Manifestações Goesas de Apoio ao Estado Português da Índia 1954



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De ascendência portuguesa europeia, era irmão da notável pianista Nina Marques Pereira e filho do General Brigado do Exército da Índia Alberto Feliciano Marques Pereira.
510 ALBERTO FELICIANO MARQUES PEREIRA JÚNIOR, Capitão de Artilharia
"Alberto Feliciano Marques Pereira Júnior nasceu a 18 de agosto de 1908 em Goa, primeiro filho de Alberto Feliciano Marques Pereira e de Emília da Conceição Prazeres.
Seu Pai, Alberto Feliciano Marques Pereira (1866-1936) nasce e é batizado em Macau mas aos 4 anos vai para Lisboa onde faz os seus estudos até à entrada na Escola do Exército. Em 1886, segue para Angola como ajudante de campo do Governador-geral, Guilherme Capelo. Em 1893, é nomeado vice-cônsul de Portugal no estado independente do Congo. Em finais de 1893, é transferido para a Índia, como professor de língua e literatura inglesa do Liceu Nacional de Nova Goa. Em 1919 é nomeado professor do Liceu Central de Lourenço Marques (atual Maputo), Moçambique. Regressa à metrópole em 1927, doente e incapacitado, vindo a falecer em 1936, aos 70 anos, com o posto de General.
A partir da data de seu nascimento, em 1908, até ao regresso da família à metrópole, em 1927, Alberto Feliciano Marques Pereira Júnior acompanha o itinerário de vida de seu pai. Nascido em Goa, ali permanece até 1919, quando o pai vai para Lourenço Marques. Ali faz os seus estudos e passa a sua adolescência, entre os 11 e os 19 anos. Trabalha nos Correios de Moçambique, para ajudar o orçamento familiar, e assim aprofunda o contacto com a terra africana que virá sempre procurar reviver no futuro, alargando-o às terras onde ele próprio nasceu ou viveram os seus antepassados: à Índia que nunca esqueceu; a Macau, onde nasceu seu Pai; a S. Tomé e Príncipe e a Timor.
No regresso da família a Lisboa, Alberto Feliciano Marques Pereira Júnior inicia os seus estudos superiores. Frequenta o Curso Geral de Engenharia no Instituto Superior Técnico, o Curso da Arma de Artilharia na Escola do Exército, o Curso de Professor de Educação Física, no Instituto Nacional de Educação Física, e o Curso da Escola Superior Colonial, todos concluindo com êxito.
No decurso da sua carreira militar, foi comandante do corpo expedicionário que foi destacado para os Açores durante a Segunda Guerra Mundial.
Em 1946, é nomeado Professor de Educação Física na Escola Superior Colonial - posteriormente designada como Instituto de Estudos Ultramarinos e, ainda, Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina (atual ISCSP) - tendo-lhe sido autorizada a acumulação de funções com a docência no Instituto Nacional de Educação Física (INEF, depois ISEF e atual Faculdade de Motricidade Humana).
Em maio de 1953, foi averbada a sua passagem à situação de reserva.
Entre 1942 e 1966, publica inúmeros trabalhos resultantes da sua atividade profissional, como professor de Educação Física, matéria em cujo desenvolvimento - em conjunto com seu irmão Celestino Marques Pereira - foi pioneiro em Portugal.
Ministra múltiplas ações de formação, dá e participa em conferências e organiza iniciativas para a promoção do estudo e da prática da Educação Física, da Ginástica e do Campismo, em Portugal e no estrangeiro.
Esta atividade profissional, inscrita na tradição do serviço público na sua mais lata aceção, leva-o também às partes do Mundo onde os portugueses tinham chegado e ficado, tal como acontecera com os seus antepassados.
As suas múltiplas viagens destinavam-se a cumprir calendários profissionais de formação mas também a conhecer e a relatar e registar o que via, através das suas fotografias e dos seus livros.
Fotógrafo notável, sabia reunir à precisão da técnica a faculdade de surpreender a realidade implícita do observado.
Foi assim que nasceu a maioria dos livros que publicou e os que deixou inacabados: fotografava, colhia depoimentos, estudava a terra e as gentes e elaborava e compunha os seus textos.
Para além da sua atividade profissional como docente em Educação Física, da sua investigação antropológica e cultural, Alberto Feliciano Marques Pereira Júnior era alguém que via na graça da Fé (Católica) uma razão de vida.
Inscrevem-se nesta sua faceta, obras como «Por Terras de Cristo», «Caminhos da Terra Santa» e as que deixou inacabadas sobre o culto mariano no Mundo e a História da Capela de Nossa Senhora da Saúde, em Lisboa.
Também no seu livro «Arte e Natureza em Moçambique», publicado em 1966, no que deixou inacabado sobre S. Tomé e Príncipe ou naqueles que apenas projetou sobre Timor e Macau (e do qual restou um valioso espólio fotográfico) se revela um particular cuidado no tratamento do tema religioso.
Na sequência da perda das possessões portuguesas na Índia e da sua bem-amada terra-natal, Goa, e marcado pela revolta pessoal, publica a obra «Índia Portuguesa - Penhores do seu resgate».
Poeta, como seu pai, publicou igualmente alguma poesia.
Alberto Feliciano Marques Pereira Júnior faleceu prematuramente, com 61 anos, em finais de 1969."
em http://arquivo.presidencia.pt/details?id=36525.

