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GALERIA DOS GOESES ILUSTRES

INTROSPECÇÃO SOBRE A ORIGEM, O ALCANCE E OS LIMITES DA IDENTIDADE GOESA, E O SEU CONTRIBUTO HISTÓRICO E SOCIAL EM PORTUGAL E NO MUNDO

GALERIA DOS GOESES ILUSTRES

INTROSPECÇÃO SOBRE A ORIGEM, O ALCANCE E OS LIMITES DA IDENTIDADE GOESA, E O SEU CONTRIBUTO HISTÓRICO E SOCIAL EM PORTUGAL E NO MUNDO

492 JOSÉ ESTEVÃO DA SILVA

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José Estevão da Silva foi tio-bisavô de Otelo Saraiva de Carvalho.

Nasceu a 3 de Fevereiro de 1875 em Saligāo, Bardez, Goa.

Vindo á metropole, assentou praça no Regimento de Lanceiros d'El-Rei nº 2 , na Ajuda, onde chegou a segundo-sargento.

Esteve nas Campanhas de Moçambique contra o Imperador de Gaza, Gungunhana.

Foi funcionário da Fazenda em Lourenço Marques (Moçambique) até inicio de 1910, em São Tomé (1910/1912), em Lisboa (1912/1914), em Cabo Verde (1914/1916), em Lourenço Marques novamente (1916 /1919) e finalmente, em Luanda, Angola (1919/1921), onde veio a falecer.

Não sendo de grande proeminência social, o caso deste parente de Otelo, não deixa de ser exemplo de um servidor público português global e de "todo o terreno".

491 A COSTELA DE OTELO

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Não foi fácil chegar ao ramo goês de Otelo Saraiva de Carvalho, mas depois de muito remexer, conseguimos chegar a algum resultado.

Como é sabido, Otelo Saraiva de Carvalho nasceu em Lourenço Marques, de pai português e mãe nascida em Goa.

Ora, a mãe de Otelo, Maria Áurea Pegado Romão, tendo nascido em Salcete, Goa, era filha do português José Valente Romão e da goesa Carlota Joaquina da Silva de Oliveira Pegado (4), portanto avós do major revolucionário.

Carlota Joaquina Silva de Oliveira Pegado era filha de Agostinho José de Oliveira Pegado (2), e de sua esposa, Maria Adelaide Guilhermina da Silva (3), bisavós de Otelo.

Agostinho Pegado era filho de José Joaquim de Oliveira Pegado e de Maria Luísa Lopes Pereira e Oliveira Pegado, ambos de Goa e trisavós de OSC.

Maria Adelaide Guilhermina da Silva era filha de Agostinho Francisco Xavier da Silva (1), casado com Francisca Eulália de Estefique Rocha, também de Goa. Eram portanto estes últimos, trisavós goeses de Otelo.

Sendo os bisavós maternos de Otelo de origem goesa, há que fazer a seguinte ressalva: 

O ramo Pegado da família, provém da nobreza de Estremoz, longamente estabelecido na Índia Portuguesa desde o século XVI.

No entanto, sendo inegável a antiquíssima ligação da família goesa de Otelo a esta família do Alto Alentejo, o nome «Pegado» tem sido artificialmente mantido no seio da família visto que, tendo entrado pela via feminina, tem sido insistentemente trocada a sua ordem com o nome da via varonil conforme a circunstância assim o pede. Razões haverão.

 
 
 
 
 
 
 

 

490 FERNANDO HUGO FRANCO BÉLICO DE VELASCO (23/10/1932)

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De óculos escuros, tez clara, graduado em Major, surge nesta foto ao lado do Capitão Salgueiro Maia no dia 25 de Abril de 1974, no cerco ao Quartel do Carmo, o acto fulcral que pôs fim a 41 anos de Estado Novo.

 

Fernando Velasco, foi o único oficial militar da GNR (Guarda Nacional Republicana) que participou na deposição do regime. Não estava no entanto, ligado a génese do Movimento dos Capitães. Sabia o quando, mas não exatamente o quê e o como.

