Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

GALERIA DOS GOESES ILUSTRES

INTROSPECÇÃO SOBRE A ORIGEM, O ALCANCE E OS LIMITES DA IDENTIDADE GOESA, E O SEU CONTRIBUTO HISTÓRICO E SOCIAL EM PORTUGAL E NO MUNDO

GALERIA DOS GOESES ILUSTRES

INTROSPECÇÃO SOBRE A ORIGEM, O ALCANCE E OS LIMITES DA IDENTIDADE GOESA, E O SEU CONTRIBUTO HISTÓRICO E SOCIAL EM PORTUGAL E NO MUNDO

008 BERNARDO PERES DA SILVA (1775-1844)

15253456_679205628913399_1670748362556423677_n.jpg

 



por Francisco Monteiro

Bernardo Peres da Silva nasceu em Neurá concelho das Ilhas, distrito de Goa, antigo Estado da Índia, a 15 de Outubro de 1775. Ficou orfão dos pais José Tomás de Vila Nova Peres e Mariana Veloso quando ainda era muito jovem, pelo que foi levado pelo seu tio que era padre ao seminário de Rachol, onde completou a sua educação secundária; matriculou na Escola Médico-Cirúrgica de Goa onde completou o curso de medicina. 

Como membro eleito da Câmara Municipal de Ilhas - Goa lutou contra os privilégios da aristocracia dominante que pretendia arbitrariamente administrar os Fundos Municipais, como se os Fundos fossem seus. 

Foi nomeado professor substituto da Escola Médico-Cirúrgica de Goa onde contestou algumas das medidas impostas pelo Vice Rei, Conde de Rio Pardo, relacionadas com o exercício de medicina. Em 1820 é proclamada em Portugal a nova constituição liberal, cujos ecos apesar de terem chegado a Goa somente no ano seguinte provocaram uma forte agitação; de facto tanto os civis como os militares marchando até ao Palácio do Governo em Pangim, aprisionaram o Governador Geral, Conde do Rio Pardo e em seguida proclamaram a constituição liberal. 

Entre os “leaders” do movimento estava o Dr. Bernardo Peres da Silva. Em 14 de Janeiro de 1822 realizaram-se pela primeira vez eleições para eleger deputados pela Índia Portuguesa, onde são eleitos o Dr. Bernardo Peres da Silva, o Dr. Constâncio Roque da Costa, ambos naturais de Goa e o Dr. A. J. Lima Leitão que era de origem portuguesa. 

Quando pela segunda vez foi eleito Deputado e chegou a Lisboa, viu de novo a Constituição Parlamentar dissolvida e sendo perseguido pelo usurpador do trono português, andou fugitivo, escapando-se da perseguição com a fuga para Londres, tendo residido por algum tempo em Plymouth e depois no Brasil, escapando-se assim a perseguição dos miguelistas. 

Durante este período, ainda publicou um manifesto protestando contra o absolutismo em Portugal, manifesto que era fortemente secundado pela corte de D. Maria II e talvez fosse esse o único e o primeiro manifesto até aquele tempo publicado por um indiano (goês) na Europa e a que ainda foi feita referência na Câmara dos Comuns, na Inglaterra. Depois de restituída a Constituição Liberal, em 1833, voltou ele do Brasil a Portugal e foi de novo nomeado deputado em 1834 e em Junho do mesmo ano em reconhecimento dos valiosos serviços prestados ao estado, foi nomeado pelo Regente do Reino em nome de D. Maria II, para o posto de Prefeito das Índias, cargo este correspondente a Vice Rei. 

Bernardo Peres da Silva chegou a refugiar-se no Forte de Tiracol, no norte de Goa, primeiro ao escapar dos revoltosos e posteriormente na tentativa de retomar o governo de Goa.Foi o primeiro goês a ser nomeado para um cargo equivalente a Vice Rei, mas sem poderes sobre o exército. Embarcou na fragata portuguesa “Princesa Real” e chegou a Goa em 10 de Janeiro de 1834; passados quatro dias tomou posse do cargo de Prefeito. Foi recebido com grande entusiasmo pela população local porque era a primeira vez que um cidadão natural de Goa ia governar a sua terra. 

