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GALERIA DOS GOESES ILUSTRES

INTROSPECÇÃO SOBRE A ORIGEM, O ALCANCE E OS LIMITES DA IDENTIDADE GOESA, E O SEU CONTRIBUTO HISTÓRICO E SOCIAL EM PORTUGAL E NO MUNDO

GALERIA DOS GOESES ILUSTRES

INTROSPECÇÃO SOBRE A ORIGEM, O ALCANCE E OS LIMITES DA IDENTIDADE GOESA, E O SEU CONTRIBUTO HISTÓRICO E SOCIAL EM PORTUGAL E NO MUNDO

582 SIMON VAN DEN STEL (14/10/1639)

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Foi o 11º e último Comandante da Colónia Holandesa do Cabo e o 1º Governador da Província Holandesa do Cabo, na atual África do Sul, sucedido pelo seu filho, Willem Adriaan van den Steel.

Figura fulcral na história ultramarina holandesa, Simon era filho do primeiro governador holandês da Ilhas Maurício e alto funcionário da poderosa VOC, a companhia ultramarina holandesa das índias orientais.

Foi nas Maurício que Van Den Stel nasceu e permaneceu durante os primeiros sete anos, tendo depois ido para a Holanda e Batavia onde passou os próximos vinte anos.

A sua mãe era Maria Lievens, filha de Maria Lievens da Costa (Maria Lievens van den Kus), ou Maria da Costa de Goa, ou Maria de Goa.

Maria de Goa era uma escrava indo-portuguesa liberta que se casara com Hendrik Livens, pai de Maria Livens. Simon era então, neto de Maria de Goa.

Não se sabe em que contexto Maria de Goa se tornou escrava, mas muito provavelmente terá acontecido após a captura de alguma parcela do território português pelos holandeses, no sub continente indiano, fato bastante comum.

Certo é que foi sob o mandato de Simon van den Stel que a Província do Cabo, até então apenas uma estação de reabastecimento e apoio á navegação, recebeu um novo surto de desenvolvimento, quer através do apaziguamento com os povos autoctónes, quer pelo forte impulso na agricultura, sendo Simon considerado o patrono da vitivinicultura sul-africana.

Simon, descontente com a fraca qualidade da produção vinícola, criou uma quinta em 1685, a Groot Constantia, para servir de modelo, mas foi a aceitação dos Huguenotes franceses e do seu conhecimento, em seu território, que deu um importante contributo.

Criou também uma via estradal, tal como um Hospital de assistência aos marinheiros adoecidos com capacidade para 225 camas e localizado perto de uma produção botânica.

Explorou e fez reconhecimento na área hoje conhecida como Simon's Peninsula/Bay.

A cidade de Stellenbosch (fundada em 1679) e Simonstad foram nomeadas em seu nome, assim como a montanha Simonsberg. Um navio no início da Marinha Sul-Africana, o SAS Simon van der Stel, foi batizado em 1952. Uma fundação em sua memória foi inaugurada em 1959 na Cidade do Cabo, a «Simon van der Stel Foundation».

Curiosamente Jean-Jacques Rousseau , no seu «Discurso sobre a Desigualdade», refere-se ao governador Simon van der Stel desdenhosamente como um "hotentote erguido pelos holandeses que escolhe voltar a seus iguais, em vez de permanecer na sociedade civilizada". O frontispício do Discurso apresenta van der Stel como um "hotentote" acima da frase, «Il retourne chez ses égaux».

Tal difamação prende-se certamente com a emergência durante o consulado de Simon, de uma classe negra e mestiça de camponeses e artesãos livres e especializados, entre eles uns tais Anthonie van Angola e Manuel van Angola, que Rousseau não terá gostado.

Assim, Simon van der Stel foi efetivamente o primeiro Governador do Cabo, de origem mista goesa, não nascido na Europa, um fato que foi em grande parte "esquecido" pelos mentores do apartheid.

Desde então e até aos nossos dias, a Cidade do Cabo é a região com mais mestiços de toda a África continental. Não teremos o pedantismo de achar que tal facto se deva á costela Goesa de Simon van den Stel, mas certamente que numa décima de milésima parte, terá dado o seu contributo.

581 IRMÃ LÚCIA BRITTO

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Foi por mais de uma década a responsável pessoal pela correspondência do Santo Padre, tendo desempenhado essa função para João Paulo II, Bento XVI e o Francisco I.

Ir. Lúcia nasceu em Veroda, Cuncolim, Goa e estudou no Convento Maria Bambina, também em Cuncolim.

Mais tarde, ingressou na mesma Ordem do Convento (Irmãs de Caridade) e seguiu para Dharwad, onde fez os seus votos.

Daí foi para Hyderabad para estudos adicionais de onde seguiu para França.

Mestre em Filosofia, fez vários outros cursos.

Foi professora de francês no St Francis College, em Hyderabad, sendo fluente em francês, italiano, inglês e concani. Executou também trabalhos de tradução para o Vaticano.