Nascida em Pondá, Goa, filha de mãe goesa católica e pai goês hindu, Sónia é conhecida pelo trabalho que tem feito em Goa e no sub-continente em prol do Fado, género musical vindo de Portugal.
Formada em Direito, Sónia partilhou o ensino das leis, com uma carreira no mundo da música.
Capaz de cantar em treze línguas diferentes, do português ao concani, e em diversos estilos musicais, foi no gênero Fado que Sónia se tem destacado no panorama goês e internacional ultimamente.
Teve como principais influências, o gosto herdado de sua mãe, e os ensinamentos do mestre da guitarra portuguesa António Chainho.
Colaborou com muitas estrelas fadistas, desde o citado Mestre Chaínho, a Katia Guerreiro, Maria Ana Bobone, Raquel Tavares, Rao Kyao, Carlos do Carmo, Argentina Santos, Miguel Capucho ou Ricardo Rocha.
Actuou em Goa, mas também em Damão, Bangalore, Mumbai, Delhi, Calcutá, Luxemburgo, Macau, Kuwait, França, Singapura, Hawai, Nepal, Canadá, Londres, Dubai, Muscate, Lisboa e Qatar.
Também atuou na Califórnia, Toronto, Paris, Porto, Oeiras, Seul e em programas televisivos em Portugal.
Sónia Shirsat tem promovido o ensino do Fado em Goa, e por lá inaugurou recentemente um estabelecimento exclusivo para o canto do Fado, de nome Madragoa.

Ângelo da Fonseca foi um pintor multifacetado de Goa
Nasceu na Ilha de Santo Estevão, de uma família terratenente muito influente. O seu pai, Luís Bonaparte Alboim da Fonseca era um grande adepto e partidário de Portugal e do Estado Português da Índia.
Após formação inicial, Ângelo da Fonseca parte para Bombaim para estudar Medicina no reputado Grant Medical College, mas cedo trocou-o pela J.J.School of Art.
Em 1930, julgando-a demasiado britânica e ocidentalizada, parte para Calcutá e adere a Escola Shantiniketam onde tem Rabinadrath Tagore como guru e Nandalai Bose como professor.
Em 1931, volta a Goa.
Sendo cristão, muitos dos seus quadros começaram a expressar elementos dessa religião. Fonseca foi responsável pelo surgimento na Índia do movimento Christian Cultural Renaissance.
Fonseca veio a demonstrar uma enorme veia produtiva, tendo executado mais de 1000 obras de pintura com todo o tipo de materiais e em todo o tipo de suporte, do vitral á tela, passando pelo gesso e murais, tanto em Goa como na Índia, ou na Alemanha, por exemplo.
Contrariamente ao seu pai, Fonseca nutria nítida antipatia pelo Estado Português da Índia, e também pelo regime do Estado Novo. Por seu turno, o regime e a igreja local de Santo Estevão mostraram o seu descontentamento com a indianização das suas pinturas, onde, por exemplo, pintara uma Virgem Maria em sari.
Incompatibilizado, Fonseca opta por sair de Goa e estabelce-se em Puna onde se casou em 1951, foi pai em 1957, e faleceu dez anos depois.
adaptado

