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GALERIA DOS GOESES ILUSTRES

INTROSPECÇÃO SOBRE A ORIGEM, O ALCANCE E OS LIMITES DA IDENTIDADE GOESA, E O SEU CONTRIBUTO HISTÓRICO E SOCIAL EM PORTUGAL E NO MUNDO

GALERIA DOS GOESES ILUSTRES

INTROSPECÇÃO SOBRE A ORIGEM, O ALCANCE E OS LIMITES DA IDENTIDADE GOESA, E O SEU CONTRIBUTO HISTÓRICO E SOCIAL EM PORTUGAL E NO MUNDO

439 TOMÁS PERES DA SILVA (04/10/1800)

desembarque dos liberais no mindelo em 1832 r. gam

 

Filho de Bernardo Peres da Silva (008), e de sua mulher Ignácia da Conceição Menezes, ambos Goeses, fica aqui o elogio e o retrato feito pelo deputado da nação, o insuspeito Conde do Casal Ribeiro.

 

Sem dúvida, um goês que merece outro destaque por tudo o que fez e representa.

 

 

"Thomaz José Peres nasceu aos 4 de Outubro de 1800 [em Goa].

 

Assentou praça de Cadete no Batalhão de Artllharia de Goa, cursou os estudos preparatórios das Humanidades e depois os das Ciências Matemáticas, na antiga Academia Militar da criaçâo do Vice-Rei, Conde do Rio Pardo, e foi 1° Tenente-Audante daquele batalhão.

 

Assistiu em 1821 á trágica deposição daquele distinto Vice-Rei.

 

Quando foi para Portugal matriculou -se na Universidade de Coimbra, onde se formou Bacharel em duas faculdades, Filosofia e Matemática.

 

Alistou-se no exército, e nele seguiu a causa [Liberal] da Rainha Dona Maria II. 

 

Emigrou para Inglaterra, esteve na Ilha Terceira, fez parte da expedição do Porto [Desembarque do Mindelo, 13/07/1832, e Cerco do Porto de Julho de 1832 a agosto de 1832], defendeu por 8 meses a Serra do Pilar sob as ordens do Brigadeiro Torres.

 

Entrou na expedição do Algarve, marchou sobre Cacilhas, foi vitorioso no combate do Valle da Piedade [Batalha da Cova da Piedade, 23 de Julho de 1833].

 

Na defesa de Lisboa comandou em Major, a Artilharia do 3° distrito.

 

Em 1837 foi Chefe do Estado-Maior de Artilharia, e em 1838, foi despachado governador de Quelimane, Tete, e Sena [Moçambique] para onde partiu, e na volta tendo estado em Goa, em 1842, o Conde das Antas, que conhecia a sua bravura, lhe ofereceu o comando militar do batalhão provisório vago com a morte do Major Magalhães, mas ele não o aceitou, assim como na sua saida do Reino também não aceitara o diploma de Deputado Ás Cortes que os povos do Algarve lhe haviam oferecido.

 

Quando em 1843 chegou a Portugal, do seu governo de Quelimane, comandou em Tenente-Coronel o 4° Regimento de Artilharia estacionado em Faro.

 

Ganhou Thomaz Peres no campo da batalha as condecorações de Oficial da Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito, Cavaleiro das Ordens da Nossa. Senhora da Conceição de Vila Viçosa, e de S.Bento de Avíz.

 

Quanto o seu valor militar disse o seu Coronel Luna, que o valor deste oflcial podia ser igualado mas nunca excedido.

 

Caiu doente de tísica no Algarve, e mudou-se para a Madeira, onde faleceu em 23 de janeiro de 1846, contando apenas 45 anos de idade.

 

Naquele coração existiu até a pulsação final, o mais ardente, vivo e sincero amor da liberdade: ele preferia a morte com seus horrores, mas livre, á vida com os seus gozos, porém escrava.

 

Se a sua vida não fora uma série continua e nunca interrompida d'açōes magnânimas, generosas e de bravura, estas palavras só formariam o seu elogio. Elas nos fizeram invejar tal morte e arrebatados exclamar:

 

Viveu como bravo e morreu como herói"

008 BERNARDO PERES DA SILVA (15/10/1775)

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Bernardo Peres da Silva
 ( Neurá, Goa) foi um médico, professor da Escola Médico-Cirúrgica de Goa, e político liberal português, de origem goesa, que entre outras funções foi deputado às Cortes do Vintismo e da Monarquia Constitucional Portuguesa e governador do Estado da Índia (1834).

 

Foi o primeiro e único goês a assumir o governo da Índia Portuguesa (à excepção do Membro do Conselho de Governo Francisco Wolfgango da Silva) nos 451 anos de presença portuguesa naquele território e um dos primeiros parlamentares eleitos nas "colónias portuguesas" do Oriente.

 

Biografia

Filho do Tenente José Tomás de Vila Nova Peres e Mariana Veloso, Goeses católicos, ficou órfão ainda criança, passando a viver com um seu tio, Caetano Peres, que era padre no Seminário de Rachol. Frequentou estudos preparatórios naquele seminário, matriculando-se de seguida no curso de Medicina da Escola Médico-Cirúrgica de Goa, que completou. Concluído o curso passou a trabalhar como médico no Hospital Real de Panelim.

 

Interessado pela vida política, foi eleito Vereador da Câmara Municipal de Ilhas de Goa, distinguindo-se na defesa dos interesses locais contra os privilégios da aristocracia, indiciando o pendor liberal das suas opiniões políticas.

 

Entretanto, tendo sido seleccionado em concurso público, foi nomeado professor substituto da Escola Médico-Cirúrgica de Goa, mas manteve-se activo na vida política, contestando algumas das medidas do vice-rei Diogo de Sousa, conde de Rio Pardo, em matérias relacionadas com o exercício de medicina, especialmente quando este pretendeu reduzir o acesso aos cuidados médicos prestados no Hospital. Pouco depois, tendo adoecido gravemente o professor titular, foi nomeado definitivamente para o lugar.

 

A oposição às medidas sanitárias do vice-rei granjeou-lhe grande popularidade entre a população, mas levou a que o conde de Rio Pardo o considerasse um perigoso agitador. Em resultado dessa situação, em 1820 os seus serviços no Hospital Real foram dispensados.

 

Em Março de 1821 chegaram a Goa os ecos da Revolução Liberal do Porto, ocorrida em Agosto de 1820, e da consequente implantação do regime liberal em Portugal. A notícia terá chegado através de Rogério de Faria, um comerciante goês em Bombaim que era amigo Bernardo Peres da Silva, ou mesmo seu parente, que lhe terá enviado cópias dos decretos da Junta Provisória.

 

Quando o vice-rei resolveu esperar por instruções da corte do Rio de Janeiro, onde se encontrava refugiada a família real portuguesa, em vez de realizar de imediato as eleições decretadas pela Junta Provisória, Bernardo Peres da Silva foi um dos mais activos líderes do levantamento de civis e militares que ocupou o Palácio do Governo em Pangim, depôs o Conde do Rio Pardo do cargo de vice-rei e proclamou o regime liberal. Apesar do seu envolvimento, Bernardo Peres da Silva recusou um lugar no governo provisório que então se formou em Goa.

 

Quando a 14 de Janeiro de 1822 finalmente se realizaram em Goa as eleições para deputados às Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa, Bernardo Peres da Silva foi um dos três deputados eleitos pela Índia Portuguesa (os outros dois foram o Dr. Constâncio Roque da Costa, também goês, e o Dr. António José de Lima Leitão, físico-mor de origem portuguesa). Fez assim parte do grupo dos primeiros deputados a serem eleitos nas colónias portuguesas do Oriente.