 

Foi também, segundo as suas palavras, dos poucos militares que participou no Movimento por questões morais (a exoneração de Spínola e Costa Gomes), não tendo qualquer motivação ou ambição ideológica ou partidária, como de resto o seu percurso posterior veio a confirmar.

 

Da família do grande hoquista goês Francisco Velasco, Fernando nasceu em Ribandar, Goa, tendo feito a sua formação e percurso militar em Portugal e em Angola.

 

Era neto de Manuel Domingos Franco Bélico de Velasco, Capitão de Artilharia de Damão (1855), Major Comandante do Forte de Sanquelim, Goa (1862) e Cavaleiro da Ordem de Aviz (1855).

 

Era também tio-segundo de Otelo Saraiva de Carvalho, pois a tia de Fernando era avó de Otelo.

 

Esta familiaridade, como o próprio reconheceu, trouxe alguma facilidade de comunicação durante o período da Revolução, mas, e não obstante a ligação familiar, tiveram ambos caminhos políticos e cívicos muito distintos, senão mesmo incompatíveis.

 

Fernando Hugo Velasco reformou-se como Coronel.

489 RUI JOSÉ PREGAL DA CUNHA

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Português, nasceu em Macau. De sua mãe, nascida em Goa, herdou o laço ancestral aquelas paragens e a família Costa, de Margão. Foi inclusive em Goa, que os seus pais se conheceram, e a sua irmã mais velha nasceu antes da ida da família para Macau, em 1961. 

#Paixāo #SóGostoDeTi #Amor#BravaDançaDosHeróis #KickOutTheJams

"Rui Pregal da Cunha nasceu em Macau, no dia 21 de Fevereiro de 1963, vindo viver para Portugal com 4 anos.

Foi fundador e vocalista da banda portuguesa de pop-rock Heróis do Mar. Em conjunto com Paulo Pedro Gonçalves, seu colega na anterior banda, fundou os LX-90 que editaram o álbum 1 Revolução por Minuto. Posteriormente emigraram para Inglaterra e alteraram o nome do grupo para Kick Out of The Jams.

Em finais de 1999 foi um dos participantes nowww.invisivel.pt, um álbum de música mas com características multimédia inovadoras inserido no projecto "O Homem Invisível" que contou, entre outros, com Rui Reininho.

Após longa ausência do panorama musical, Rui Pregal da Cunha cantou, em 2010, na canção "Vá Lá Senhora" da banda Os Golpes. Regressou aos concertos ao vivo participando em apresentações de grupos como Os Golpes e Nouvelle Vague.

Trabalhou em publicidade, como produtor executivo de audiovisual e, em 2012, abriu um restaurante ("Can the Can") numa homenagem às conservas nacionais e ao fado.

Em 2013 foi, juntamente com Antony Millard, Pedro Abrunhosa e Victor Varela um dos pilares de Diagnóstico: Dandy, um documentário de Luís Hipólito estreado na RTP2.

Ao longo da década de 2010, foram vários os convites a Rui Pregal da Cunha para parcerias, quer em discos (como Ala dos Namorados, Os Capitães da Areia, ou Rogério Charraz) quer em espectáculos (como Ena Pá 2000, ou Miguel Ângelo.

Em 2014, Rui Pregal da Cunha participou numa homenagem a António Variações, que completaria 70 anos, com uma actuação, a 31 de maio, no festival Rock in Rio Lisboa, juntamente com os Deolinda, os Linda Martini e Gisela João.

Em 2019, foi a voz da canção "Rapazes da Praia", o hino do centenário do Clube de Futebol "Os Belenenses", do qual é adepto."

488 O «FORT ELVIRA»

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Os Goeses estão desde o primeiro momento na fundação do Quénia, e da sua capital, Nairóbi, em 1899.

 

Nesta foto, tirada dois anos antes, em 1897, podermos ver em cima, á esquerda, Manoelinho da Silva, "The Hunter", um dos fundadores do Goan Institute de Nairóbi, rival do Railway Goan Institute.