Talvez o primeiro Damanense aqui retratado, pois Mário de Miranda tendo nascido em Damão, a sua família ancestral é de Goa.
Noel Gama é um cantor, compositor e multi-instrumentista nascido no antigo enclave português, sendo de ascendência damanense e portuguêsa.
Além de compor músicas tanto em inglês como em português, a sua língua materna, Noel especializou-se na interpretação de temas populares portugueses tradicionais, e de cantores pop como Tony Carreira, sendo um grande fã da música portuguesa em geral, e um farol dela no sub continente indiano.
Em 2016, Noel venceu o "U.K. Songwriting Contest 2016” com a sua canção “Blind Vision”, na categoria Adulto Contemporâneo. Anteriormente em 2007, venceu ainda no Reino Unido, o prémio "Writer Of The Year", atribuído pelo The Writers Bureau.
Noel tem também várias parcerias de composição com músicos americanos de Los Angeles e Nova Iorque.
Mestre em Administração Pública e de Negócios, Noel trabalha ainda em Recursos Humanos numa "major" indiana, e mora em Damão, numa vila do século XVI, que diz, muito o inspirar.

Rui Leão é um jovem arquiteto de origem goesa estabelecido em Macau
Com uma já importante carreira profissional, foi selecionado para a exposição «100 Arquitectos do Ano 2017», inaugurada em Seul, a 5 de setembro.
Um ano antes, na cidade do Rio de Janeiro foi eleito Presidente do Conselho dos Arquitectos de Língua Portuguesa (CIALP), por um período de três anos.
Em 2012, o seu projeto com a sua associada Carlotta Bruni (LBA Architecture & Planning) de uma sala de leitura da Escola Portuguesa de Macau ganhou o prémio UNESCO.
Rui Leão é vice presidente da Associação dos Arquitectos de Macau e Membro do Comité de Planeamento Urbano da Região Autónoma Especial de Macau.
Leão ganhou também outros prêmios, incluindo o «Arcádia Gold Medal for Architecture».
Os seus projetos encontram-se plasmados um pouco por toda a região Ásia-Pacífico.


A tourada ou "chega de bois", enquanto forma de luta envolvendo touros, é uma atividade desportiva muito popular em Goa, e uma prática ancestral ligada às comunidades agrárias católicas.
Em concani, é chamada de Dhirio.
Aqui, dois touros brigam entre si, geralmente numa área aberta. Às vezes, a tourada termina em 30 minutos, outras dura até 1 hora, dependendo da capacidade de luta dos touros.
A luta ocorre a qualquer momento, com base no desafio feito por ambos os proprietários dos touros.
Um treino diário é dado aos touros, levando-os para longas caminhadas, o que os mantêm em forma e prontos para a luta.
Estes touros de luta são mantidos separados de outros touros normais.
As lutas de touros são famosas no sul de Goa, e os goeses são loucos por assistirem a elas, em assistências que chegam a alguns milhares de pessoas.
Atualmente, esta manifestação cultural foi ilegalizada pelo governo indiano a revelia dos goeses, mas não totalmente banida, por continuar na clandestinidade.
A discussão pública mantém-se, com a vontade da comunidade católica em manter esta ancestral atividade à luz do dia.

A cidade da Beira dos anos 60 e 70, fervilhava de entusiasmo pelo «rock and roll».
Praticamente não existia grupo onde não pontuasse um ou vários goeses.




Capitão-Médico Luís Caetano de Santana Álvares (278)

Luís Gonzaga da Costa Álvares, irmão de Carlos da Costa Álvares.
Fotógrafo «Baptista & Vasquez», Rua D.Pedro V, 2, Lisboa.

Carlos da Costa Álvares, filho do Dr. José Camilo Dionísio Álvares e de Joana Mazoni da Costa, na Escola Prática de Infantaria.
Fotógrafo «Cardoso & Correia», sito na Rua da Palma, 37, 1°, Lisboa.

Bernardino Camilo Cincinato da Costa durante a Exposição Universal de Paris, 1900.