 

Depois de uma viagem atribulada, que incluiu uma breve detenção na ilha de Moçambique, os deputados chegaram a Lisboa apenas para descobrirem que as Cortes já tinham concluído a aprovação da Constituição Portuguesa de 1822 e tinham sido dissolvidas pela Vilafrancada. Bernardo Peres da Silva foi então nomeado para Intendente Geral da Agricultura da Índia, cargo que fora até então ocupado por António José de Lima Leitão, que com ele tinha sido eleito deputado e que entretanto decidira permanecer em Lisboa. Não tendo a nomeação obtido imediata execução, durante a sua permanência em Lisboa, Bernardo Peres da Silva frequentou os círculos liberais mais avançados.

 

Regressado a Goa, em 1827 foi novamente eleito deputado, agora às Cortes do Vintismo, tendo como adversário o governador da Índia. Tal como da primeira vez, quando chegou a Lisboa, as Cortes estavam dissolvidas e D. Miguel I de Portugal estava em pleno processo de restauração do regime absolutista. Liberal convicto, viu-se obrigado a fugir e a juntar-se à emigração, primeiro em Londres e depois no depósito de Plymouth. Durante a sua permanência na Inglaterra, Bernardo Peres da Silva publicou um manifesto contra a restauração do Absolutismo em Portugal, que foi citado na Câmara dos Comuns do Reino Unido. Terá sido o primeiro manifesto político até então publicado por um "indiano" (goês, na verdade) na Europa.

 

Da Grã-Bretanha e Irlanda passou ao Brasil, onde viveu alguns anos na cidade do Rio de Janeiro trabalhando como professor particular, escapando assim às perseguição dos miguelistas e às tribulações da Guerra Civil Portuguesa. Durante a sua permanência no Brasil escreveu e publicou uma obra intitulada Diálogo entre um Doutor em Filosofia e um Português na Índia sobre a Constituição Política de Portugal 

 

Um seu filho,  439 TOMÁS PERES DA SILVA, integrou o exército liberal e participou no Desembarque do Mindelo e no Cerco do Porto.

 

Assinada a Convenção de Évora Monte e terminada a Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), Bernardo Peres da Silva, que regressara a Portugal em 1833, foi de novo nomeado deputado em 1834, submetendo de imediato um memorando ao novo governo defendendo os interesses e liberdades dos goeses. Tendo em conta a sua fidelidade à causa liberal, os seus serviços e os do seu filho, a 7 de Maio do mesmo ano de 1834 foi nomeado por D. Pedro IV, então já regente em nome da sua filha D. Maria II de Portugal, para o cargo de vice-rei da Índia, então redesignado como Prefeito das Índias, na sequência das reformas de Mouzinho da Silveira, e despido da sua componente militar, já que ao contrário dos anteriores vice-reis não tinha poderes sobre o exército. Foi assim o primeiro e único Goês católico (à excepção do Membro do Conselho de Governo 086 FRANCISCO WOLFGANGO DA SILVA ) a ser nomeado para governar a Índia Portuguesa durante os 451 anos em que aquela "colónia" existiu.

 

Embarcou então na fragata Princesa Real para mais uma viagem até à Índia, tendo chegado a Goa no dia 10 de Janeiro de 1835, tomando posse do cargo no dia 14 daquele mês. Sendo a primeira vez que um cidadão natural de Goa ia governar a Índia Portuguesa, Bernardo Peres da Silva foi inicialmente recebido com grande entusiasmo pela população local, embora entre os militares e funcionários de origem europeia fossem muitas as dúvidas e grande a hostilidade ao novo regime que ele representava.

 

Instalado no governo do Estado da Índia, as suas primeiras medidas visaram moralizar a administração pública e favorecer a população local. Para isso, logo na primeira semana do seu governo, procedeu à nomeação de um Conselho da Prefeitura, constituído por Manuel Correia da Silva e Gama, pelo brigadeiro António José de Melo Souto, pelo major Teles e pelo comendador D. José Maria de Castro e Almeida, e reorganizou os serviços judiciais e fiscais. Também procedeu à extinção das ordens monásticas, numa medida que gerou grande hostilidade da comunidade católica.

 

Os benefícios que tentou introduzir a favor da população local, nomeadamente das comunidades aldeãs de Goa, organizações comunitárias de posse da terra, incluíram a extinção do imposto de um sexto sobre os rendimentos que estas "cooperativas" tinham que pagar ao Estado. No sector da justiça pretendeu eliminar alguns abusos que eram praticados pelas classes privilegiadas.

 

Algumas das medidas tomadas por Bernardo Peres da Silva afectaram seriamente os interesses instalados em Goa e foram particularmente mal recebidas pelos funcionários metropolitanos destacados na colónia, que se sentiam ameaçados no seu estatuto e privilégios, e pelas chefias militares, exclusivamente metropolitanas. A desconfiança com que fora recebido, e o descontentamento causado pelas suas acções iniciais, esteve na base da revolta das forças militares, desencadeada na noite 1 de Fevereiro de 1835.

Apesar de nem todas as unidades militares terem apoiado a revolta, esta terminou com a destituição de Bernardo Peres da Silva, apenas 17 dias após a sua tomada de posse, tendo este sido detido, embarcado à força num navio e obrigado a partir para o exílio em Bombaim. Para o substituir foi escolhido Manuel Francisco de Portugal e Castro, que anteriormente exercera as funções de vice-rei.

 

Entretanto, a 10 de Fevereiro deu-se uma nova revolta em Goa, desta vez a favor da reposição de Bernardo Peres da Silva no governo da colónia. O movimento foi protagonizado por uma Bataria de Artilharia e pelo Primeiro Regimento de Infantaria, unidades militares que se tinham oposto à revolta militar de 1 de Fevereiro. Os revoltosos exigiram a recondução de Bernardo Peres da Silva como prefeito e pretenderam forçar o governador militar a tomar as medidas necessárias ao seu regresso. Porém, o governador militar Fortunato de Melo recusou ceder às exigências da tropa local e no dia para o qual estava anunciada a chegada de Bernardo Peres da Silva ordenou a prisão dos implicados.

 

Os revoltosos refugiaram-se no Forte Gaspar Dias, onde depois de uma resistência heróica, a maior parte dos amotinados foi massacrada, tendo o forte ficado totalmente em ruínas. Outro grupo de apoiantes refugiou-se no Forte de Tiracol, no extremo norte do território, de onde também foram desalojados pelas forças do governador militar Fortunato de Melo e na sua maioria assassinados após se terem rendido com a promessa das suas vidas serem poupadas.

 

Entretanto, o líder da revolta anterior, duvidando da legalidade do seu acto e temendo ser preso, demitiu-se e entregou o governo ao Conselho de Prefeitura que havia sido nomeado por Bernardo Peres da Silva. Nova revolta surgiu a 3 de Março, desta vez protagonizada por soldados goeses que exigiam o regresso de Bernardo Peres da Silva ao governo como prefeito.

 

Desconhecedor destes eventos, ao chegar a Bombaim, Bernardo Peres da Silva pediu o apoio das autoridades britânicas, dado que a Grã-Bretanha era aliada de Portugal e deveria apoiar a autoridade legal de Goa. Esta expectativa gorou-se, já que os britânicos se recusaram a intervir na disputa.

 

Não podendo contar com o apoio oficial britânico, permaneceu nos arredores de Bombaim durante cinco meses preparando uma força expedicionária para capturar Goa pela força. Com o apoio financeiro Sir Rogério de Faria, na altura um rico comerciante e exportador de ópio goês para a China, conseguiu recrutar cerca de 300 homens, que se concentraram nos subúrbios de Bombaim, de onde embarcaram a 27 de Maio em cinco navios com destino a Goa.

 

Não tendo levado em conta a meteorologia, a 6 de Junho a expedição foi obrigada a retroceder pela força dos ventos da monção e acabou por regressar a Bombaim.