 

Do seu lado está Kitchin of Smith McKenzie, o primeiro homem a produzir café no Quénia, um dos pilares da economia do país.

 

Do lado direito de McKenzie, o Cmdt. Dugmore, comandante do Fort Ngong.

 

Sentada, ao meio, podermos observar em trajes vitorianos uma senhora, esposa do «District Officer» James Martin.

 

Trata-se da goesa Elvira Augusta de Souza.

 

O Forte Ngong, região onde assentava, ficou conhecido por «Fort Elvira», por ter sido ela mesma quem o fundou, em Setembro de 1896, a sul de Nairóbi.

 

No ano seguinte, o Forte Ngong seria reforçado pelo Comandante Dugmore, chefiando uma guarnição de guardas sudaneses.

 

James Martin, entretanto estabelecera ainda em 1896, acampamento num local onde pela primeira vez haverá a menção histórica ao nome Nairóbi, quando Edward Russel decide visitar "Mr. Martin e sua nova noiva" no local anteriormente conhecido como "Martin's Camp".

 

Sendo administrador territorial de 1894 a 1904, e apesar da posição que ocupava, Martin era iletrado, mas contava para isso, com a colaboração de um secretário goês: Anacleto da Silva. Era ele quem lhe lia e redigia toda a documentação.

 

Entretanto Elvira fica grávida de James e decide voltar, por precaução, á cosmopolita Zanzibar.

 

Retorna a Nairóbi uns meses depois, e tornando a ficar grávida de sua segunda filha, opta desta vez por permanecer na região. A filha nasce na Eldana Ravine Station. A família assenta ali, os seus arraiais.

 

Cabe-nos ainda dizer, que James Martin era na verdade o nome anglicizado de Antonio Martini, um maltês católico, homem com pouca educação formal e militar, mas de grandes qualidades inatas. Nasceu nos arredores de La Valetta, no ano de 1857, tendo embarcado aos quinze ano de idade para a África Oriental.

 

Qualquer semelhança entre Elvira de Souza e a breve vida africana de Karen Blixen, é mera coincidência.

487 DJ RIOT, músico, DJ e produtor musical.

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"Rui Pité aka «RIOT», orgulhosamente da Amadora, começou a sua carreira musical cedo como baterista de diversas bandas, entre elas os «Blanket» onde tocou com o também fundador do projecto «BURAKA SOM SISTEMA», Branko.

 
Em 1998 após um contacto com DJ Johnny, outro nome marcante na expressão urbana nacional, entra para os «Cooltrain Crew» onde explorouessencialmente as sonoridades «Drum n' Bass» juntamente com os outros membros do grupo.

 
Em 2008 destaca-se o seu envolvimento na fundação de «BURAKA SOM SISTEMA», ano em que também viu a sua remistura de "Poetas de Karaoke" de «Sam The Kid» ser lançada na edição de ouro do álbum "Pratica(mente)" do MC de Chelas.

 
Também em 2008 cria a primeira editora nacional de Drum n' Bass / Dubstep, a «Faster Music», e através da procura de novas sonoridades com Buraka, chega ao Zouk Bass, género musical baseado nas sonoridades Zouk das Antilhas e da Kizomba de África. 

 
Com a explosão do Zouk Bass capta a atenção de Goldie, um dos seus heróis da música de dança e fundador da editora Metalheadz.

 
Mais tarde em 2014 esteve envolvido nas primeiras edições da Editora ENCHUFADA, outro projecto marcante do panorama musical nacional."

 
Presentemente está envolvido no projeto «Bateu Matou» com Quim Albergaria e Ivo Costa, outro percursionista de ascendência goesa, entre outras.

 

486 IVO COSTA, baterista.

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Nascido a 06/08/1978 nas Caldas da Raínha, de ascendência goesa, Ivo Costa iniciou a sua formação musical em 1995.

 
Estudou com Vicky, Francisco Fernandes, André Sousa Machado, Alexandre Frazão e Jorge Lee, e ainda no «Hot Clube de Portugal» com Henry Sousa.

 
Ensina na «Academia de Música Improviso» e dá aulas particulares.