António Cláudio Ignácio Caetano Xavier homónimo de um outro ilustre conterrâneo, Ignácio Caetano Xavier (315), nasceu em Pangim, a 14 de Março de 1877. E nada mais sabemos, pelo que qualquer outra informação será bem vinda.
IV Centenário da Descoberta do Caminho Marítimo para a Índia. Desfile de senhoras goesas.
Lisboa, 1898. Arquivo Fotográfico CML.

Luís Caetano Gonzaga de Menezes (1864), Médico e Delegado de Saúde do Território de Damão.

Major João Vicente de Sant'Anna Dias, irmão mais velho do General Miguel Caetano Dias.

D. Francisco Xavier Oliveira Pegado, Capitão do Exército, natural de Panjim.

Casa na aldeia de Murdá, terra natal de Francisco Gomes da Silva, Major do Exército da India Portuguêsa.

Os Costa, de Margão.
Orlando Costa, pai do atual Primeiro-Ministro de Portugal, é a criança mais jovem da foto.

A Família Quadros, 1904.

Senhora goesa passeando acompanhada, no Rossio. Anos 40 do século XX.

Nesta foto podemos observar D.Joana Clara Pulquéria Mazoni da Costa, neta de Constâncio Roque da Costa (018) e filha de Bernardo Francisco da Costa (017) e de Melina Mazoni, filha do professor de música italiano de D.Pedro V e mãe francesa.
Era irmã do Dr.Alfredo da Costa (003). Do seu lado, o seu marido o General-Médico José Camilo da Costa Álvares (194).
Fotógrafo «Photografia Central» de Muñiz & Martinez, Lisboa.

Uma rapariga goesa em Lisboa, séc XIX/XX.
Fotógrafo «Coelho Mourão», R.Santa Justa, 25, Lisboa.


Senhorita Goesa em Lisboa
Anos 20/30 séc,XX
Fotógrafo não identificado


Cavalheiro Goês em Lisboa

Natural de Margão, Goa, destacou-se como Governador de Damão.
Segundo a Lista de Antiguidades de Oficiais das Colónias Portuguesas (publicado pelo Ministério da Marinha e do Ultramar) e referida a 31 de Dezembro de 1889, o Major Bernardino Camillo de Sant'Anna Pacheco, do Quadro de Oficiais do Estado da Índia, já tinha a ordem de S. Bento de Aviz (grau de Cavaleiro), a qual terá portanto recebido anteriormente ao Regulamento de 1894, daí a insígnia não ser encimada pela Coroa Real.
Os processos destes Oficiais estão no Arquivo Histórico Ultramarino.
Bernardino Pacheco assentou praça em 16 de Junho de 1842 e já tinha 20 anos quando o fez (portanto terá nascido circa 1822).
Foi Alferes (13 de Outubro de 1852), Tenente (4 de Março de 1869), Capitão (13 de Julho de 1882) e Major (22 de Outubro de 1885),
A casa dos Pacheco, em Margão foi doada à Ordem das irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, que depois começaram o Colégio de Nossa Senhora da Apresentação em Goa (hoje uma das duas principais escolas para raparigas em Margão – em inglês é conhecida como “Presentation College” e é ainda gerido por essas irmãs).
em https://www.geni.com/

Não foi a Madeira (1976), os Açores (1895) ou o Estado do Brasil (1549/1815), a primeira Região Autónoma de Portugal.
Foi o Estado Português da Índia, instituído em 1505.
Nem mesmo o dito Reino do Algarve, incorporado em 1240, teve alguma vez algum tipo de administração própria dedicada, para além de um Governador, nomeado entre 1573 e 1834,
O Estado da Índia foi também aquela autonomia que mais tempo durou, 456 anos, e em maior grau.
Tinha autonomia jurídica e administrativa, senado, casa dos vinte e quatro, moeda própria, arsenal, alguma autonomia militar e financeira, entre outras coisas.
Por ele passaram 132 Vice-Reis (ou Governadores) e 34 Bispos e Arcebispos, com jurisdição sobre dioceses que iam de Moçambique ao Japão.
Teve três capitais: Cochim (1505/1510), cidade de Goa (1510/1843), e Nova Goa ou Pangim (1843/1961).
Embora territorialmente pequeno, no sentido estritamente terrestre, a sua influência era da dimensão do Oceano Índico (e parte do Oceano Pacífico), e seus muitos povos, culturas e civilizações espalhados numa área oceânica de mais de 70.000.000 de quilómetros quadrados.
O seu início foi fulgurante, e rapidamente atingiu o zénite no século XVI e XVII, após o qual assistiu a um longo e lento período de decadência e desmembramento.
Terminou com a sua anexação em 1961, pela recente União Indiana, do que dele restava: Goa, Damão e Diu.
Nota: na gravura, os brasões do Estado Português da Índia, do Estado do Brasil, e das Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores.