 

Gorada a expedição a Goa, Bernardo Peres da Silva viu-se obrigado a procurar uma alternativa. Decidiu então que a expedição se deveria dirigir para Damão, um enclave português a norte de Bombaim. Ali foi recebido por um grupo de liberais e de personalidades envolvidas no contrabando do ópio que o apoiaram no estabelecimento de uma administração provisória da Prefeitura, que ali se manteria até 1837.

 

Em Damão, recebeu armamento e apoio logístico de Rogério de Faria, preparando-se para defender Damão em caso de ataque por parte das forças de Goa. Como contrapartida, Rogério de Faria beneficiaria de isenção aduaneira nos seus negócios de ópio através do território de Damão, então a principal via de saída da droga contrabandeada para fugir aos impostos britânicos. Apesar desses arranjos, quando a tomada de Goa falhou gerou-se uma dívida de Rs. 67,957, valor que a administração de Damão se recusou a pagar. A consequência foi a falência dos negócios de Faria, já abalados pelo esforço inglês em concentrar o comércio do ópio em Bombaim.

 

A situação criada com estes acontecimentos não permitiram concretizar o regresso ao poder de Bernardo Peres da Silva, que entretanto perdera o apoio de Rogério de Faria, tendo por esse motivo sido instituído um Governo Provisório constituído por Rocha de Vasconcelos como Presidente, tendo como vogais o Dr. Manuel José Ribeiro e frei Constantino de Santa Rita. Entretanto, em 1836 realizaram-se eleições em Goa, tendo Bernardo Peres da Silva perdido o seu lugar de deputado.

 

O impasse terminou com a nomeação de Simão Infante de Lacerda de Sousa Tavares, barão de Sabroso, como novo governador da Índia Portuguesa. Submetendo-se à vontade real, Bernardo Peres da Silva aceitou a nomeação do novo governador e regressou a Goa, onde fez as pazes com o novo governador e se reintegrou na vida política da colónia.

 

Voltou a ser eleito deputado às Cortes em eleições realizadas a 2 de Setembro de 1838, sendo sucessivamente reeleito em 7 de Abril de 1849 e em 9 de Outubro de 1842. A sua acção no Parlamento foi de grande relevo, tendo como membro da Comissão Parlamentar de Política Colonial defendido intransigentemente os interesses da Índia Portuguesa e de outros territórios ultramarinos portugueses. Também propôs a retirada das forças militares metropolitanas estacionadas em Goa. Um dos seus discursos na Câmara dos Deputados foi publicado em 1840, com o título de Aos Representantes da Nação PortuguesaManteve-se como deputado eleito por Goa até falecer.

 

Durante a maior parte da sua vida Bernardo Peres da Silva viveu em pobreza, situação em que faleceu. As dificuldades financeiras que atravessou nos últimos tempos da sua vida obrigaram-no a vender a mobília da sua casa para pagar as despesas com a sua saúde. Faleceu em Lisboa a 14 de Novembro de 1844,  sendo sepultado, "deitado á terra", na verdade, no Cemitério dos Prazeres em talhão pago pelo Estado, não sendo possível a localização dos seus restos mortais.

 

Na galeria de retratos do Museu Arqueológico de Pangim, Goa, está exposto um retrato de Bernardo Peres da Silva.  Deixou diversos livros publicados e múltiplos textos dispersos
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438 NELSON DE SOUZA (23/11/1954)

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Com a remodelação governamental de hoje, Ângelo Nelson Rosário de Souza ascende a Ministro. Felicitações! 

 

"O até agora secretário de Estado do Desenvolvimento e da Coesão, Nelson de Souza, vai assumir as funções de ministro do Planeamento, área que era tutelada por Pedro Marques e agora se autonomiza na orgânica do Governo.

 

Esta informação consta de uma nota hoje publicada no portal da Presidência da República na Internet.

 

O Ministério, Nelson de Souza vai ter como secretária de Estado do Desenvolvimento Regional Maria do Céu Albuquerque, que antes foi presidente da Câmara Municipal de Abrantes.

 

 

Nelson de Souza, de 64 anos, natural da Índia [Portuguesa], é licenciado em finanças pelo Instituto Superior de Economia, sendo considerado um conhecedor do tecido empresarial português, tendo assumido responsabilidades nos programas nacionais e europeus de apoio às empresas e à economia.

 

O novo ministro do Planeamento foi gestor do Programa Compete/QREN e do Prime, administrador do IAPMEI (Agência para a Competitividade e Inovação, I.P) e gestor de programas no PEDIP (Programa Específico de Desenvolvimento da Indústria Portuguesa).

 

Próximo de Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República, e Vieira da Silva, ministro do Emprego e Segurança Social, Nelson de Souza foi secretário de Estado das Pequenas e Médias Empresas, do Comércio e dos Serviços do XIV Governo Constitucional, liderado por António Guterres, e exerceu as funções de diretor-geral na Associação Industrial Portuguesa até final de 2013.

 

Antes de entrar no atual Governo, Nelson de Souza, foi diretor de finanças na Câmara Municipal de Lisboa, tendo também desempenhado funções de assessoria ao presidente da autarquia."

 

em https://www.jn.pt/nacional/interior/nelson-de-souza-um-homem-proximo-das-empresas-a-ministro-do-planeamento-10588464.html

261 GOA EM COIMBRA

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No coração da cidade de Coimbra podemos encontrar um lastro de história deixada pelos Goeses. 

Desde o tradicional Cemitério da Conchada, edificado no séc. XIX pelo presidente da Câmara Municipal de Coimbra, nascido a 1813, Raimundo Venâncio Rodrigues (222), onde encontramos o Mausoléu dos Filhos da Índia Portuguesa, até ao poema de Mariano Gracias (011) em pedra gravado no Penedo da Saudade, estes são alguns registos mais visíveis ali deixados pelos filhos da Índia Portuguesa. 

Mas poderíamos também referir a memória conimbricense de Albano de Noronha (127) e do seu fado, registado em gravações audio, de Isidoro Batista (427), homenageado numa rua, ou da banda histórica «Conjunto Universitário Os Álamos» (243), onde pontuavam Francisco Faria e Luís Colaço.

 

De facto os Goeses não caíram em Portugal, nem do céu, nem com o 25 de Abril.

A. Cemitério da Conchada 
B. Rua Venâncio Rodrigues
C. Penedo da Saudade
D. Praça da Índia Portuguesa
E. Rua Isidoro Batista

 — em Coimbra.

Poema de Mariano Gracias no Penedo da Saudade

Mausoléu Dos Filhos da Índia

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mariano gracias

Albano de Noronha

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https://www.youtube.com/watch?v=VIPxjMI2_nk&t=0s&index=10&list=PL7rDv1vSiAfxtGNw3zqVGO1RCVH8ucGZ4

 

436 DUQUE DE GOA (1515/1581)

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                     Duque de Goa

 

«Duque de Goa» foi um título nobiliárquico criado, de juro e herdade, em 1515 pelo Rei D. Manuel I de Portugal a favor de D. Afonso de Albuquerque, 2.º Vice-Rei da Índia. Este foi o primeiro título ducal outorgado fora da Família Real e o primeiro título referente a terras de além-mar. A Casa Ducal de Goa foi das Casas nobres mais importantes e ricas do seu tempo, no século XVI, logo após as Casas Ducais relativas à Coroa e à Casa de Bragança.

 

Não tendo filhos legítimos, D. Afonso de Albuquerque, antes de partir para o seu mandato como Governador na Índia, providenciou a legitimação do seu único filho natural Brás de Albuquerque, a qual foi concedida pela Coroa em 1506. Já na Índia escreveu a pedir ao Rei D. Manuel I que todas as honras por si merecidas fossem concedidas ao seu filho Brás de Albuquerque, instituindo-o seu herdeiro universal. Perante a morte de D. Afonso de Albuquerque em 1515 o Rei cumulou de honras e riquezas Brás de Albuquerque, concedendo-lhe o Ducado de Goa e o título de Dom, determinando ainda que acrescentasse Afonso ao seu nome de Baptismo em homenagem ao antigo Vice-Rei.