 
Tem colaborado com artistas diversos do panorama musical nacional, incluindo Cool Hipnoise, Cais Sodré Funk Connection, Lúcia Moniz, Adelaide Ferreira, Mafalda Veiga, João Pedro Pais, Shout!, Paulo de Carvalho, Funky Messengers, Gospel Choir, Hands On Aproach, Carmen Souza e muitos outros. 

 
Está actualmente em digressão com Sara Tavares, Ébano e ADUF.

 
Está também reunido com os percursionistas DJ Riot (Rui Pité, também de ascendência goesa) e Quim Albergaria no projeto «Bateu Matou».

 
É proprietario e produtor no estúdio Pimenta Preta.

 

485 A AÇÃO CONSULAR E DIPLOMÁTICA GOESA NO ÍNDICO

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Durante os séculos XIX e XX, muita da representação consular portuguesa (mas também estrangeira) no Índico, fez-se com os Goeses. 

 
Recordemos que esta era uma zona nevrálgica nomeadamente a África Oriental, onde as ditas potências europeias campeavam por soberania e influência.

 
Os Goeses residentes em Zanzibar, Tanganica, Niassaland, Quénia e Uganda, mas também Goa, Bombaim ou o Reino da Tailândia, acabaram por fazer naquela zona do globo, a ponte consular e diplomática entre Portugal e as potências ocidentais como a Alemanha, Inglaterra, França, EUA, Brasil, etc.

 
Vultos com Gerson da Cunha, Rosendo Ribeiro, Leopoldo Flores, Octaviano Ferreira, Augusto Brás de Sousa, John Barreto, Manuel Francisco Albuquerque, Lourenço Antão ou Caetano Martins, entre outros, estão entre os que personificaram essa missão, fosse na função de Cônsul, Vice-Cônsul ou Encarregado de Negócios. 

 
Na foto, Caetano Martins, como Cônsul de Portugal em Dar-Es-Salaam, capital da Tanzânia, durante a última década de 50 e 60.

 — at Dar es Salaam.

 

484 THE JAZZ SWINGERS

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Surgida no ano de 1947, a «The Jazz Swingers» foi a primeira banda de música jazz de Dar-Es-Salaam, literalmente a "Cidade da Paz", e uma das primeiras da África Oriental.

 
Formada por Goeses já nascidos naquele país africano, a banda animava as noites e "soirées" do «Goan Institute» da capital da Tanzânia, entre outros locais.

 
A sua música bebia e cruzava as influências dos blues americanos, da música africana, latino-americana, goesa, portuguesa e europeia.

 
A banda atravessou as décadas de 50 e 60, e teve como membro mais destacado, Jerry Luís, pai da música, pianista, cantora e professora Jacinta Luís, já aqui retratada.

 
Com o êxodo da comunidade goesa da Tanzânia, veio o fim da banda e a dispersão dos seus membros pelos quatro cantos do mundo. Ficou desse tempo a nostalgia.

 

474/483 GOESAS DE ALTO COTURNO (séc.XVIII/XX), de Domingos Soares Rebelo

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"Na saga plurissecular da História de Goa é gratificante verificar que algumas mulheres goesas refulgem como astros de primeira grandeza pela sua invulgar inteligência e pela sua primazia de actuação nos restritos domínios de actividade humana adoptada. 

Sem dúvida é curial, e até mesmo imperioso, que essas distintas goesas sejam recordadas como exemplos dignos de imitação por jovens do seu sexo, quer da actualidade quer dos futuros tempos.

Com este breve intróito, tentarei evocar uma dezena de goesas surgidas nos últimos 200 anos, arrumando-as na ordem cronológica do seu conhecido nascimento em Goa ou algures em país da diáspora goesa, onde estivessem a trabalhar seus progenitores. Eis essas estrelas goesas:

 
1. ROSA MARIA DE SOUSA (c.1735)
Nascida em Ucassaim-Bardez, como filha única dos seus ricos pais, casada com Caetano Vitorino de Faria, de Colvale, foi mãe de José Custódio de Faria (1756/1819), padre, doutorado em Roma (1780), que se notabilizou como o criador do hipnotismo científico em Paris e foi popularmente conhecido como Abade Faria. O casal Faria viveu uns 15 anos de desinteligências caseiras e resolveu separar-se sub conditione de ela se fazer freira no Convento de Santa Mónica da Cidade de Goa (onde foi Prioresa) e de ele se fazer padre (depois, doutor em Roma).