O seu vasto conhecimento foi recompensado com este seu trabalho nos Arquivos do Secretariado do Estado do Vaticano.

Irmã Lúcia nasceu de Ernestina Britto e de Pedro Menino Britto em 6 de julho de 1947.

Em 2019 regressou a Goa, após 15 anos no Vaticano.

MOÇAMBIQUE E O ADN GOÊS

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Irrefutável e sem paralelo, o contributo e o pioneirismo Goês em África, desde Cabo Verde, até a África Oriental Inglesa.

Porém no caso de Moçambique, esse contributo pela sua extrema antiguidade, pelas suas matizes económicas, sociais e politicas, ultrapassa qualquer outro, e não será exagero afirmar que se encontra inserido até á medula, daquele país do Índico.

AS DONAS DE QUELIMANE


Foto de D. Ernestina de Menezes Soares, esposa de António Maria Pinto, goês, supostamente o fundador do Prazo do Carungo, situado em Inhassunge.

Era ela também filha de um goês, Amaro Francisco de Menezes Soares proprietário do Prazo de Chirangano e mãe da herdeira D. Amália de Menezes Soares Pinto, uma das chamadas Donas da Zambézia, conhecidas pelo seu mau feitio.

 

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Dona Maria Peixe, também com ascendência Goesa.

580 A GORONGOSA DE MANUEL ANTÓNIO DE SOUSA: UM "BALUARTE" DO IMPÉRIO

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"Se deixarmos esta família de extracção portuguesa e atravessarmos o Zambeze para sul, encontraremos um goês, tal como o eram os antepassados dos Pereiras e dos Vaz dos Anjos; mas a comparação fica por aí, pois o homem que entre 1858 e 1892 seria a ponta de lança da autoridade portuguesa nunca seria um rebelde declarado, já que a sua aliança com os Portugueses lhe permitia forjar um verdadeiro Estado nos prazos a sul de Sena e, em especial, na Gorongosa.

Manuel António de Sousa, igualmente conhecido pelo nome de Gouveia chegou em 1852 ou 1853 à Zambézia, onde obteve a sucessão do tio e casou com a prima.

Foi comerciante em Sena e não demorou a instalar (1854-1855) uma aringa na Serra da Gorongosa, em Massara, no interior de um prazo invadido pêlos Angunes do sul do Save.

Muzila, o régulo angune do norte de Gaza, enviou um impi de guerreiros seus para de lá o expulsar, mas Manuel António de Sousa repeliu-os.

Esta vitória contra os Angunes, a que a Zambézia não estava habituada desde havia mais de vinte anos, chamou para junto de Manuel António de Sousa bandos de soldados-escravos sem senhor, caçadores de elefantes e todos os que tinham motivos para desejar levar uma vida de aventuras sob a autoridade de um cabo de guerra.

Em três ou quatro anos, o senhor temperou as suas forças heteróclitas e fez delas um corpo de combate de considerável eficácia que Lisboa utilizou nas suas guerras e, em primeiro lugar, contra os arqui-rebeldes, a encarnação do mal absoluto na historiografia portuguesa da Zambézia no século XIX: Massangano e a família dos Cruz."

de René Pélissier

579 MASSINGIRE: A DINASTIA DOS VAZ DOS ANJOS

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"A história desta dinastia antes de 1854-1857 é aparentemente menos turbulenta, provavelmente por ser menos longa.

O seu fundador fora igualmente um goês, Paulo Mariano Vaz dos Anjos [e o seu irmão Fernando Vaz dos Anjos], que no início do século se instalara como senhor de vários Prazos; era coronel da milícia e era um comerciante muito rico, já idoso em 1823, quando uns oficiais da Marinha britânica o encontraram em Maruro, na margem norte do baixo Zambeze, a sul da ligação fluvial entre este rio e Quelimane.

Seu filho, Paulo Mariano II [um afro-goês], tinha os mesmos dois primeiros nomes que o pai mas é mais conhecido pela alcunha de Mataquenha I (aquele que faz tremer) devido à sua crueldade.

Pai e filho reuniram à sua volta vários regulados manganjas e colonos e/ou chicundas tongas e senas que tinham atravessado o Zambeze.
Enriquecidos com o tráfico negreiro, podiam assoldar "soldados profissionais".

Mataquenha I, casado com a filha de Galdino Faustino de Sousa, um dos mais poderosos senhores de prazos de Sena e insigne negreiro, seguiria as pisadas do sogro. Este, em 1852 ou 1853, invadiu a montanha de Morumbala, uma espécie de república de escravos foragidos e de homens insubmissos à lei dos senhores, a quem flagelavam ao longo do Chire e do Zambeze.

Galdino Faustino de Sousa implantou uma aringa em Morumbala e apanhou, naturalmente, a sua parte do saque de escravos ali feito.
Este conquistador do sul do Estado manganja legalizou as suas proezas ao obter o prazo de Massingire.

Tal como os Pereiras da Macanga, Galdino Faustino de Sousa receava o poderio nascente dos Cruz de Massangano e viria a fornecer um importante contingente de soldados e carregadores para a campanha portuguesa de 1854 contra Massangano.

