Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

GALERIA DOS GOESES ILUSTRES

INTROSPECÇÃO SOBRE A ORIGEM, O ALCANCE E OS LIMITES DA IDENTIDADE GOESA, E O SEU CONTRIBUTO HISTÓRICO E SOCIAL EM PORTUGAL E NO MUNDO

GALERIA DOS GOESES ILUSTRES

INTROSPECÇÃO SOBRE A ORIGEM, O ALCANCE E OS LIMITES DA IDENTIDADE GOESA, E O SEU CONTRIBUTO HISTÓRICO E SOCIAL EM PORTUGAL E NO MUNDO

441 CÓNEGO BALTAZAR ESTRÓCIO FALEIRO (16/04/1845)

canon_balthazar_e_falleiro_medium.jpg

 

Baltazar Estrócio do Rosário Faleiro nasceu em Margão, ilha de Salcete, Goa.

 

Cursou o antigo Liceu de Goa e o Curso de Teologia no Seminário de Rachol (1867) e foi ordenado Diácono no ano seguinte.

 

Em 1873 parte para Lisboa onde é ordenado Padre.

 

É enviado como Missionário para Meliapore, Índia Britânica, onde entre 1876/86, exerce os cargos de Vigário de Kovelong, Madrasta e Meliapore, sendo Prior do Convento de São Tomé.

 

É transferido para a Diocese de Macau onde leciona lingua inglesa sendo designado Cónego e Secretário do Cabido da Diocese de Macau.

 

É Professor da disciplina de inglês Liceu de Macau no biénio 1891/92 ano de inauguração, fazendo parte do corpo docente onde militava também o escritor português Wenceslau José de Morais.

 

Como Secretário, acompanha o Bispo de Macau a Singapura (1881/91) e Timor (1892/93).

 

Em 1894 regressa a Goa, onde veio a falecer em sua casa no ano de 1918.

 

 

segundo Diccionário de Goanidade, de Domingos Soares Rebelo

440 MIGUEL ARAÚJO E A AZEITONA GOESA (13/07/1978)

img_797x448$2017_06_14_16_55_33_235902.jpg

 

Maria Luísa, tia bisavó de Miguel Araujo

 

 

Miguel Costa Pinheiro de Araújo Jorge é um jovem, mas  bem conhecido, músico instumentista, cantor, compositor, blogger e escritor português.

 

Nasceu na cidade da Maia, e ficou famoso através do sucesso da banda Os Azeitonas, criada em 2002, mas cujo album de estreia surgiria apenas em 2007.

 

Antes disso, fez parte de uma banda de covers e dos Yellow Lello.

 

Toca guitarra baixo e depois guitarra, começando a compor não só para a sua banda como para outros renomados artistas como João Só, Ana Moura, António Zambujo, etc.

 

Ainda em 2007, cria um alter-ego, o Mendes, e um blog intitulado O Blog do Mendes

 

Em 2012 lança o seu primeiro album a solo, Cinco Dias e Meio, e em 2014 o segundo, Crónicas da Cidade Grande. 

 

Em 2016 abandona Os Azeitonas para se dedicar interamente a sua carreira a solo.

 

Em 2018 edita o livro Penas de Pato.

 

Desde 2013 nomeado para vários galardões, vence em 2015 o Globos de Ouro Melhor Música com a A Pica do Sete na voz de António Zambujo, e em 2017, o Iberian Festival Awards - Best Live Performance e o Bang Awards Animation Festival.

 

 

Como o próprio escreveu em momento oportuno, Miguel Araújo é trineto de trisavó goesa.

 

O seu trisavô, António Malheiro, era Juíz em Benguela, Província de Angola, quando conhece Luísa, uma goesa católica de Salcete (Goa, Índia Portuguesa).

 

Casam-se, e, numa daquelas reviravoltas da vida, decidem abandonar Angola, e com a famíla entretanto nascida, rumar ao Arquipélago de São Tomé e Príncipe, onde compram uma roça de 800 hectares na Ilha de São Tomé, na freguesia de Nossa Senhora das Neves, por 40 contos de réis.