Jornalista, colunista e crítica cinematográfica no «Evening News of India» e no «Times of India», era flha do educador goês Isidoro Mendonça.
Graduou-se pelo St. Xavier's College, da Universidade de Bombaim.
Foi eleita vice-presidente da «Associação de Jornalistas de Cinema» aquando da fundação em Bombaim,1939. Compartilhou o cargo com Khwaja Ahmad Abbas, enquanto Baburao Patel foi eleito presidente.
Na época da sua morte prematura, em 1953, Mendonça escrevia resenhas de filmes de Bollywood para o suplemento de domingo da «Times Of India», onde tinha uma grande base de leitores, tendo aí trabalhado por vinte anos.
Para homenagear a sua memória, o «Prémio Filmfare» foi inicialmente nomeado «Clare Award» quando instituído pela primeira vez em 1954.
Lê-se na foto, "The only lady journalist of the screen".

Frank d'Souza nasceu em Carachi, na Índia Britânica, de pais Goeses.
Estudou na St.Patrick High School, após o qual começou a trabalhar como Guarda Ferroviário na British India Railways.
Ao longo dos anos foi subindo na hierarquia até que, em 1929 foi convidado para Membro do Railway Board of India.
Foi o primeiro industânico designado para o Quadro que compreendia cinco elementos: o Comissário Chefe, o Comissário Financeiro, e três Membros, um para a Via, Oficinas, Projetos e Armazenamento, outro para Administração e Pessoal, e outro ainda para Tráfego, Transportes e Área Comercial.
Todos os Britânicos pertenciam ao Indian Civil Service (ICS). Contudo Frank d'Souza nem pertencia ao ICS, nem tinha formação universitária, pelo que a sua escolha foi inteiramente baseada no seu mérito.
O ICS fora até a primeira Grande Guerra, um reduto dos europeus da Europa, mas a partir daí passa a incluir europeus do subcontinente e mestiços como os anglo-indianos. Frank d'Souza também não se enquadrava em nenhuma destas categorias.
Em 1947, com a independência da Índia, surge a partilha do território entre União Indiana e Paquistão. Frank d'Souza opta pela União Indiana, e vê a sua grande propriedade, denominada «Maryville», nos arredores de Carachi, confiscada ao abrigo dos tratados entre os dois jovens países.
Mas o Paquistão precisava urgentemente de um homem capaz de estabelecer uma rede ferroviária autónoma e coerente para o país.
É aí que entra o mítico Mohammed Ali Jinnah, pai da nação paquistanesa e seu primeiro governador, que pede pessoalmente a Frank d'Souza para que volte, oferecendo-lhe a sua antiga propriedade em troca.
Frank d'Souza aceita e regressa para estabelecer o Pakistani Railways.
Finda a tarefa, retorna definitivamente para a União Indiana, e doa a sua propriedade á «Ordem das Irmãs da Misericórdia», para ser usada como lar para as freiras mais idosas.
Esta propriedade foi também residência de um dos seus filhos, entretanto tornado padre.
adaptado

Luís João Mascarenhas partiu de Goa em 1898 para o noroeste do Raj britânico a procura de trabalho.
Encontra-o no recente Porto de Carachi, mas durante os primeiros seis meses não recebeu salário.
Em 1930, trinta e dois anos depois, ascende ao cargo de Secretário do Porto daquela cidade em franco crescimento, sendo o primeiro industânico a ocupar aquele lugar.
Em 1935 recebe do Rei Jorge V, a medalha 🏅 de membro da «Most Excellent Order of the British Empire» (MBE).
Após a sua reforma em 1939, pertenceu á direcção da «Indian Life Assurance Company» e da «Catholic Colony Cooperative Society».
Ajudou a fundar a Paróquia de St.Lawrence.
Faleceu em 1972.