Esse exército privado era comandado por seu genro, Mataquenha I, que por morte de Galdino Faustino de Sousa, nesse mesmo ano, herdou a aringa, os interesses comerciais do sogro negreiro e, principalmente, os chicundas.

Mataquenha I, que era também cunhado de António José da Cruz Coimbra, o principal exportador de "engagés" (contratados) para a Reunião, considerou-se no dever de arranjar "mercadoria" devastando os prazos à volta de Sena, o que não podia deixar de atrair sobre ele a hostilidade dos senhores de prazos seus vizinhos e, de um modo mais acessório, a da guarnição da praça.

Depois de repelido, Mataquenha I retirou para a margem esquerda, na qual ampliou os seus domínios à custa de razias para norte, na região dos Cheuas, e construiu uma temível aringa em Chamo, num ilhéu do Chire abaixo de Morumbala, protegida pêlos pântanos.

Essa aringa era, na realidade, uma praça forte que dominava a navegação, com paliçada dupla, aterro, um arsenal que podia conter até 7 000 espingardas e quatro canhões de bronze.

Mataquenha I e seu irmão, recolhidos nessa cidadela, entregaram-se impunemente à caça de escravos que o cunhado depois exportava.

Em 1854-1855, as vilas de Tete e Sena embaraçadas na luta contra Massangano, a montante, estavam incapazes de organizar urna acção contra este negreiro que não tinha sequer o cuidado de disfarçar as suas actividades sob uma qualquer capa.

Chegaria até a atacar a guarnição de Sena. Mas ao terminar a campanha de 1854-1855 contra Massangano, as autoridades decidiram desferir um grande golpe. Mataquenha I foi preso quando se encontrava em Quelimane (1857) e ficar-nos-emos, provisoriamente, por este episódio da crónica dos altos feitos e malfeitorias desse chefe de bandidos, que mais tarde viria a reconstituir as forças a ponto de transformar-se, com o nome genérico do seu Estado, o Massingire, num adversário difícil de vencer."

de René Pélissier

578 MACANGA: A DINASTIA DOS CAETANO PEREIRA

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"Macanga, que não era, juridicamente, um Prazo, pois não pagava foro, seria até 1902, sob a direcção dos Pereira, uma entidade, ou mesmo um Estado, independente e depois protegida.

O fundador fora um goês, Gonçalo Caetano Pereira [o Dombo-Dombo] que, vindo para Moçambique por volta de 1760 [ou 1770], se apoderara de jazidas auríferas (os bares) a norte de Tete, na região dos Maraves, e viria a receber o território da Macanga das mãos do Undi e, por alianças com os regulados, pela pura e simples violência e pelo comércio com o Cazembe, construíra um feudo que na altura do seu falecimento era já de enormes dimensões.

Seu filho, Manuel Caetano, herdaria o título de capitão-mor, dominaria a região marave com os seus soldados-escravos chicundas e protegeria os destacamentos do Exército regular enviados além do Zumbo, no rio Aruângua, em 1827 (feira de Marambo).

Considerava-se que era amigo e aliado da Administração de Tete, e passa por ser o homem mais poderoso da região dos Maraves durante as três primeiras décadas do século XIX.

Quando se reformou da sua carreira de sertanejo patriótico, o poder passou para seu irmão, Pedro Caetano [o Choutama], que estava muito menos próximo dos interesses de Tete."

de René Pélissier

OS MOZUNGOS E OS PRAZOS DA COROA

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"Os mozungos [os senhores dos Prazos ou Prazeiros] que exerciam este senhorio eram, a breve trecho, maioritariamente, goeses, e mestiços da mais variada mestiçagem: de reinóis [europeus], de goeses, de africanos, de índios [indianos] e outros asiáticos. Além de todos esses, também indígenas.

Foi nestas circunstâncias que surgiram os Prazos da Coroa, forma de enfiteuse em que a investidura era feita «ad temam generationem et nominationem», como já era costume no tempo das Ordenações Afonsinas, directamente pelo rei ou através de capitães ou governadores-gerais ou governadores subalternos. Uma instituição tradicional do direito português, portanto, largamente experimentada no Estado da Índia e depois levada à outra costa do Índico.

Característica dos Prazos da Coroa na Zambézia é a de se tratar de um sistema que, na prática, se sobrepõe e toma o lugar do que por muitos chega a ser considerado como um tipo de feudalismo pré-existente à chegada dos portugueses."

em «CONFLITOS SOCIAIS NA ZAMBÉZIA, 1878-1892 A TRANSIÇÃO DO SENHORIO PARA A PLANTAÇÃO», JOSÉ CAPELA, Universidade do Porto

gravura: mapa das repúblicas militares do séc XIX, sucedâneas dos Prazos, sendo a da Gorongosa, liderada por António Manuel de Souza, o Gouveia, e a de Macanga fundada por Gonçalo Caetano Pereira, o Dombo-Dombo, em 1840.