 

Nasce assim a Roça Maria Luíza, em homenagem á filha  mais velha do casal (na foto).

 

A filha mas nova do casal, Alice, veio a ser a bisavó de Miguel Araújo.

 

Nasceu e foi batizada em 1901 na referida freguesia, mas ao ano de idade, como os negócios familiares não correm de feição, vem para Portugal, vindo a falecer já idosa, em Águas Santas, Porto, estando a bisavó na memória pessoal de Miguel Araújo.

 

Certamente a partir de agora ouvirei as canções de Miguel Araújo com particular atenção.

 

 

 

 

 

022 PASCOAL DE MELLO (17/05/1887)

21728068_825296074304353_4223059665888499765_n.jpg

 

Indalêcio Pascoal Froilano de Mello foi um microbiologista goês, cientista médico, professor, escritor e político membro do Parlamento.

Ao longo da carreira como cientista, Mello foi responsável pela descoberta de centenas de protozoários, parasitas e micróbios que hoje são conhecidos por nome latinos batizados por ele, seguidos do seu próprio nome. Foi prefeito de Pangim entre 1938–1945.
 
Durante sua participação como membro do Parlamento português (1945-1949), foi o representante dos eleitores da Índia Portuguesa, que compreendia Goa e Damão e Diu, na Assembleia Nacional de Lisboa.

 
Primeiros Anos

Froilano de Mello nasceu em Benaulim, Salcete, filho de pais católicos naturais de Goa. Foi o mais velho dos filhos do advogado Constâncio Francisco de Mello e de Delfina Rodrigues, filha do Dr. 222 RAIMUNDO VENÂNCIO RODRIGUES (13/05/1813) que foi prefeito de Coimbra e membro das Cortes Gerais de Portugal além de um dos primeiros diretores da Faculdade de Medicina de Goa (então conhecida como Escola Médico–Cirúrgica de Goa).
 
 
Constâncio morreu quando Froilano contava com 12 anos de idade, o que causou dificuldades financeiras para a família. As rendas das propriedades eram insuficientes para suprirem necessidades econômicas familiares e com isso, o jovem Froilano teve que trabalhar ao mesmo tempo em que estudava.
 
Graduou-se como doutor em medicina na cidade de Pangim, e mais tarde repetiu o curso em Porto, Portugal. Em 1910, voltou para Goa com o diploma adicional de Medicina Tropical da Universidade de Lisboa.

 
Carreira Académica e Científica

Em 1910, aos 23 anos de idade, foi indicado para professor da prestigiada Faculdade de Medicina de Goa. De 1913 a 1914, ele serviu como professor-assistente da Universidade de Sorbonne em Paris, e foi Professor itinerante da Universidade do Porto em 1921.
 
 
Foi promovido a diretor do Instituto de Bactereologia da Faculdade de Medicina de Goa, uma pequena construção em Campal que lhe serviria como centro de pesquisas científicas entre 1914–1945.
 
 
As suas publicações na área de microbiologia e parasitologia trouxeram fama internacional ao instituto graças as traduções simultâneas de seus trabalhos em inglês, português e francês. Mello se tornou mais tarde reitor da faculdade.

Durante esse mesmo período, acumulou o cargo de Chefe da Saúde Pública da Índia Portuguesa e intercalou um curso de pós-graduação em parasitologia no Kaiser Willhelm Institute fuer Biologie, Berlim, e no Instituto Max Planck, Potsdam, Alemanha de 1922 a 1923. 
 
 
Em 1922, aos 35 anos de idade, Mello tornou-se coronel do Corpo Médico do Exército Português, o mais alto posto militar médico da época, graças ás suas campanhas de saúde pública em Goa, em Damão, Diu e Angola. 
 
 
 
Mello liderou a delegação portuguesa na Conferência Internacional sobre Lepra em Cuba e divulgou seus conhecimentos em várias conferências mundiais, incluindo a Conferência sobre Sanitarismo na Índia em Lucknow (1914) e o Terceiro Encontro de Entomologia em Lucknow (1914) onde, a convite do Governador-Geral da Índia Britânica, discursou sobre «fungis patogênicos». 
 