 

A Casa de Goa veio a extinguir-se, por efeito da Lei Mental, com a morte sem descendência varonil do 2.º duque, D. Afonso Brás de Albuquerque. [...]

 

 

                                                                Titulares
D. Afonso de Albuquerque, o Grande, Vice-Rei da Índia e 1.º duque de Goa (1450-1515)
D. Afonso Brás de Albuquerque, 2.º duque de Goa (1501-1581)

 

 

435 A PROVÍNCIA DO NORTE (1534/1739)

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Orgulhosa e altaneira, a Província do Norte terminou com o abandono e subsequente entrega ao Marathas, da sua capital, Baçaim, que competia em esplendor e arrojo com a cidade de Goa, a capital do Estado Português da Índia.

 

Desses tempos subsistem as ruínas da cidade, os inúmeros fortes que pontilhavam a costa, mas também no interior, e as imensas igrejas e edifícios religiosos. Damão, subsistiu, desta feita integrado na tríade que todos conhecemos por "Goa, Damão e Diu".

 

Ficaram também, e ao abandono, as comunidades norteiras cristãs católicas que viviam em meio urbano como Bombaim, Baçaim, Chaúl, Tana, mas também em inúmeras aldeias por todo o território.

 

Ao contrário dos Goeses, estas comunidades, incluindo a damanense, não tinham origem na grande marcha "Gaud Saraswat Brahmin" ou GSB, nem tinham como língua o Concani. Falavam Marathi. Mas sem dúvida que partilhavam e partilham laços históricos e culturais com os Goeses.

 

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434 BASÍLIO DE GOA (1923)

 

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"Um antigo colaborador da Gazeta das Caldas dos anos 60, Basílio Magno (que assinava como Basílio de Goa) é a figura principal do livro “A Última Dança em Goa: música popular nos últimos anos do Estado da Índia Portuguesa”, da autoria de Joaquim Correia.
Trata-se de uma obra onde se divulga a cultura de Goa, designadamente nas ligações à música portuguesa, da qual Basílio Magno foi um ilustre representante.
Publicamos na íntegra o referido capítulo. C.C

 

 

Fascinado com os temas Rock em Portugal e Twist de Conceição que BasÍlio Magno, (mais tarde conhecido como Basílio de Goa), interpretou numa festa no Palácio do Cabo, o general Vassalo e Silva, último governador do Estado Português da Índia, ofereceu-lhe uma bolsa de estudo para continuar a sua formação em Portugal e talvez seguir carreira como compositor de letras e melodias de espírito goês.

 

Nascido em 1923 na cidade de Pomburpa no Norte de Goa, passou a sua juventude em Bombaim onde se licenciou em Medicina Homeopática, ao mesmo tempo que concretizava o seu sonho de estudar jornalismo, chegando a director do jornal Dadar Goan e da revista Cinema Bulletin.

 

“Sinto-me acima de tudo um jornalista, mas na verdade sou mais conhecido pelos temas que compus, principalmente Proud to be Goan, que se tornou um hino em Goa e na diáspora. O primeiro foi The Song of Goa, tinha 25 anos, que chegou a ser editado na East-West Music co. de Londres. Em 1953 escrevi Santa Maria, que dediquei ao Cardeal indiano Gracias, e em 1956 compus um tema dedicado à Princesa Margarida de Inglaterra”.

 

Escreve também duas peças em inglês intituladas St. Cyril e Mother, representadas em Bombaim e no Kuwait, e uma opereta em Concani Ek Dis Goyam (Um Dia em Goa), radiofundida pela Emissora de Goa em 1960.
Foram 12 anos dedicados à música que justificaram a iniciativa do general Vassalo e Silva, considerado o “governador do bom senso”: em 18 de dezembro 1961 tropas da União Indiana ocupam os territórios de Goa, Damão e Diu, Salazar ordena que as tropas portuguesas lutem até à última gota de sangue, mas o governador recusa-se a obedecer à ordem do Presidente do Conselho e opta pela rendição.

 

 

 

A chegada às Caldas

Basílio chega às Caldas da Rainha no Verão de 1962 e considera o contacto com a Gazeta como “Amor à primeira vista. Foi isto mesmo que me aconteceu, ao ver a Gazeta das Caldas. Não esperava esta beldade nesta pequena cidade povoada por 15000 habitantes apenas. E nada interessa mais a um jornalista como eu, educado e criado no jornalismo, do que um jornal para respirar os seus pensamentos nas suas colunas”, escreve Basilio na sua primeira Crónica Social, publicada em 1 de Fevereiro 1964.

 

Nesta altura o jornal já se publicava duas vezes por semana, após mais de 15 anos como semanário. Em 1 de Março de 1963 tornara-se o único bi-semanário do distrito e um dos poucos no país, depois de ter sido fundado em 1925 por G. Nobre Coutinho e Nuno Infante da Câmara com a periodicidade de três vezes por mês.

 

Uma das características das crónicas de Basilio Magno (que assina como Basilio de Goa), para além das frequentes referências a músicos e agrupamentos musicais locais – não perdendo oportunidade para divulgar os seus próprios temas, que vai interpretando em festas locais ou edita em livro – é a inclusão de assuntos diversos que agitam a vida citadina.

 

Escreve sobre os malefícios do tabaco, lembra a comemoração do Dia do Teatro Amador em 21 de março de 1964, desenvolve a importância histórica da Sociedade os Pimpões, realça as vitórias do Benfica e do macaísta Kong no torneio de Ténis de Mesa, questiona as razões porque “nunca a história da música registou tão forte ânimo de sentimento do público a uns artistas que estão ganhando tanta fama e fortuna pela execução das canções como se verifica no caso fenomenal dos Beatles”.

Mas não se limita a comentar estes acontecimentos mundanos.

 

 

 

O OLHAR SOBRE A GAZETA

A sua veia jornalística leva-o a olhar para o jornal onde trabalha, mencionando em crónica de 3 de Outubro de 1964 a criação do Grupo dos Amigos da Gazeta das Caldas (será que ainda estará activo?), quando do quadragésimo aniversário do jornal. Já em crónica de 29 de Agosto desse ano Basílio invoca o Dr. Saudade e Silva, director do jornal, sublinhando que “sempre cheio de ideias novas para o melhoramento da imprensa regional” organizou o “primeiro encontro dos redactores deste jornal” onde foi distribuído “o Bilhete de Identidade da Gazeta e a chave da porta da Redação, assinalando assim, a estima e a confiança da direcção do jornal para com os seus camaradas de redacção… para não faltar a dar a minha colaboração nesta festa… cantei a minha última criação: Canção Goesa, intitulada Lá no Cimo do Monte”.

 

Embora Goa estivesse sempre no seu coração, não esquecia a terra que o acolheu: “Alguém me perguntou, há dias, sarcasticamente, se eu cada vez gostava mais das Caldas! Tenho de responder que sim. Porque cada vez eu tenho o prazer de conhecer melhor esta terra, que eu tenciono adoptar, por causa da minha terra natal – Goa – estar ocupada ilegalmente pelos inimigos do nosso país, acho que tenho razão de gostar das Caldas cada vez mais.” (Crónica Social de 7 de Março de 1964)

 

 

AS DISPUTAS COM BOTELHO MONIZ

Apesar desta opção pelo Portugal de Macau ao Algarve, própria da ideologia do regime colonialista, sempre se afirmou como defensor da liberdade, designadamente da liberdade de imprensa.
Disso exemplo são as disputas com Botelho Moniz, presidente da Câmara, que ousou “considerar desejável que a nossa redacção consultasse as Câmara Municipal sobre as notícias que publicamos dela, para verificar a sua verdade, particularmente quando apontar os defeito. E terminou este post-scripts, dizendo, que não custará nada para a Gazeta prestar esta colaboração” (Crónica Social de Setembro de 1964).