577 JOSÉ ANTÓNIO ISMAEL GRACIAS (1903)

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Filho do Prof.Ismael Gracias, foi o último Presidente do Tribunal da Relação de Goa, Damão e Diu e continuou a exercer as suas funções por alguns meses depois de invasão indiana, de acordo com a Convenção de Genebra.

Natural de Loutolim, cursou Direito em Lisboa e exerceu Advocacia em Moura, Alentejo.

Foi Magistrado do Ministério Público, Juíz em Cabinda e Pangim, e Diretor dos Serviços de Administração Civil da Índia Portuguêsa.

Demitido em 1961 pelos indianos, foi reintegrado em Portugal, aposentando-se em Lisboa.

Faleceu em 1992.

576 MANUEL HENRIQUES NAZARETH (10/05/1911)

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Médico pessoal de Salazar, Deputado, vice-presidente e Presidente do Sporting Clube de Portugal, Manuel Henriques Nazareth nasceu na província moçambicana da Zambézia, onde a história da sua família e a história da região se mesclam e se confundem.

Foi-lhe oferecido o cargo de Governador de Moçambique, que declinou, sugerindo Baltazar Rebelo de Sousa.

★Raízes
Manuel Henriques Nazareth nasceu na Província da Zambézia, a província que deu origem a Moçambique (antiga Província Ultramarina e atual Estado independente).

Filho de mãe muçulmana sunita (de família abastada) convertida ao cristianismo, o seu pai era Vitorino Romão da Nazareth (Quelimane, 04/07/1880), administrador da Companhia do Madal, Prazeiro de Pepino e Quelimane do Sal.

Vitorino Romão da Nazareth era filho de Mariano Henriques da Nazareth e de sua segunda mulher Ana Cecília Coutinho Barbosa, natural do Sena, Moçambique.

Mariano Henriques Nazareth foi o maior proprietário de Moçambique de todos os tempos, um conhecido negociante de escravos, e Senhor dos Prazos de Pepino e Quelimane do Sal, território a norte do Rio Zambeze em toda a Província da Zambézia.

Mariano Henriques da Nazareth, Senhor dos Prazos tinha um exército próprio denominado de «achicundas», e que cobrava um imposto (mussuco), a todos aqueles que tivessem mais de 16 anos.

Os referidos prazos mediam cerca de 45000 hectares com 20000 palmares e largas pastagens para gado

Mariano Henriques da Nazareth, era filho natural e único varão de Joaquim Henriques da Nazareth (Estado da Índia, Goa, Pangim, 1818), goês católico, proprietário e negociante de escravos, prata, ouro e marfim na Índia e em Quelimane, e de Catarina José Rodrigues da Silva, natural de Quelimane.

Joaquim Henriques da Nazareth era o primogénito de dois filhos e o único com geração de João Miguel Constâncio da Nazareth (Goa, último quartel do século XVIII) e de sua mulher Maria da Conceição de Meneses (Goa), moradores em Pangim, Goa, Estado Português da Índia.

★Carreira
#Medicina
Licenciado em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Especialista em Análises Clínicas no St. Georg Hospital em Hamburgo, Alemanha, onde viveu vários anos, até que, obrigado pelas circunstâncias da Segunda Guerra Mundial, teve de se ausentar para Copenhaga, Dinamarca, onde, por dominar o Alemão, exerceu durante algum tempo as funções de Cônsul de Portugal.

Depois, regressou a Portugal, onde leccionou e foi Professor Assistente da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, no Instituto Bacteriológico de Câmara Pestana, na Cadeira de Bacteriologia. Exerceu, ainda, funções de Chefe de Laboratório no Hospital de Santa Maria, no Serviço de Clínica Cirúrgica do Professor Raimundo dos Santos, e Director Clínico do Hospital Kobayashi, em Lisboa.

Durante mais de 20 anos foi Médico Analista Privativo do Prof. Doutor António de Oliveira Salazar, até ao falecimento deste, a 27 de Julho de 1970.

#Política
Eleito Deputado para a Asssembleia Nacional durante a IX Legislatura, de 1965 a 1969, pelo Círculo Eleitoral de Moçambique, foi Vogal da Comissão Parlamentar de Trabalho, Previdência e Assistência Social.

Durante os trabalhos da Assembleia Nacional preocupou-se, essencialmente, com as condições habitacionais das populações ultramarinas. Assim, em Janeiro de 1966, anunciou um aviso prévio sobre o problema habitacional das classes economicamente desfavorecidas nas Províncias do Ultramar Português e, dois meses depois, não só efetivou o referido aviso, como foi ele próprio a encerrar o debate em torno do mesmo.

A propósito da questão da propriedade rural em Moçambique, anunciou, em 1967, um aviso prévio que, mais tarde, viria também a efectivar.

No ano seguinte, em 1968, foi a problemática da difusão e defesa da Língua Portuguesa nessa Província Ultramarina que o levou a apresentar uma nota à Assembleia Nacional e, posteriormente, em 1969, a efectivar a mesma em aviso prévio, tendo sido ele a concluir também o debate respectivo e a apresentar, ainda, uma moção relativa ao mesmo assunto.

