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A caracterização da participação goesa nas Guerras do Ultramar, não se limita à contabilização dos óbitos e dos feridos.
Ela acaba por ser o espelho da própria presença goesa na sociedade portuguesa, de modo que os Goeses, não sendo nunca muitos em termos absolutos, estão em todos os graus da hierarquia militar, e em todos os ramos e armas das forças armadas.
Houveram oficiais milicianos Goeses no Exército, na Marinha e na Força Aérea, e, dentro destes três ramos, Oficiais de Cavalaria, Oficiais Pilotos-Aviadores, Oficiais-Médicos, etc, fruto das respectivas formações de base, quer fosse em Direito, Medicina, Engenharia ou outra área.
Já em 1961, bem no início do conflito em larga escala, o Alferes Freitas, pilotava aviões militares em Angola, terra onde nascera, de pais goeses. Este é apenas um exemplo.
Também ao nível dos Sargentos milicianos, com um nível de instrução base intermédia, houveram um número considerável de Goeses e, obviamente, ao nível dos Praças, como seria expectável.
De destacar que as primeiros vitimas do embate com os indiano na Índia Portuguesa, eram objectivamente goeses do pessoal do Quadro Permanente, respetivamente Chefe de Polícia, Cabo de Polícia e Guarda, o que acaba por reflectir um pouco a longa presença e tradição goesa na carreira e administração pública portuguesa.
Do Quadro Permanente existiram também mais alguns casos, o mais conhecido e mediático, o de Otelo Saraiva de Carvalho, oficial de baixa/média patente e ex-instrutor da Mocidade Portuguesa, que ganhou notoriedade enquanto líder operacional do 25 de Abril, revolução que pôs termo á Guerra do Ultramar. Sendo português e moçambicano por nascimento, tinha ligações a Goa pelo lado materno. Terá também sido mentor do grupo terrorista «FP-25 de Abril», responsável por alguns atentados e assaltos, no período subsequente à Revolução dos Cravos.
Outro caso bem conhecido, não pelas melhores razões, é o do homem responsável pela morte do líder da Frelimo, Eduardo Mondlane. Trata-se de Casimiro Monteiro, agente da Pide, nascido em Goa, de mãe goesa e pai transmontano. Autêntico "cão de fila", foi um personagem implacável, que esteve em três teatros de guerra distintos (Europa durante a Segunda Grande Guerra, Índia e África Portuguesa).
A ele também se atribui a eliminação física do General Humberto Delgado e de sua secretária em Badajoz. Certo é que terá preparado o engenho explosivo que terminou com a vida do líder guerrilheiro moçambicano, e terá sido o próprio Casimiro quem, penetrando em território inimigo (Tanzânia), o enviou por correio tanzaniano, a fim de evitar suspeitas.
Por fim, não seriamos isentos, se não referíssemos a presença goesa no outro lado do conflito.
Em Moçambique, na génese da Frelimo, estiveram envolvidos pelo menos três líderes Goeses: Sérgio Vieira, Óscar Monteiro e Aquino de Bragança. Jorge Rebelo, outro histórico da Frelimo, será de ascendência goesa também, hipótese que contudo carece de confirmação. Todos participaram ativamente na auto-denominada "luta de libertação", como estiveram também presentes nas negociações de independência em 1975 e período subsequente.
Em Angola e já tardiamente (1975), junta-se ao MPLA como dirigente política, a jovem e bela Sita Valles, angolana por nascimento e coração, goesa por ascendência. Seria executada pelo próprio partido, tal como foi o seu marido, Nito Van Dunen, irmão da actual ministra da justiça portuguesa, Francisca Van Dunen.
Também a União Indiana teve entre as suas fileiras alguns militares goeses como foi o caso do «Airfield Marshal», Willmot Pinto, aviador que participou na Invasão de Goa e que, coisas do destino, morreu algum tempo depois nos Himalaias, numa queda de helicóptero.
Políticos de esquerda ditos"nacionalistas", intelectuais arvorados em "anti-colonialistas", e agitadores de serviço, conhecidos por «freedom-fighters», e que não iremos aqui elencar, estiveram também do lado da União Indiana.
Podemos com segurança afirmar que o conflito denominado Guerra do Ultramar, teve uma presença transversal dos Goeses, quer fosse a nivel ideológico, operacional, geográfico ou sociológico.