 

Este envolvimento da Câmara nas decisões editoriais do jornal não era coisa nova na história das relações entre as duas entidades. Em artigo publicado na Gazeta em Junho de 2016, após referir serem os anos 50 exemplo destes conflitos, Luís Nuno Rodrigues refere que “Só em 1960 a Gazeta respiraria de alivio, quando Fernando Pais de Almeida e Silva termina o seu mandato, o periódico caldense formula desde logo, votos para que o próximo Presidente da Câmara seja caldense. É-o, de facto: Botelho Moniz, antigo director da Gazeta… Durante o período que Botelho Moniz ocupa a presidência da Câmara, a Gazeta mantém uma posição relativamente crítica. No entanto, essa crítica não é feita já no tom hostil e desaprovador em que era feita anteriormente. Elogia-se, por vezes, o que é bem feito, embora não se deixe de apontar aquilo que é mal feito, ou que fique por fazer. Digamos que nesta década de 60, apesar da presença de Botelho Moniz à frente dos destinos da cidade, continua a não haver uma perfeita e total concordância entre o director da Gazeta das Caldas, que é agora Carlos Saudade e Silva, e o Presidente da Câmara. … Nada se compara, porém, ao que se passará nos anos conturbados da década de 50”. (Imprensa e Poder Local: a Gazeta das Caldas: 1925-1975)

 

Apesar deste razoável entendimento entre a Gazeta e a Câmara, o espírito livre de Basilio Magno, na referida crónica de Setembro de 1964, conclui que “Tenho de afirmar ao sr. Presidente, que sim custará muito. Custará a dignidade da imprensa, dignidade essa, que nós temos de defender a todo o custo de lucro material ou amizade pessoal pelos envolvidos nas nossas notícias!”

 

Era porém sobre cultura que as crónicas mais se debruçavam, chegando a afirmar que “o panorama cultural desta cidade constitui espanto até para o visitante vindo de maiores cidades, o saber de existência de tantas instituições que abrangem diversas obras de beneficio a vida social. Daí o ter recebido com muita satisfação a notícia de que a Gazeta passará a incluir uma página de Cultura, consagradas às Artes, às Letras e à Técnica, e também ao recreio formativo e educativo” (Crónica de 21 de Março de 1964), que passaria a suplemento independente logo em 30 de maio. Porém este “não incluiria, por principio, nomes consagrados mas aqueles que demonstrem sérias aptidões ou se limitam a possuir o método de tentar construir”.

 

 

UM SUCESSO EM ESPANHA

Lembramos que para além de jornalista, Basílio era músico, e que teria sido essencialmente por isso que partira para a Europa. Daí que em 26 de Setembro de 1964 tenha surgido a sua última crónica, escrita em seu nome pela redação do jornal, anunciando que “o nosso distinto redactor pretende iniciar a sua carreira musical na Metrópole, esperando em breve lançar o seu primeiro disco com 4 canções da sua autoria: Lá no Cimo do Monte, Pobrezinhos, Mog Mog Mog e Twist da Conceição.”

 

Embora não haja registo de que este sonho se tenha realizado, a verdade é que seguiu carreira na área da música, designadamente fora de Portugal, com momentos altos como a oferta ao Rei de Espanha do tema Viva o Rei na Radio M-80 Madrid em 1977, que acabou por ser adoptada por essa emissora como tema de abertura do conhecido programa Gomaespuma, que se tornou famoso na rádio e na televisão de Espanha entre 1980 e 2007. Posteriormente surgiu mesmo a Fundación Gomaespuma, que continua a organizar eventos culturais como forma de angariar fundos para beneficiência.

 

Mas sem dúvida que o que definitivamente tornará Basilio um símbolo da diáspora goesa foi ter sido autor do já referido tema Proud to be Goan, símbolo do World Goa Day. Comemorado pela primeira vez a 20 de Agosto de 2000 – nessa data em 1992 a Constituição da República da Índia passou a considerar o Concani como língua oficial de Goa – foi escrito por Basílio Magno a convite do Rene Barreto, um dos mais activos impulsionadores da ligação entre os goeses da diáspora e fundador do World Goa Day, para ser apresentado em Bonderam, na idílica ilha de Divar, perto de Pangim, na primeira comemoração do evento.

 

Em Proud to be a Goan: memórias coloniais, identidades poscoloniais e música (Revista Migrações – Número Temático Música e Migração, Outubro 2010, n.o 7,), escreve Susana Sardo que “O Dia Mundial de Goa, celebrado a 20 de Agosto nos diferentes países onde os goeses se fazem representar através de formas associativas, incorpora uma forte componente musical através da organização de concertos, festivais e concursos, para os quais diferentes grupos formalmente organizados se preparam para actuar e/ou concorrer. Especialmente para este dia Basílio Magno, um jornalista goês residente em Espanha, compôs o hino Proud to be a Goan, disseminando-o pela Internet de forma a que possa ser cantado por todos os goeses no dia comemorativo”.
Sublinhe-se que a Dra. Susana Sardo, etnomusicologa da Universidade de Aveiro, tem em mãos um projecto que em muito contribuirá para a consolidação da música tradicional – de influencia portuguesa – entre a comunidade católica em Goa, o GEMM: trata-se de um arquivo que fará justiça “à ação de milhares de músicos que até hoje vivem silenciados nos discos e nas cassetes que já ninguém escuta, nas partituras gastas pela humidade e na memória dos que um dia foram os seus públicos”.

 

 

A MÚSICA CORRE NO SANGUE DOS GOESES

Frederick Noronha, jornalista goês especializado em informação online, incluiu Basílio Magno numa lista de 101 goeses que, em qualquer campo do conhecimento e a partir de qualquer lugar da terra, de alguma forma se notabilizaram no mundo digital: através do seu Konkani Corner divulgou a imagem de Goa em Espanha e no mundo, utilizando um idioma bem característico dum território onde o português e o inglês também tinham e têm lugar. Deverá, aliás, ser realçado o importante papel que Frederick Noronha tem desenvolvido na defesa da autêntica cultura tradicional de Goa.
Basilio de Goa é um dos músicos incluídos no livro “A Última Dança em Goa: música popular nos últimos anos do Estado da Índia Portuguesa”, onde se contam histórias que procuram demonstrar que “a música corre no sangue dos goeses”. Colaboram investigadores musicais e jornalistas como a Dra. Susana Sardo, João Carlos Callixto, Luis Pinheiro de Almeida e João Pedro Gouveia, para além de muitos músicos ligados a essa arte em Goa.
Basílio Magno vive em Espanha em Torre del Mar, Málaga, onde manteve, até há poucos anos, a coluna Konkani Corner em www.melgoans.com."

 

em https://gazetacaldas.com/cultura/a-historia-do-musico-e-jornalista-basilio-de-goa-e-a-sua-passagem-pela-gazeta-das-caldas-onde-tambem-se-conta-um-pouco-da-historia-deste-jornal/

 

 

 

 

 

164 JOSEPH BAPTISTA (17/03/1864) #eastindians

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Joseph "Kaka" Baptista foi um político e ativista indiano de Bombaim (hoje conhecida como Mumbai), intimamente associado a Lokmanya Tilak e ao Movimento Home Rule (Governo Autónomo). Baptista é conhecido por ter criado a popular frase "Swaraj é meu direito de primogenitura e eu vou tê-lo". 
Joseph Baptista foi nomeado prefeito de Bombaim, em 1925, ainda no tempo do Raj Britânico e foi carinhosamente apelidado de Kaka, que significa "tio".