Disponível para debater o referido problema, não se limitou a aceitar uma emenda sugerida pelo Deputado Henrique Ferreira da Veiga de Macedo em Janeiro de 1969, como também a subscreveu, à semelhança doutros Deputados.

#Desporto
Foi admitido como Sócio do Sporting Clube de Portugal a 18 de Março de 1943, fez parte do respectivo Conselho Geral, do qual foi Membro Vitalício desde 1952, e foi distinguido como Sócio Grande Benemérito do Clube pelo seu empenho na construção do Estádio José Alvalade, inaugurado a 10 de Junho de 1956.

Foi Vice-Presidente para as Actividades Desportivas na Direcção de Joel Azevedo da Silva Pascoal, durante a Gerência de 19 de Março de 1962 a 10 de Maio de 1963, e foi também como Vice-Presidente, mas para as Relações Exteriores, que foi eleito, a 29 de Março de 1973, na lista liderada por Orlando Valadão Chagas, o qual, no dia seguinte, renunciaria ao cargo de Presidente, provocando uma crise institucional no Clube.

Assim, a 5 de Abril de 1973, assumiu interinamente a Presidência do Sporting Clube de Portugal, como seu 31.º Presidente, até que fosse encontrada uma solução para a crise, pois afirmou não desejar ser Presidente por lhe faltar capacidade e tempo para o desempenho do cargo.

No entanto, assegurou a gerência do Clube durante cinco meses, até 6 de Setembro de 1973 e à subida à Presidência de João António dos Anjos Rocha, ocorrida no dia 7 de Setembro de 1973, defendendo intransigentemente as diretrizes traçadas por Orlando Valadão Chagas, que passavam por uma gestão financeiramente equilibrada, numa altura em que os custos do futebol e do ecletismo disparavam para valores incomportáveis.

Defendeu, também, o bom relacionamento com os clubes rivais e a resolução do conflito com o jogador Fernando Peres da Silva, afirmando não concordar com a Lei da Opção que vigorava na altura.

Uma das primeiras medidas tomadas pela sua Direcção, foi o despedimento do treinador inglês Ronald "Ronnie" Allen, que foi substituído por Mário Goulart Lino, no qual afirmou confiar plenamente, e que levou a equipa de futebol do Sporting à conquista da Taça de Portugal referente à Temporada de 1972/1973, ocorrida durante o seu mandato.

575 Dra. LUCÍLIA MERCÊS DE MELLO

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Médica e poetisa, desempenhou no centro do país, um importantíssimo papel no combate a um flagelo social que assolou Portugal nas décadas passadas e que ainda persiste: o alcoolismo.

Em sua homenagem o Centro Regional de Alcoolemia de Coimbra tem o seu nome, assim como uma sala da Escola Preparatória Profitecla, na mesma cidade.

A Galeria dos Goeses Ilustres presta também com este simples artigo, a nossa homenagem ao seu excelso trabalho.

"Natural de Lisboa. Tem a licenciatura de Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e o Curso de Ciências Pedagógicas da Faculdade de Letras da mesma Universidade.

Prestou serviço nos Hospitais Civis de Lisboa e fez a especialização em Psiquaitria no Hospital Júlio de Matos.

Vive em Coimbra desde 1962, ano em que ingressou no quadro do Hospital de Sobral Cid, onde veio a criar um Serviço de Recuperação de Alcoólicos que, mais tarde, veio a dar origem ao Centro Regional de Alcoologia de Coimbra.[hoje renomeado Centro Maria Lucília Mercês de Mello]

No exercício da sua actividade profissional desempenhou vários cargos e funções relativos à Alcoologia, ciência então em desenvolvimento e implementação no país.

É autora de mais de uma centena de trabalhos ligados à alcoologia e participou em reuniões e programas científicos dedicados à alcoologia, no país e no estrangeiro.

É membro de Sociedades científicas nacionais e estrangeiras, sendo "sócia fundadora número um" da Sociedade Portuguesa de Alcoologia de cuja Revista foi primeiro director.

Frequenta, desde 1966, a disciplina de Literatura Portuguesa da Universidade do Tempo Livre da ANAI, em Coimbra.

No campo da poesia, embora tivesse iniciado cedo a sua escrita, esporadicamente publicada em semanário juvenil dos anos 1940-50, só após a aposentação, o seu primeiro livro de poemas intitulado POEMAS EM DOIS TEMPOS veio a público (Livraria Minerva Editora, Coimbra, 1998).

Em 2001 publicou o segundo livro de poesia, TEMPO DE BRUMA, na colecção Poesia Minerva (Edições MinervaCoimbra, 2001), em 2003, o terceiro, SINTONIAS (Edições MinervaCoimbra,2003) e em 2005, o quarto, TRILOGIAS LÍRICAS, na mesma colecção (MinervaCoimbra, 2005), livro premiado no concurso de poesia "António Patrício" da Sociedade Portuguesa de Autores Médicos-2006.