 
As suas pesquisas em medicina tropical angariaram-lhe renome internacional e reconhecimento como especialista da disciplina. Mello publicou mais de 200 textos sobre bacteriologia em revistas de línguas portuguesa, francesa e inglesa.
 
 
 
Criou as revistas médicas em Goa Boletim Geral de Medicina, Arquivos Indo-Portugueses de Medicina e História Natural e Arquivos da Escola Médico–Cirurgica de Nova Goa. Oseu trabalho em francês com o título de «A la veille du Centenaire», foi elaborado com grandes detalhes sobre as contribuições no primeiro centenário da fundação da Faculdade de Goa.
 
 
Fora do seu trabalho médico, Mello escreveu ainda em 1946, sobre o poeta bengali Rabindranath Tagore o texto com o título «O Cântico da Vida na Poesia Tagoreana».

 
Mello foi membro da Sociedade Real Asiática de Bengala; da Academia de Ciências da Índia; das Societie de Pathologie Exotique e Societie de Biologie de Paris em Paris; Sociedade de Ciências Médicas, Sociedade de Etnologia & Antropologia e Sociedade de Geografia de Lisboa. 
 
 
Recebeu medalhas de honra da Rainha Guilhermina da Holanda em 1938, do Papa Pio XII por ocasião da cerimónia de canonização de São João de Brito em 1947, do Presidente Ramón Grau de Cuba em 1949, do Presidente Eurico Gaspar Dutra, do Brasil, em 1950. 
 
 
Sobre as condecorações portuguesas foi agraciado com as comendas Grande Oficial da Ordem de Aviz, Comendador da Ordem de São Tiago e Comendador da Ordem de Benemerência.

 
 
Campanhas Médicas

Mello trabalhou apaixonadamente para erradicar a Tuberculose e Malária em Goa. Os seus esforços levaram à fundação de duas importantes instituições, os primeiros leprosários da Ásia, em Macasẚna na cidade de Salcete em 1934, atualmente conhecido como Leprosaria Froilano de Mello e Dispensário Virgem Peregrina em Santa Inês, na cidade de Pangim. Foi fundador também do Sanatório de Margão em 1928 e abriu instalações para os pacientes de lepra em Damão.
 
 
Em 1926, Mello, com a ajuda do aluno Dr. Luís Brás de Sá, mapeou cuidadosamente o território da Velha Goa e localizou mais de 4,800 poços infectados com mosquitos anófeles e os fechou. Teve um papel significativo na luta contra a epidemia de Malária em Goa, em 1920.

 
Mello também difundiu novas medidas para o saneamento básico urbano, que incluem a introdução da Polícia Sanitária em Pangim. Frente ao combate de uma epidemia de Raiva quando estava no cargo de prefeito, ordenou a eliminação de todos os cães de rua, oferecendo recompensas pela capturas dos animais. Como resultado houve uma dramática redução nos casos da doença. Prémios similares foram oferecidos para captura ou destruição de cobras venenosas, reduzindo as ocorrências de mordidas desses répteis.

 
 
Prefeito de Pangim (1938–45)

Em 1926, Mello foi eleito Membro do Parlamento como representante da Índia Portuguesa em Lisboa. Contudo, após a Revolução de 28 de maio, as eleições foram anuladas e não voltariam a ser realizadas pelos próximos dezanove anos. Mello assumiu o cargo de prefeito de Pangim entre 1938–45. Durante esse mandato, cuidou do embelezamento e urbanização da cidade.

 
Rio Mandovi

Em 1940, Mello idealizou plano de melhorias para as praças das igrejas e a atual estrada 18 de junho na zona campal. Construiu balaustradas no Rio Mandovi, do centro da cidade até á zona campal, ao longo da avenida marginal. Plantou árvores que ladeiam as ruas, de sementes vindas de Cuba. Pés de jacarandá e acácia que foram plantadas em 1940, agora sombreiam alamedas que antes contavam apenas com coqueiros e árvores de figo.