 
2. EUFRÓSINA PAIS DE NORONHA (c.1795)
Natural de Ucassaim e mãe do Prelado de Moçambique e Arcediago de Goa, D. Isidoro Caetano do Rosário e Noronha (1817/77), distinguiu-se na imprensa lisboeta com dois artigos (cf. NAÇÃO, Nº 3186/1859 e Nº 3952 de data posterior).


 
3. J. JÚLIA RODRIGUES (1840/1926)
Nascida em Britona, Bardez, casada com o médico e botânico José Camilo Lisboa (1823/97), foi sua secretária-ajudante nas pesquisas botânicas. Teve o ensejo de estudar as plantas e divulgá-las à Sociedade de Ciências Naturais de Bombaim, a qual atribuiu seu nome a uma das plantas por ela estudadas. Júlia Rodrigues Lisboa, concorreu com os seus espécimes de plantas às Exposições de Horticultura de Bombaim, Poona, etc. da sua época. Foi uma dama de grande saber e sobrinha do Lente de Coimbra Prof. Dr. Venâncio Raimundo Rodrigues, Deputado por Coimbra e Vereador e Presidente da C. M. de Coimbra em vários biénios. 
Salvo prova em contrário, sou a supor que ela foi a pioneira das mulheres botânicas de todas as épocas.


 
4. ANA IDALINA DA SILVA BOTELHO (1859/1946)
Foi natural de Pangim, casada com o advogado Filipe José da Gama Botelho e irmã mais velha do médico, farmacêutico e Chefe dos Serviços de Saúde da Índia, o Coronel Francisco António Wolfango da Silva (1864/1947). Primorosamente educada em Bombaim, Ana Idalina, com 14 anos, fez o antigo Liceu, por cadeiras singulares, em 1873, feito nunca mais registado em Goa.


 
5. FRIDA EMÍLIA FREITAS PAI (s.d.)
Filha de pais goeses de Pomburpá, Bardez, fez-se médica e ingressou nos Serviços de Saúde do Exército Indiano, com a singularidade de ser uma das três primeiras mulheres a servir nas Forças Armadas da Índia e a primeira mulher a ascender ao posto de Coronel. Seu nome estava proposto para o cargo de Brigadeiro, logo que houvesse uma vaga, o que não sucedeu, e ela foi apanhada por limite de idade. Aposentou-se como Coronel e Director Assistente dos Serviços Médicos em Jabalpur, Estado de Bihar-Orissa.


 
6. BÁRBARA LOBO GHOSH (s.d.)
Natural de Saligão, Bardez, formada médica na Índia, logo ingressou nos Serviços Médicos da Marinha Indiana, atingindo depois o posto de Comodoro Naval.


 
7. LATA MANGUEXCAR (c.1930)
Nascida em Manguexa e filha do grande actor teatral e famoso cantor Dinanata Ganexa Manguexcar, notabilizou-se como cantora de +30.000 canções nos palcos do teatro e do cinema indianos, cantando em concani, hindustano e marata. Arrebatava as multidões com a doçura e o timbre de sua inimitável e melodiosa voz. Era irmã de Aisha, Mina e Usha, três igualmente famosas e encantadoras cantoras indianas de vulto. Lata Manguexcar foi uma grande obreira social e benemérita de instituições de amparo aos doentes, idosos e carenciados.


 
8. VINITA VALÉRIA MENDANHA (s.d.)
Filha de pais goeses, oriundos de Salvador do Mundo, Bardez, formou-se médica na Índia e ingressou na Força Aérea Indiana, onde atingiu o posto de Wing Commander, continuando no exercício de plena actividade. É casada com o Comodoro de Ar, Gil Gomes, de Ucassaim, Bardez.