Participou em quatro antologias: COLECTÂNEA DE POESIA (Pé de Página Editores, 2001), ANTOLOGIA DE POESIA IBÉRICA "VENTO - Sombra de Vozes" (Ed. Celya, Salamanca, 2004), DEGRAUS, edição da LAHUC, Coimbra 2013 e A PAZ DE UM LIVRO, edição do Rotary - Distrito 1970, 2015-16."

em https://www.minervacoimbra.pt/DETALHE_MINERVACOIMBRA_2.aspx?Autor=Maria+Luc%u00edlia+Merc%u00eas+de+Mello

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Não obstante a célebre frase proferida, o fato é que Samora Machel se fez rodear de membros do governo, conselheiros e médicos com origem Goesa.
Oscar Monteiro, Jorge Rebelo, Aquino de Bragança, Sérgio Vieira, e o médico Lincoln Justo da Silva, no caso.

574 JORGE REBELO (1940)

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Jorge Rebelo é um, poeta, advogado e jornalista moçambicano de origem Goesa.
 
Rebelo estudou Direito na Universidade de Coimbra, Portugal, e foi um destacado membro da Frelimo onde ocupou cargos no Comitê Central, Comité Executivo e foi Ministro para a Informação do primeiro governo pós independência.
 
Poeta, editou a revista ,«Revolução de Moçambique».
 
Embora José Craveirinha seja conhecido como "O Poeta de Moçambique", Rebelo é conhecido como «O Poeta de Revolução Moçambicana".
 
A sua poesia está incluída em antologias como a «Literatura Africana de Expressão Portuguesa», de Mário de Andrade (1967) e «Quando as balas começam a florescer», de Margaret Dickinson (1972).
na foto, Rebelo ao lado de Machel.

573 Eng° EDGAR CARDOSO (11/05/1913)

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É também de ascendência Goesa, o génio português e mundial que construiu mais de 500 pontes e estruturas similares por todo o globo.
 
Edgar António de Mesquita #Cardoso é neto de João Feliciano Gonçalves #Cardoso (e de sua esposa goesa), nascido em 1846 em Candolim, Bardez, Goa, sendo João Feliciano Cardoso trisavô materno da apresentadora Catarina Furtado. Edgar Cardoso é irmão da avó de Catarina.
 
Casado, não teve contudo descendência.
 
Nasceu em Resende e formou-se em engenharia civil na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto em 1937. Foi professor universitário e autor de algumas das mais belas pontes portuguesas, tendo sido agraciado com um doutoramento Honoris Causa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.
 
A 5 de agosto de 1944 foi feito Oficial da Ordem Militar de Cristo e a 12 de junho de 1963 Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, tendo sido elevado a Grã-Cruz da mesma Ordem a título póstumo a 4 de outubro de 2004.
 
A Câmara Municipal de Lisboa prestou-lhe homenagem atribuindo o seu nome a uma alameda na freguesia de S. Sebastião da Pedreira, actual freguesia das Avenidas Novas, junto à Estufa Fria, cuja cobertura foi por si projectada.
 
 
Algumas Obras
Ponte de Mértola em Mértola
Ponte de Santa Clara em Coimbra
Ponte da Arrábida no Porto (na época o maior arco de betão armado do mundo)
Ponte Governador Nobre de Carvalho em Macau
Ponte ferroviária de São João no Porto
Ponte do Vale da Ursa sobre o rio Zêzere,
Ponte Edgar Cardoso na Figueira da Foz.
Extensão da pista de pouso do aeroporto da Madeira, executada em vigas de betão prefabricadas, assentes sobre pilares de betão armado (estudos iniciais adaptados por António Segadães Tavares).
Ponte de Mosteirô, localizada no Douro entre Baião e Cinfães. Foi considerada por Edgar Cardoso como a sua melhor e mais bela obra (construção sobre a antiga aproveitando dois dos três pilares originais).
Ponte de Xai-Xai em Moçambique.
Ponte de Tete em Moçambique.
Ponte Almirante Sarmento Rodrigues em Barca d'Alva.
Viaduto de Vila Franca de Xira na A1.
 
 

 

 
 
 
 

572 JOÃO BATISTA FERREIRA MEDINA

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Médico por formação, foi Ministro da Saúde de Cabo Verde durante a década de 90 e deputado do MPD á assembleia daquela nação insular, pelo círculo de São Vicente.
 
É também deputado ao PAP, o Pan-African Parliament.
 
É filho de pai goês, e formou-se na Universidade de Coimbra com especialização em Ginecologia e Obstetrícia.
 
Ainda nesta cidade representou durante a época de 66/67 a Académica de Coimbra na posição de guarda redes, tendo como capitão nessa época gloriosa, o moçambicano Mário Wilson. Teve ainda o nariz fraturado por Artur Jorge numa disputa de bola, fato esse que por outras questões legais, precipitou o abandono da modalidade.
 