Início da vida 
Joseph Baptista nasceu em Matharpacady, em Mazagão, Bombaim. O seu pai, John Baptista veio de Uttan, perto de Baçaim (actual Vasai). Os Baptistas pertenciam à quase ignorada antiga comunidade indo-portuguesa de Baçaim (assim como Bombaim, Tana, Chaul e Salcete) ao qual os britânicos quando ali chegaram, apelidaram de "East Indians" ou indianos ocidentais, e que se converteram ao catolicismo romano durante o governo Português, entre os séculos XVI e XVIII.

Baptista é considerado um pioneiro no campo da engenharia elétrica e teve um filho que foi um dos fundadores da Engenharia Informática e Computação.

Baptista completou a sua educação precoce na Saint Mary School, em Mumbai. Em seguida, entrou para a Faculdade de Engenharia em Puna e fez depois um bacharelado em Ciência Política pela Fitzwilliam College, em Cambridge. Durante este período, conheceu Bal Gangadhar Tilak.

Ativismo Político 
Em 1901, Baptista entrou para a Bombay Municipal Corporation, e faria parte da BMC nos próximos 17 anos.
Influenciado pelo movimento Irish Home Rule, as ideias de Baptista em versão indiana, criaram raízes. Suas ideias influenciaram profundamente Tilak e os dois se tornaram companheiros muito próximos. Baptista ajudou Tilak, lançando o Sarvajanik Ganpati (celebrações públicas Ganpati) para arvorar sentimentos nacionalistas. Além disso, Baptista cunhou a frase "Swaraj é meu direito de primogenitura", que mais tarde se tornou popular em Tilak. 
Em 1916, junto com Tilak e Annie Besant (presidente da Sociedade Teosófica Mundial), fundou a Home Rule Movement, com Baptista a abrir a unidade de Belgaum. Também foi assessor jurídico de Lokmanya Tilak. 
Mais tarde, entrevistou primeiro-ministro britânico David Lloyd George inquirindo o governo britânico acerca da Home Rule. Na entrevista, Baptista disse ter ficado com a impressão de "que o Gabinete decidiu dar maior importância à Home Rule, sem demoras." 

Baptista também foi advogado praticando na Alta Corte de Bombaim. Um dos seus mais famosos cliente foi Vinayak Damodar Savarkar, a quem Baptista exigiu um julgamento aberto para garantir a dignidade dos seus direitos fundamentais. 
Em 1920, fundou a All India Trade Union Congress (AITUC). Como líder trabalhista, assumiu a causa dos trabalhadores moleiros, carteiros e outros trabalhadores de colarinho azul.
Embora religioso, Baptista recusou-se a misturar política e religião, ao negar a possibilidade de ter eleitorados baseados em religiões. 

"Eu absolutamente desaprovo um eleitorado separado para cristãos indianos, em compartimentos estanques", disse.

Em 1925, Baptista foi eleito como o prefeito da Bombay Municipal Corporation, cargo que ocupou por um ano. 

Morte
Baptista morreu em 1930 e está enterrado no cemitério Sewri. O Mazagon Gardens, local do demolido Mazagaon Fort, perto da estação de Dockyard Road, foi assim nomeado em sua homenagem. Em 12 de outubro de 2008, seu túmulo em Sewri, foi restaurado com os fundos da MLC Kapil Patil. A cerimónia foi assistida por membros do Bombay Catholic Sabha e da Shikshak Bharati, uma organização de professores. 

Em 1999, um livro sobre Baptista intitulado Joseph Baptista: O pai da Home Rule na Índia, foi lançado pela K R Shirsat, em Lalbaug, Mumbai. Através do livro, o autor espera que Baptista seja um modelo para os jovens actuais e futuros.

in Wikipédia
 

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433 MONSENHOR GUSTAVO COUTO (1856)

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Monsenhor Gustavo Couto nasceu em Goa em 1856, filho de Sinfarosa Diamante Conceição (nascida Mascarenhas) e de João Xavier Couto.
 
Foi missionário do Padroado Português do Oriente.
 
Foi pároco/cónego em Quelimane, Moçambique. Nesta cidade foi igualmente professor de 1892 a 1894.
 
Já em Portugal foi prior de Salvaterra de Magos, e de Santo Estêvão em Lisboa.
 
Na sua longa vida foi ainda Prelado Doméstico de Sua Santidade e Cónego Capitular da Santa Sé Patriarcal de Lisboa.
 
Escreveu numerosas obras de índole histórica:
 
- A História da Antiga Casa da Índia (Lisboa 1927);
O Cosmógrafo Fernão Vaz Dourado fronteiro da Índia e a sua obra (Lisboa 1928);
- O Plano Colonial de Afonso de Albuquerque (Lisboa, 1929);
- A Influência do Conhecimento das Línguas Vernaculares na Obra da Colonização (Lisboa 1933);
-  A Obra dos Capitães e Missionários Portuguezes nas terras do Ultramar (Lisboa 1936).
 
Foi sócio do lnstituto de Coimbra e da Associação dos Arqueólogos Portugueses. 
 
Faleceu em Lisboa em 1959.
 
Na foto, retirada de "Memórias da Índia Portuguesa", vêmo-lo subindo as escadas da Sé Patriarcal de Lisboa, 1907."


 
 
 
 
 
 
 

432 MATILDE LANDA VAZ (24/07/1904)

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Uma personagem histórica espanhola, com raízes familiares em #Badajoz#Portel e #Goa

A sua mãe era filha de uma senhora de Portel, Benedicta das Dores Toscano Limpo, e do advogado goês Damião Salvador Vaz, natural de Aldoná, descendente do brâmane Antú Sinai, e parente, quer do célebre Abade Faria, quer do deputado do Estado Novo, Álvaro de Santa Rita Vaz.

Damião Vaz era advogado, e formou-se em Coimbra antes de se radicar em Portel.

Aqui fica o texto encontrado em http://www.todoslosnombres.org/content/biografias/matilde-landa-vaz

UM SÍMBOLO DA LUTA ANTI FRANQUISTA

"Matilde Landa nasceu em Badajoz em 24 de junho de 1904, na casa da família da Plaza de San Andrés (hoje Cervantes). Veio de uma família rica e instruída, intimamente ligada à Instituição Livre de Educação. Seu pai, Ruben Landa Coronado, tinha sido um líder republicano proeminente na região, e entre os seus irmãos, paira a figura de Ruben Landa Vaz, professor de filosofia, um amigo de Antonio Machado, que foi exilado para o México em 1939.

Matilde passou sua infância e adolescência em Badajoz, onde estudou o ensino médio, mas em 1923 mudou-se para Madrid, a fim de assistir à corrida de Ciências Naturais. 

Durante a Segunda República começou sua militância política. Ela se juntou ao PCE pouco antes da Guerra Civil, através de seus contatos com o ativista italiano Vittorio Vidali "Comandante Carlos" e sua companheira, a famosa atriz e fotógrafa Tina Modotti.

Após o golpe de Estado de julho de 1936, ela se juntou às tarefas sanitárias de um hospital de guerra em Madrid. 

Foi para a Cruz Vermelha Internacional, ajudando na evacuação de Málaga (Fevereiro de 1937) e, desde 1938, na seção de informações populares, Subsecretaria de Propaganda do Governo Republicano. Então visitou muitas cidades da Península, na qual organizou conferências para elevar o moral dos combatentes republicanos. Naquela época, conheceu Miguel Hernández, que lhe dedicou o poema "A Matilde".

Pouco antes do colapso da República, foi incumbida pelo Bureau Político do PCE para organizar o Partido, em face da entrada iminente das tropas de Franco em Madrid. A rapidez com que este Comitê foi criado e a falta de recursos que ele sofreu demonstram a extrema improvisação com que o PCE empreendeu os primórdios da clandestinidade.

