gente que governava, como para lhe examinar os modos por que vivião, e a rezão por que não exercitavão os officios com que
forão criados”.

Essa relação, que apenas incluía homens católicos, indicava viverem no território do município 71 indivíduos dados como oriundos de Portugal, nos quais se incluíam outros europeus e alguns nascidos em Moçambique e, no império, 74 com origem na Índia, quase todos de Goa, e 36 naturais de Moçambique.

Entre os habitantes arrolados estavam o cirurgião-mor da capitania, o cirurgião do regimento, um outro cirurgião e um barbeiro e sangrador, todos idos do reino e os dois últimos provavelmente atuando a título privado; eram também referidos três moradores nascidos em Goa, cujas atividades estavam ligadas à área dos cuidados de saúde: um exercera a profissão de boticário e vivia então do comércio, outro era sangrador e barbeiro, e o último estava
ocupado como almoxarife do Hospital Real.

Quase quarenta anos depois de a Câmara elaborar essa informação, o Governador-Geral informava que abundavam no país os goeses “com alguma pratica de curar”.

Tudo indica que a presença goesa na assistência médica em Moçambique ganhou vulto à medida que as instituições de saúde adquiriram um papel cada vez mais central nas políticas de controle
sanitário, que, concomitantemente, se foram alargando na tentativa de cobrir todo o território da capitania.

em «Moçambique e o Índico: a circulação
de saberes e práticas de cura»

586 LOURENÇO VELOSO (XVII)

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Lourenço Veloso foi um pintor de origem indo-portuguesa (Goesa), que viveu no Brasil no século XVII/XVIII.

Veloso formou-se com os Jesuítas em Goa, e depois em Portugal.

Os seus trabalhos mostram que estava familiarizado com o estilo de Rembrandt e El Greco.

Nos últimos anos do século XVII mudou-se para São Salvador, da Bahia, á altura a capital do Estado do Brasil.

Em 1699 pintou “Retrato do Capitão Francisco Fernandes da Ilha”.

Provavelmente em 1701 pintou o “Retrato do Coronel Domingos Pires Carvalho”, quadro cuja autoria foi atribuída a ele por alguns pesquisadores.

Faleceu em 1708 em Salvador da Bahia.

em baixo, retratos do Coronel Domingos Pires Carvalho (esq.) e do Capitão Francisco Fernandes (dir).

585 AS DONAS DAS MEMÓRIAS

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[...] Esta região de Moçambique [Zambézia] está plena de histórias pessoais centradas em mulheres, mas cuja proeminência não está refletida nos livros de história oficial.

Uma aparente excepção são as Donas, latifundiárias que floresceram entre os séculos XVII e XIX e cujo poder está reconhecido nos textos de história.

As Donas surgem por meio de uma série de editais da Coroa Portuguêsa, que tencionava estender a sua influência sobre a região. A terra por elas detida eram os chamados Prazos da Coroa, aforrados um prazo determinado, geralmente três vidas.

Para vários estudiosos da história de Moçambique em geral e do Vale do Zambeze em particular, os prazos foram a primeira manifestação tangível da colonização portuguesa em Moçambique e seguiam um modelo já aplicado na Índia Portuguesa.

Através dos Prazos, a Coroa tencionava ocupar o território, concessionando território sob sua jurisdição aos seus vassalos, em troca destes assegurarem os interesses comerciais da Coroa e protegerem os fortes aí estabelecidos de invasões dos chefes locais [...]

A instituição dos Prazos criou uma elite na intersecção das sociedades colonial e nativa. As Donas, na literatura e nos arquivos estão localizadas num não lugar. Não inteiramente nativas para os nativos, e nativas demais para a sociedade colonial.

A questão da mestiçagem figura de forma central na literatura sobre as donas e a sociedade criada pelos Prazos, assim como no imaginário da sociedade que se lhes seguiu após a sua extinção.