Enquanto ministro, foi responsável pela elaboração em 1999, da Carta Sanitária de Cabo Verde, muito na esteira daquilo que os seus antepassados Goeses fizeram em África e no subcontinente indiano durante o século anterior.
 
Figura na Galeria de Retratos de Antigos Ministros da Saúde de Cabo Verde, inaugurada no respetivo ministério em 2012.
 
Foi colega e amigo de Mário Cézar Leão.

571 MÁRIO CÉZAR LEÃO

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Nasceu em Goa na década de trinta do século passado.
Formou-se em Medicina, especializado em pneumologia.
Exerceu a sua profissão no mundo português, tendo passado por Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, e Portugal. Deixou descendência em ambos os arquipélagos.
 
Em Macau exerceu o seu ofício por cerca de 20 anos.
 
Sendo filho de um historiador, puxou-lhe a veia de seu pai, tendo dedicado boa parte do tempo e talento a investigar aspectos particulares de seu interesse.
 
É neste âmbito que escreve "Província do Norte do Estado da Índia" (1982), "Gentes da Índia por Terras de Macau"(1992) e ainda "A Introdução da Imprensa na Índia" (2012) lançado em Macau no clube C&C, antes de falecer.
 
Nota: Tomámos conhecimento deste médico e estudioso goês, através de sua linda neta caboverdiana, a qual, numa história emocionante, quis saber mais sobre o seu avô Goês, do qual ouvira falar vagamente mas nunca tinha estado em contacto, e a sua mãe, entretanto falecida, só o vira uma vez em vida. Mário Leão, quando saiu de Cabo Verde, não sabia que iria ser pai.