Expoente máximo do pioneirismo goês na Índia Britânica e no mundo, Cincinato de Abreu teve um notável percurso na então nascente Carachi, hoje uma megalópole do Paquistão com uma população de cerca de quinze milhões de habitantes.
Tido em alta estima pelos cidadão daquela cidade, é considerado um dos doze mais influentes personagens da Província de Sind, de cuja Carachi, a principal cidade paquistanesa, é capital.
Cincinato nasceu em Saligão, Goa, filho de Manoel e Maria de Abreu.
O seu pai havia sido pioneiro na colonização da Província de Sind, para onde emigrara em 1846, logo três anos depois da conquista do território pelos britânicos.
Ainda jovem, Cincinato é levado para Carachi onde frequenta o St.Patrick College. Porém, é obrigado a interromper os estudo aos dezasseis anos por via do falecimento do seu pai, e a procurar trabalho.
Arranja-o como balconista na «Civil and Military Gazette Press». Dois anos depois transita para a firma britânica «Forbes, Forbes and Campbell», especializada na importação e exportação comercial.
Em 1889, aos 27 anos, ingressa na sede do Comissariado de Sind como funcionário, tendo chegado a Comissário Assistente.
Em 1895 é promovido ao cargo de Assistente Fiscal de Sukkur e finalmente, é eleito Presidente desse município. Nessa função, participa no desenvolvimento e elaboração do sistema de captação, irrigação e fornecimento de água a crescente e vibrante cidade de Carachi.
Em 1897 retorna a Carachi onde ocupa vários cargos, como Assistente Aduaneiro e Mestre de Expedição, entre outros. Torna-se Assistente na cobrança do Imposto do Sal, de grande importância e responsabilidade na época.
Foi Conselheiro do Municipal de Karachi por muitos anos, e fez uma contribuição notável para a vida cívica em Karachi, tendo chegado a Vice Presidente do município:
Foi um dos principais fundadores e contribuidores da prestigiada «Goan-Portuguese Association», futura «Karachi Goan Association».
Desempenhou um papel importante no lançamento da «Indian Flour Mills», da «Union Press» e da «Indian Life Assurance Company», da qual foi secretário por muitos anos.
Foi um dos diretores da «Karachi Building and Development Company», responsável pelo planeamento e desenvolvimento da cidade.
Foi diretor da «Karachi Electric Supply Corporation»
Em 1908 adquiriu cerca de 100 acres de terreno fora da cidade onde fundou com Latin Britto, seu familiar por afinidade, a «Cincinattus Town», inicialmente um reduto católico, hoje parte da zona residencial elitista do Gardens East, em Carachi, habitado maioritariamente por ismaelitas.
Reformou-se em 1917, continuando a ter uma intensa vida social. O seu sucesso, levou a que muitas famílias de Saligão tenha lhe seguido as pisadas e se instalado em Carachi.
Faleceu em 1929, antes da independência e subsequente partição da União Indiana.


Cândido do Carmo Azevedo nasceu em Damão, viveu 10 anos em Goa e conheceu Diu.
Os seus pais são naturais de Goa, antiga Índia Portuguesa, mas os seus avós vieram de Portugal.
Para além da Índia, Cândido do Carmo Azevedo viveu dezasseis anos em Moçambique, estudou em Lisboa e esteve ainda vinte e cinco anos em Macau, onde foi professor de História da China Antiga, no Instituto Politécnico local.
Lecionou em Pequim.
Em 1988 retornou a Damão, sua terra natal onde reviveu os lugares de sua infância. Da experiência resultou o livro "Goa, Damão e Diu: Factos, Comunidade e Lazer nos Meados do Século XX" publicado em 1994, premiado com o galardão «Camilo Pessanha» para a melhor obra sobre o oriente português.
«O Lúdico na História do Oriente Português», «Romantismo e Sport em Macau e Goa na transição do século XIX para o século XX», e «Portas do Cerco : a ténue fronteira no conflito sino-japonês de 1894 a 1945» são mais algumas das suas obras.
Recentemente regressou a Portugal, onde é professor convidado nalgumas universidades.