 
 
Membro do Parlamento (1945–49)

Em 1945, quando o Parlamento Português foi reaberto, Mello foi eleito pela segunda vez como representante da Índia Portuguesa. Foi o único político independente a servir naquela casa entre 1945–49; todos os outros eram ligados ao Partido da União Nacional de António de Oliveira Salazar. Com isso, seus discursos na Assembleia Nacional foram censurados.
 
 
No início, Mello defendia posições pró-portuguesas e acreditava que Goa poderia continuar pertencente ao «Império Português». Em novembro de 1946, na Assembleia Nacional em Lisboa, denunciou ações em Goa do que chamou uns poucos "quinta colunas e nazistas, intelectuais educados na Europa Central e fanáticos fracassados, que pregavam a absorção de Goa e fomentavam o ódio do povo português".

 
Lutou incansavelmente para abolir a discriminante Lei Colonial de 1930, que relegara aos cidadãos ultramarinos uma condição de segunda-classe. A lei foi rejeitada na Assembleia Nacional de 1950. Com essa mudança garantida, Mello passou a defender a independência de Goa, Damão e Diu, que deveriam se autogovernarem mas permanecerem no Commonwealth Português. Com o Estado Novo, tornaram-se parte integral de Portugal e foram rejeitadas quaisquer medidas de independência.

 
 
Últimos Anos

Após aposentar-se em Goa, Mello não foi candidato a reeleição por manobras políticas do regime de Partido Único de Salazar. Em 1950, quando ocorreu o Quinto Congresso Internacional de Microbiologia na cidade brasileira de Petrópolis, Mello esperava ser delegado de Portugal, mas não recebeu a indicação governamental. Quando isso foi anunciado, o governo brasileiro convidou-o, assumindo os gastos com a viagem e a estadia.

 
Sofrendo perseguições políticas em Goa, Mello emigrou com sua esposa para o Brasil em 1951, onde três de seus filhos já haviam se estabelecido. Morou em São Paulo e continuou as pesquisas no campo dos protozoários, nos intestinos dos cupins.
 
 
Descobriu várias novas espécies e dedicou ao seu novo país. Proferiu palestras e conferências no Rio de Janeiro e São Paulo e foi convidado a organizar a seção de protozoologia do Instituto Ezequiel Dias em Belo Horizonte. Mello faleceu em São Paulo de câncer nos pulmões em 9 de janeiro de 1955, aos 67 anos de idade.
 
 
Seu último texto científico, Memórias do Instituto Ezequiel Dias, foi publicado em fevereiro de 1955, um mês após a sua morte.

 
Vida Pessoal

Mello casou duas vezes. A primeira esposa foi Marie Eugenie Caillat, aristocrata suíça de Genebra, que se mudou para Pangim após o casamento. Eugenie foi a primeira pessoa a traduzir a obra de Rabindranath Tagore para a língua francesa. Ela faleceu em 1921 de complicações da Gripe espanhola que contraira no Porto. O casal não teve filhos.

Em 15 de setembro de 1923, Mello se casou com Hedwig Bachmann, uma jovem professora suíça de Diessenhofen. Eles tiveram seis filhos: Alfredo, Eugenia, Victor, Francisco Paulo, Cristina e Margarida.
 
Hedwig escreveu o livro Von der Seele der Indischen Frau (Tipografia Rangel, Goa, 1941), "A alma da mulher indiana" em português. É um estudo psico-sociológico das tradições hindus a partir de interpretação de provérbios, do impacto das civilizações ariana e dravidiana.
 
Um dos filhos, 368 FRANCISCO PAULO BACHMANN DE MELLO (20/07/1927) foi um bem conhecido cientista do MIT, autor de viagens e memórias que escreveu a autobiografia «From Goa to Patagonia: memoirs spanning times and spaces».
 
Outro filho, 281 VICTOR FROILANO BACHMANN DE MELLO (16/05/1926) foi um renomado Engenheiro geotécnico.

 em Rua Pascoal de Melo,Lisboa.
 
 

Mais sobre mim

imagem de perfil

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D