570 DA ÍNDIA PARA MACAU – MILITARES, MISSIONÁRIOS E OUTROS, por Jorge Rangel*

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"Há factos e referências históricas
que permitem localizar Goeses
autóctones, mestiços ou Indianos,
em Macau, desde o século XVI.”
Do opúsculo “Gentes da Índia por terras de Macau” (Instituto Internacional de Macau, Dezembro de 1999), de Mário Cézar Leão, apreciámos já, no artigo anterior, as partes mais pertinentes relacionadas com as relações históricas entre a então Índia Portuguesa e Macau. Na parte final do mesmo, foi realçada a relevância da Nau do Trato no contexto dessas relações. Com efeito, “a prosperidade trazida a Macau pela viagem ao Japão contrastava com as condições depauperantes e o progressivo declínio de Goa, a partir do século XVII, o que levou o Senado de Macau a afirmar, em 1640, que eram a sua cidade e os seus recursos provenientes do Japão que tinham evitado a decadência e o fim do Estado Português da Índia, em luta com os holandeses”.
No regresso do Extremo Oriente, “o Navio Negro, atracado em Goa, descarregando preciosidades e riquezas de um mundo distante, funcionaria como um pólo de atracção para quem já tivesse vivido, há bem pouco tempo, uma época áurea e por esse motivo aspirasse a novos horizontes e uma melhoria do estilo de vida”. Até por isso, conforme uma carta régia, já viviam em Macau, em princípios do século XVII, seiscentas famílias indo-portuguesas.
★Outras gentes vindas da Índia
Como vimos no referido artigo, “há factos e referências históricas que permitem localizar Goeses autóctones, mestiços ou Indianos, em Macau, desde o século XVI”. Com efeito, variadas gentes do subcontinente indiano demandaram estas paragens extremo-orientais. O autor recorda “os lascares mercenários do Malabar que foram colaboradores importantes dos portugueses desde o início da ocupação do Oriente, tomando parte em expedições de várias frentes, ao lado das forças militares europeias”. Assim, “lascarins, marinheiros indianos de várias etnias, recrutados localmente, constituíam a maior parte das naus, galeotas, fustas, juncos e outras embarcações que circulavam de feitoria em feitoria no comércio interno da Ásia ou em empreendimentos militares no mar”.
Uma decisão determinante, decretada pelo Marquês de Pombal, foi “a equiparação dos Goeses aos Portugueses, quando declarou os indígenas da Ásia portuguesa perfeitamente iguais perante a lei aos Portugueses nascidos no Reino”, tendo sido estabelecidas penas para quem tentasse conservar as diferenças anteriormente existentes. Este facto ampliou e consolidou a participação dos naturais na administração pública e na acção missionária.
De entre tantas vicissitudes da história, o autor quis destacar “a embaixada portuguesa que em 1640 se dirigiu ao Japão com o intuito de desbloquear uma situação de impasse comercial na sequência do decreto que proibia os portugueses de demandarem os portos nipónicos”. Desse grupo de 71 pessoas, “pelo menos dezassete eram de origem indiana [indo-portuguesa] e, entre eles, um dos quatro embaixadores, Luís Pais Pacheco, natural de Cochim e morador em Macau, foi um dos condenados à morte e degolados na Colina dos Mártires de Nagasáqui”. Posteriormente, foi chegando mais e mais gente, com os propósitos mais diversos e com capacidade interventora na afirmação da cidade.
Citando relatos e crónicas dos séculos seguintes, o autor recordou a vinda, em 1784, de 150 soldados de Goa “para integrarem as forças de defesa e segurança de Macau”, a incorporação de “41 soldados mouros”, em 1873, na guarnição local e a chegada, em Abril de 1888, de “150 Maratas sob o comando de um tenente da Índia Portuguesa para a guarda policial de Macau”. Foi também lembrada a instalação em Macau de uma colónia de Parses, “que a avaliar pelo cemitério que deixaram deve ter sido importante, mas é difícil hoje avaliar qual o impacto que a presença desse povo terá tido na sociedade macaense”.
Particularmente significativa foi, como é óbvio, a presença de homens da Igreja, oriundos da Índia Portuguesa, ao serviço de Deus em Macau. Já no século XVII, “a pedido da diocese de Macau, eram enviados padres seculares ordenados em Goa, para fazerem face às necessidades sempre crescentes de pessoal indispensável para a evangelização de Macau e regiões adjacentes, que continuaram a afluir nos séculos seguintes, juntamente com médicos, advogados, militares, magistrados, engenheiros, professores e funcionários públicos que às centenas se integravam nos quadros locais numa torrente quase constante até aos nossos dias”. Macau ficou certamente a dever imenso ao contributo positivo de gerações de homens e mulheres que, saindo de várias partes da Índia, cumpriram comissões de serviço ou se radicaram na Cidade do Santo Nome de Deus.
★Personalidades que se evidenciaram
Sem desprimor para tantos outros, o autor achou por bem mencionar os nomes de algumas personalidades que se evidenciaram em diversificados ramos de actividade. Assim, no campo eclesiástico, a ligação foi intensa desde os primórdios de Macau, através de sacerdotes formados em Goa, merecendo ser referenciados párocos e cónegos do século XIX, como Caetano Filipe da Piedade Conceição, de Margão, e Francisco Caetano Santana e Costa, de Cansaulim, e, mais perto de nós, o cónego Francisco Xavier Soares, natural de Aldoná, “que por mais de quarenta anos missionou em Macau, destacando-se no entanto entre todos, pela sua abnegação e dedicação pelo ministério de Deus, o Pe. Manuel Francisco do Rosário Almeida, natural de Chinchinim, a quem se deve a fundação do Hospital Asilo dos Pobres e o Asilo da Infância Desvalida”. Também se destacou o dominicano João Xavier da Trindade e Sousa, “último superior do convento de S. Domingos em Macau, deputado às Côrtes por Timor e por fim Bispo de Malaca”.
Nas áreas da saúde e assistência, ganharam reconhecimento os médicos Henrique Vítor Figueiredo e João Jacques Floriano Álvares, que se integraram bem na sociedade macaense, ainda no século XIX, e aqui deixaram descendência, João António Filipe de Morais Palha, que “permaneceu trinta e cinco anos em Macau, tendo exercido funções de director dos Serviços de Saúde”, e Pedro Joaquim Peregrino da Costa, “que por lá labutou entre 1916 e 1939, com grande apreço e reconhecimento da população que serviu”, tendo dedicado os tempos livres ao estudo da História de Macau e do Oriente.
Quanto a outras áreas profissionais, Mário Cézar Leão apontou os nomes de João Maria Sequeira, “capitão das milícias de Bardez (Goa) que foi secretário do Governador”, Francisco Assiz Fernandes, “que foi Delegado do Procurador Régio, vereador e presidente do Leal Senado”, José Gabriel Fernandes, “que exerceu funções de Juiz da Paz e dos Órfãos e Síndicos da Santa Casa da Misericórdia e das Missões de Pequim”, João Baptista Gomes, “Delegado do Procurador Régio e Juiz Administrador das Alfândegas, cujo sangue corre ainda nas veias de várias famílias macaenses”, Saturnino Pereira, “pai de Francisco Xavier Pereira, nascido em Macau, formado em Direito pela Universidade de Coimbra, que foi vulto eminente na sociedade do seu tempo, tendo sido presidente do Leal Senado e cujo nome foi dado a uma das principais artérias da cidade onde nasceu”, e o advogado Caetano José Lourenço, “pai do capitão de artilharia Eduardo Lourenço, nascido em Macau, uma das figuras proeminentes da vida pública da sua terra”.
Nos últimos parágrafos do texto, foi enfatizado o significado “da percentagem de sangue de Goa que corre nas veias das gentes de Macau”, sendo “o Macaense, filho da terra, produto híbrido multirracial, com características somáticas e antropobiológicas específicas, com uma língua, dialecto do português, cultura, tradição e folclore próprios, um todo, integrado por vários componentes e como não podia deixar de ser, a Índia teve uma quota parte nesta mesclada composição”. Assim foi ao longo de séculos, até aos nossos dias.
Ficou certamente muito por dizer, sendo, por isso, necessário que mais investigadores dêem continuidade a este importante trabalho.
* Presidente do Instituto Internacional de Macau.
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