Pelo menos duas das minhas informantes afirmaram que estas mulheres “mistas” eram Donas – no sentido de proprietárias e comandantes dos destinos – de Quelimane.

Esta percepção ecoa a afirmação de Capela segundo quem a Dona da Zambézia terá sido uma “reivindicação da mulata na afirmação do status adquirido” . Em outras descrições a dona é considerada sinónimo de “europeias, mulatas ou [de] origem em Goa”.

Efectivamente, as primeiras Donas tinham origem Goesa. Eram elas Dona Ignez Garcia Cardozo, proprietária do prazo do Luabo e Dona Sebastiana Fernandes de Moura, proprietária dos prazos Quizungo, Macuze, Sone e Inhasoreire.

Com o decorrer dos anos o número de descendentes afro-euro-asiáticos e proprietários de prazos terá multiplicado. Tendo havido preferência pelo casamento dentro do grupo ou com novos europeus, até pela garantia do acesso à propriedade. Ainda assim, e o casamento com mulheres nativas continuou." - Carmeliza Soares da Costa Rosário, Universidade de Bergen

Foto de D. Ernestina de Menezes Soares, esposa de António Maria Pinto, goês, supostamente o fundador do Prazo do Carungo, situado em Inhassunge. Era ela também filha de um goês, Amaro Francisco de Menezes Soares proprietário do Prazo de Chirangano e mãe da herdeira D. Amália de Menezes Soares Pinto, uma das chamadas Donas da Zambézia, conhecidas pelo seu mau feitio.

584 MIGUEL ARCANJO MASCARENHAS

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Natural de Anjuna, "Mackie", como ficou conhecido, iniciou-se aos 16 anos como moço de cozinha no famoso Hotel Taj Mahal em Bombaim.

A sua arte culinária rapidamente ganhou fama principalmente os seus pratos de carne ocidentais, apreciados por príncipes e rajás indianos, assim como por clientes milionários.

Chefe de Cozinha Executivo desde 1939, exerceu por 62 anos a sua arte no referido hotel, e foi ainda Consultor de Alimentos e Bebidas.

Os seus filhos deram continuidade ao seu legado.

583 ALBINO PASCOAL DA ROCHA (1826)

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Médico formado em Goa e em Coimbra (1844/45), foi Cirurgião de 2° Classe do Quadro de Saúde de Moçambique, e Diretor de Saúde de Tete.

Regressou a Goa em 1846, após o qual foi despachado para a Campanha de Manchangane, em Moçambique, onde foi morto traiçoeiramente pelos indígenas.

Já o seu pai, Mariano José da Conceição da Rocha (1789), rico proprietário e Capitão das Milícias, partidário do deposto Prefeito goês Bernardo Peres da Silva (fiel a D.Pedro), fora morto por decapitação pelos militares miguelistas europeus e mestiços, e a sua cabeça espetada, a mando do Comandante Francisco Vicente da Costa, que lhe ficara entretanto com algumas peças de indumentária.

Outros 30 Goeses tiveram o mesmo infortúnio ou buscaram refúgio na Índia Britânica.

segundo Dicionário de Goanidade, de Domingos Soares Rebelo

ADRIEEN VAN DER STEL

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Willem Adriaan van der Stel, bisneto de Goesa e segundo Governador da Província do Cabo.

Contrariamente ao seu pai, o legado de Willem Adriaanse van den Stel enquanto Governador não é alvo de consenso.

Embora a maioria das fontes concorde em que ,o seu governo no Cabo foi autoritário, cercado de favorecimento e caracterizado pelo uso indevido de ativos da empresa (VOC), outros afirmam que isso não foi de forma alguma exclusivo do mandato de Van der Stel enquanto governador.

Os seus defensores apontam os seus planos e atividades na agricultura e horticultura como evidência da grande visão e imaginação. Outros observam o seu papel no desenvolvimento da arquitetura única do Cabo Holandês, e o vêem como um mártir.

Certo é que Willem acabou destituído e exilado na sua terra, a Holanda.

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