Na verdade, foi rapidamente desmantelado pela polícia. Em 26 de setembro de 1939, entrou na prisão de vendas, onde desenvolveu uma impressionante tarefa de ajudar os prisioneiros condenados à morte na famosa "penitenciária". Condenado à pena máxima, graças aos escritórios do filósofo García Morente, a pena pôde ser comutado para trinta anos de prisão.

Em junho de 1940, foi transferida para a prisão de Palma de Mallorca, possivelmente uma das piores prisões nas mulheres pós-guerra espanhol, caracterizado pela superlotação e má nutrição. Como em Sales, Landa tornou-se imediatamente uma referência moral básica para os presos, liderando as modestas ações de resistência que ocorriam na prisão.

Mas, por outro lado, seu significado político determinou que as autoridades religiosas da prisão estavam muito interessadas na sua conversão ao catolicismo, o que teria constituído uma notável vitória de propaganda para o regime. Assim, a partir de 1941, uma pressão brutal foi iniciada para ser batizada, na qual intervieram algumas das principais autoridades eclesiásticas da ilha.

Logicamente, nessas circunstâncias, o seu equilíbrio emocional sofreu bastante. Assim, na tarde de 26 de setembro de 1942, caiu de uma galeria na prisão, e depois de três quartos de hora morreu; embora em algumas ocasiões tenha sido alegado que ela foi assassinada, não há dúvida de que foi um suicídio, embora, claro, induzido pela situação terrível que sofreu. 

Poucos dias depois, a família descobriu com indignação que fora batizada em «articulo mortis». Foi enterrada no cemitério de Palma, num túmulo de propriedade de uma família aristocrática maiorquina.

A recuperação da biografia de Matilde Landa começou na década de setenta, e é atualmente considerado um dos principais símbolos do movimento de mulheres contra a ditadura de Franco."
 
 
 

431 ALBERTO CARLOS GERMANO DA SILVA CORREIA (22/08/1888)

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#Angola

Alberto Carlos Germano da Silva Correia nasceu em Pangim, Goa, de pais Goeses.

Foi Médico militar, professor da Escola Médico Cirúrgica de Nova Goa e do Hospital Militar.

É autor de um grande número de obras sobre a Índia Portuguesa, nomeadamente uma História da Colonização Portuguesa em 6 volumes. 

Feito Comendador das Ordens de «Cristo», «Avis«, e «Santiago e Espada».

Os onze estudos que publicou durante a Comissão de serviço que cumpriu em Angola são muito raros, preciosos e pouco conhecidos, de onde se elencam:

1 «OS LUSOS DESCENDENTES DE ANGOLA»
2 «COLONIZAÇÃO PORTUGUESA DE ANGOLA»
3 «OS CUANHAMAS (Contribuição ao seu estudo antropométrico e etnográfico) 
4 «O CLIMA, A NOSOGRAFIA E O SANEAMENTO DE LOANDA»
5 «A TUBERCULOSE E OS SANATÓRIOS DE ALTITUDE EM ANGOLA»
6 «PROBLEMA DA FEBRE AMARELA EM ANGOLA E OS SEUS CLIMAS MARÍTIMOS»
7 «A VARIOLA EM ANGOLA»
8 « A LEPRA EM ANGOLA»
9 «A MENINGITE CÈREBRO-ESPINAL E AS SUAS RELAÇÕES NOSO-METEÓRICAS COM ALGUNS CLIMAS ANGOLENSES»
10 «A DOENÇA DO SONO EM ANGOLA»
11 «OS PROCESSOS PRÁTICOS DE HOSPITALIZAÇÃO DOS INDÍGENAS E A SUA ASSISTÊNCIA MÉDICA EM ANGOLA»

 

430 HOPFER CUSTÓDIO XAVIER CLEMENTE GOMES (1866)

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Hopfer Custódio Xavier Clemente Gomes, era natural da Índia Portuguesa, onde nasceu na aldeia de Bicholim, a 22 de Novembro de 1866.

Foi um Oficial da Armada Portuguesa, tendo atingido aquando da sua passagem a reserva (1938), o posto de Capitão de Mar-e-Guerra, o topo dos oficiais superiores antes dos oficiais-generais, e equivalente a patente de Coronel do Exército.

Faleceu em Matosinhos, norte de Portugal, a 13 de Maio de 1938.

Na foto, Hopfer Gomes enquanto Oficial Tenente.

segundo Memórias da Índia Portuguesa

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413 JOSÉ CAMILO AIRES DA CONCEIÇÃO E SÁ, Coronel-Médico (1882)

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Nascido em Nova Goa, filho e pai de médico.

Formou-se em Medicina na Escola Médico-Cirúrgica de Goa em 1907 e com distinção, na Universidade de Medicina do Porto (1913), onde defendeu a tese «As Tripanosomíases Humanas», e pela Escola de Medicina Tropical de Lisboa.

A sua tese «Hygiene em Pangim» foi publicada em Goa.

Foi professor na Escola Normal de Goa, e teve uma breve passagem por Macau e Timor como Tenente-Médico do Quadro de Saúde.

Seguidamente foi Lente e Secretário da Escola Médico-Cirúrgica de Goa.

Durante a Primeira Guerra Mundial, foi notado pelo seu combate ás epidemias em Margão e eficácia na implantação de procedimentos sanitários adequados na cidade, enquanto membro do Quadro de Saúde.

Devido á escassez de recursos em tempo de guerra, conseguiu inovar, concebendo uma máquina de desinfecção sulfúrica alternativa, batizada «Airiston», que podia ser produzida localmente, e que foi posteriormente copiada em Paris pelo Dr.Eduard Bonjean.

Deu início aos serviços de Radiologia e Electroterapia na Escola Médico-Cirúrgica de Goa.

Editou mais de uma vintena de livros de sua autoria.

Faleceu em 1956.

429 MAFALDA SACCHETTI (12/03/1977)

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Filha do incontornável Paulo de Carvalho e de Teresa Sacchetti, teve como avó materna Rosa Lobato de Faria (390)

O seu tetravô foi José Júlio Rodrigues (267), goês, pai de José Bettencourt Rodrigues (268), e bisavô de Rosa Lobato de Faria.

De Rosa Lobato de Faria veio também, entre outros, Bi Rebelo de Sousa, cunhada do atual Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa e mãe de Mariana Rebelo de Sousa. 

Cantora portuguesa de Soul, Jazz e Blues, Mafalda Sacchetti conta já com uma apreciável carreira, tendo lançado o seu primeiro álbum em 2004.

Ainda em 1994, representou Portugal no festival ibero-americano da OTI, com o tema «Eu Quero Um Planeta Azul», tendo sido finalista.

Protagonizou ao longo dos anos, inúmeros temas para novelas, séries e similares.

Mafalda tem formação pela "Liverpool Institute for Performing Arts" e estudou no Conservatório de Música de Lisboa. 

É também formada em Design de Interiores.

Na foto da Revista Caras, Mafalda Sacchetti, Paulo de Carvalho e Agir.

 

427 ISIDORO EMÍLIO BATISTA (1815)

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Já o havíamos visto em 249 «Matemáticos Portugueses de Cêpa Goesa», de Domingos Soares Rebelo. Depois de termos destacado do artigo Raimundo Venâncio Rodrigues (222), hoje fazemo-lo com Isidoro Emílio Batista. 

Nasceu na aldeia de Loutulim, concelho de Raia, Goa, de família goesa. O seu pai, Narciso José Batista, fora um alto funcionário público, tendo ocupado o cargo de Guarda-Mor da Relação de Goa.

Em 1838/40 matricula-se em Coimbra, após obter por mérito a respectiva bolsa de estudos.