As primeiras medidas que tomou como Prefeito foi a nomeação do Conselho da Prefeitura constituída por Manuel Correia da Silva e Gama, Brigadeiro António José de Melo Souto, Major Teles e o Comendador D. José Maria de Castro e Almeida; reorganizou os serviços judiciais, extinguiu as ordens monásticas, beneficiou as comunidades aldeãs extinguindo a taxa de um sexto que tinham que pagar ao estado sobre os seus rendimentos e acabou com alguns abusos que estavam a ser praticados pelas classes privilegiadas. 

As medidas tomadas afectaram algumas personalidades que perderam os seus privilégios e estiveram na base da revolta das forças militares desencadeada na noite 1 de Fevereiro de 1834 que terminou com a sua destituição. Deve-se no entanto salientar que nem todas as unidades militares apoiaram a revolta; Bernardo Peres da Silva ficou detido num navio e rapidamente exilado para Bombaim. Aqui ele pediu o apoio das autoridades britânicas dado que a Grã Bretanha era aliada de Portugal e podia apoiar a autoridade legal de Goa. 

Conseguiu recrutar algumas tropas nos subúrbios de Bombaim que embarcaram em cinco (5) navios com destino para Goa; a expedição não conseguiu alcançar Goa por terem surgido várias dificuldades e acabou por regressar a Bombaim; daqui a expedição dirigiu-se para Damão onde foi estabelecida a administração provisória da Prefeitura. 

Entretanto os cabecilhas da revolta duvidando da legalidade do seu acto e temendo a sua prisão resignaram e entregaram o poder nas mãos do Primeiro Conselheiro da Prefeitura; as unidades militares que se tinham oposto a revolta militar, uma Bataria de Artilharia e o Primeiro Regimento de Infantaria exigiram o regresso de Bernardo Peres da Silva como Prefeito e mandaram tomar as medidas necessárias ao seu regresso, porém o Governador Militar Furtado de Mello ordenou a movimentação de tropas e no dia para o qual estava anunciada a chegada de Bernardo Peres da Silva mandou bombardear o forte de Gaspar Dias que ficou totalmente em ruínas. 

A situação criada com estes acontecimentos não permitiram concretizar o regresso de Bernardo Peres da Silva tendo por esse motivo sido instituído um Governo Provisório constituído por Rocha de Vasconcelos como Presidente e Dr. Manuel José Ribeiro e Constantino de Santa Rita como vogais. 

Toda esta odisseia terminou com a nomeação pelo governo central de Lisboa do Barão de Sabrosa como novo Governador da Índia Portuguesa; Bernardo Peres da Silva aceitou a nomeação do novo governador e regressou a Goa. 

Voltou a ser eleito deputado pelas Cortes em 2 de Setembro de 1838 tendo sido reeleito em 7 de Abril de 1849 e também em 9 de Outubro de 1842. A sua acção nas Cortes foi de grande relevo onde defendeu intransigentemente os interesses da Índia Portuguesa e de outros territórios ultramarinos portugueses. Um dos seus discursos proferidos na Câmara dos Deputados foi publicado em 1840 com o título de “Aos Representantes da Nação Portuguesa”. Entre diversos livros que escreveu conta-se o “Dialógo entre um Doutor em Filosofia e um Português na Índia sobre a Constituição Política de Portugal”. 

Viveu os últimos dias da sua vida com muitas dificuldades financeiras tendo falecido em Lisboa a 14 de Novembro de 1844; os seus restos mortais encontram-se depositados num mausoléu doado pelo Estado no cemitério dos Prazeres em Lisboa (Portugal).
 
 
 

Mais sobre mim

imagem de perfil

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D