Na cidade dos estudantes cursa Medicina além de Filosofia.

Segue para Paris, onde licencia-se em Ciências Naturais tendo efectuado Doutoramento em Medicina.

Voltando a Portugal, fez-se Lente na Escola Politécnica de Lisboa e no Instituto Agrícola onde ensina Montanística e Docimásia, até o fim dos seus dias. 

Foi Sócio-Fundador do Grémio Literário (Carta Régia da Rainha Dona Amélia, de 18 de Abril de 1846), conjuntamente com Alexandre Herculano, o Marquês de Sá da bandeira, entre 85 membros fundadores.

Membro da Academia Real das Ciências de Lisboa, Membro Vitalício da Sociedade Geológica de Paris, recebeu do Reino de Espanha a Comenda da Ordem de Carlos III.

Autor de uma vasta obra literária e científica, Isidoro Emílio Batista foi considerado um dos homens mais doutos de seu tempo, versado em Matemática, Medicina, Ciências Naturais, Engenharia de Minas, Cartografia, Agronomia, etc

É também de sua autoria a mais antiga planta da Cidade de Coimbra (1845) ainda nos seus tempos de estudante, tem inscrito nesta cidade o seu nome numa das suas ruas, o qual também consta numa escola primária em Goa, paralela a Igreja da Graça, em Margão.

Casado com a cidadã francesa Constance Pevrieux, de quem teve 4 filhos, faleceu relativamente cedo, em 1863, aos 48 anos.

na foto, a mais antiga planta da Cidade de Coimbra.

— em Coimbra.

 
 
 
 
 
 
 

426 Dr. LUÍS FILIPE DO ROSÁRIO (21/05/1837)

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Nascido em Bombaim, o Dr. Luiz Philipe do Rozário foi o filho mais velho do Dr. Caetano Baptista do Rozário e sua esposa, Mariana de Faria, a sexta filha de Sir Rogério de Faria (085). 

Casou-se com Ana Elisa Fernandes, que nasceu em 6 de maio de 1846, em Bombaim, e moraram em Mount Road, Mazagaon, na mesma cidade.

Médico, o Dr. L. do Rosario foi Cavaleiro Comandante da Ordem da Imaculada Conceição, ordem portuguesa, e Vice-Cônsul de Portugal em Bombaim. 

Faleceu em 

425 JOE RODRIGUES (24/04/1931)

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Nascido Jawaharlal Joel Joachim Rodrigues, em Bombaim, vinha de uma família ancestral de Cortorim, Salcete, Goa.

O seu pai, um fervoroso indianófilo, era jornalista, mas traçou como destino do seu filho, a carreira de Médico. Rodrigues frequentou dois anos de Medicina mas a paixão pelas artes e pela profissão do pai falou mais alto.

Feitos os estudou apropriados no St.Xavier College, juntou-se em 1949 ao «Times Of India» como sub-editor. 

Seis anos mais tarde, parte para a África Oriental, a procura de novos desafios.

Trabalha em Kampala, no «Uganda Mail» por um período de um ano, de onde vai para Nairobi, onde se fixa tornando-se cidadão Queniano.

Escreve editoriais em dois periódicos quenianos, o «Daily Chronicle» e o «National Guardian», mas quando em 1960 a sua Alteza real o Príncipe Aga Khan funda o Nation Group Of Newspapers, Rodrigues, já com reputada experiência, é contratado. Passa sucessivamente pelos cargos de Sub-Editor, Chefe Sub-Editor, Editor Assistente, Editor Gerente e Editor Chefe (entre 1978 e 1981).

Foi membro do Executive Board of the International Press Institute, e correspondente do «Indian Express» assim como do «Daily Telegraph» de Londres. Foi também correspondente do United Press International.

Em 1981 deixa o Nation Group e funda o seu próprio grupo, o «New Publishers, Ltd.» onde publica nove revistas de negócios incluindo o «AutoNews», o «East African Report on Trade and Industry», o «Kenya Export News», o «Management Magazine» e o «Arquitect».

Largamente respeitado pelos seus pares de profissão, era conhecido pela sua decência, coragem, dignidade e frontalidade.

Faleceu prematuramente aos 56 anos de idade, e o seu funeral foi testemunho do apreço que a sociedade queniana tinha pela sua personalidade.

Era irmão do General do exército indiano, Sunith Francis Rodrigues (115).

 

424 CYPRIAN FERNANDES (Setembro, 1943)

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Expoente maior do jornalismo queniano, Cyprian Fernandes nasceu em Eastleigh, um subúrbio pobre e segregado de Nairóbi, capital do então Quénia britânico.

Abandonada por um pai alcoólatra, a família de Cyprian Fernandes sobreviveu graças ao trabalho árduo e à muita fé da mãe, iletrada e formalmente pouco qualificada, que ainda hoje é lembrada com grande afeto. 

Rosa Maria Fernandes criou os seus seis filhos sozinha. 

Apesar de pobre e das grandes dificuldades, a família sempre nutriu um grande orgulho tanto na sua cristianidade, como na sua herança portuguesa.

Aos doze anos, Fernandes é preso inadvertidamente, durante uma incursão policial no bairro de Eastleigh, na sequência da Revolta dos Mau Mau.

Aos 13 resolve abandonar a escola, após ter sido injustamente acusado de ter roubado vinho do altar da igreja escolar. 

No início da sua juventude, Fernandes começa a trabalhar no grupo editorial Nation Group, que pertencia a Aga Khan, onde trabalha também Joe Rodrigues (421), que o apadrinha.

Neste grupo colabora nos jornais Daily Nation e Sunday Nation. 

Torna-se comentador politico, viajando pelo mundo com o Presidente Jomo Kenyatta e ou a sua comitiva, incluindo Joseph Zuzarte Morumbi, politico filho de pai Goês e mãe Masai.

Fernandes cobre os Jogos Olímpicos de Munique em 1972, onde o Quénia é uma grande potência desportiva. Testemunha o massacre perpetrado pela OLP contra a delegação israelita. 

Entrevista o ditador ugandês Idi Amin Dada, responsável pela expulsão do asiáticos do Uganda, categoria essa onde os goeses acabam por ser incluídos. 

Fernandes é provavelmente a primeira testemunha dos massacres ordenados pelo ditador. Porém as provas fotograficas são destruídas pelo chefe editorial Boaz Amori.

Em 1974, sentindo a sua vida em risco, opta por viver com a sua família na Austrália onde se encontra ainda hoje.

Cyprian Fernandes faz parte do rol de goeses que muito contribuiram para essa grande esperança que foi o Quénia independente dos anos 60, onde se incluía Pio Gama Pinto, Joseph Zuzarte Morumbi, Seraphino Antão, Joe Rodrigues, Fitz de Souza, entre tantos outros.

adaptação

 

423 PATRIZIA MARIA ROSÁRIO

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Cantora lírica britânica, nasceu em Bombaim, Índia, vinda de família goesa.

Formou-se musicalmente no Guildhall School of Music and Drama, Reino Unido.

Em 1997 participou nas comemorações dos 50 anos de independência da União Indiana.

Álbuns: Ikon Of Eros, Spanish Songs, Female Opera Queens, Enrique Granados & Manuel De Falla: Tonadillas Al Estilo Antiguo & Canciones Populares Espanolas, 25 Rodrigo Playlist, Casken: Golem, 20th Century Greats: Manuel De Falla.

Gêneros: Música clássica, Ópera.

Gravadoras: Deutsche Grammophon, Naxos, Hyperion Records Limited, ABC Music, Reference Recordings, Dutton Vocalion, Archiv Produktion, ABC Classics, NMC Recordings, Somm Recordings, Collins Classics, Louth Contemporary Music, etc.

em Wikipédia

 

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