 
9. HELGA DO ROSÁRIO GOMES (s.d.)
Natural da África Oriental Inglesa, onde mourejavam seus pais, formou-se B.Sc. (Bacharel em Ciências Biológicas). Depois fez o Mestrado e o Ph.D. em Oceanografia pela Universidade de Goa. Segundo um relato da imprensa de Goa, a Dra. Helga do R. Gomes partiu para os EUA a fim de se especializar e tomar parte activa numa expedição científica à Antárctica. É casada com o Dr. Joaquim Goes, de Cortalim-Salcete/Mormugão, um dos cientistas do U.S. Bigelow Laboratory, Maine-USA e investigador dos efeitos da radiação solar (Raios-X) no sistema oceânico. É filha de Jacinto Serafino Gomes, de Vernã-Salcete/Mormugão, (primo co-irmão da mãe do signatário), e de Maria Aida Margarida Afonso da Rocha, de Quítula-Aldonã, Bardez.


 
10. MARIA VIRGÍNIA BRÁS GOMES (1951) Natural de Benaulim-Salcete e filha de pais goeses, após estudos em português, formou-se B.A. (Bacharel em Letras). Depois fez estudos em Francês na Universidade de Toulouse e um intenso treino no campo de assistência social por 4 meses na Universidade de Michigan Ocidental (EUA). É assessora do Ministério de Trabalho e de Assuntos Sociais, em Lisboa, o que a leva a tomar parte em vários convénios, conferências e reuniões de nível internacional, como participante e/ou representante do Governo Português. É autora de alguns folhetos de sua especialidade. Alia à erudição pessoal, a virtude de activa cantora do Grupo folclórico goês EKVAT, de Lisboa e uma humildade nas suas relações humanas. 



 
Há certamente muitas outras mulheres goesas de igual nota, mas com a minha provecta idade e com outros assuntos de vulto, que me ocupam a pena, dou por terminado este breve apontamento histórico-sociológico.


 
Alcobaça, 16 -08-2011"



 
na foto: Bárbara Lobo.

 

473 ANTÓNIO TAUMATURGO LEONARDO REIS PIO PEREIRA (1880)

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Nascido em Utordá, Goa.

 

Após o Liceu onde estudou Retórica, Latinidade e Filosofia, matriculou-se em Coimbra, na Faculdade de Direito tendo completado o curso juntamente com o seu primo Bragança Pereira e com Cunha Gonçalves.

 

Em 1907 foi Magistrado no Ministério Público e Judicial na Província de Moçambique e em Goa.

 

Taumaturgo Pereira foi durante dezasseis anos Procurador da República Portuguesa, provavelmente a pessoa a desempenhar durante mais tempo a função, entre 1939 e 1945.

 

 

 

Para além da notável carreira pública, o Desembargador desempenhou diversos cargos de interesse e protagonismo cívico.

472 ANTÓNIO ANASTÁCIO BRUTO DA COSTA (29/02/1828)

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António Anastácio Bruto da Costa, brilhante advogado e jornalista de Margão, Goa.

 

Exerceu advocacia em Diu, Damão e Goa.

 

Por mais de quarenta anos dedicou-se a causa jornalística no território, com notável sucesso.

 

Fundou com o seu irmão, futuro deputado e presidente da Câmara Municipal de Almada, o semanário «O Ultramar», publicado por si, e foi autor de vasta bibliografia.

 

Sobre ele disse o Governador-Geral do Estado da Índia, Horta e Costa:

 

"Bruto da Costa é um dos mais hábeis jornalistas que tenho conhecido, e os seus conselhos são preciosos. Quando morrer, a sua falta deverá tornar-se irreparável e ninguém deixará de senti-la".

 

Filho do grande deputado Constâncio Roque da Costa (018), era irmão de Bernardo Francisco da Costa (017), por conseguinte, tio do Dr. Alfredo da Costa (003).

 

Descendente por varonia do brâmane Marada Poi, foi bisavó da cantora Mafalda Veiga e teve 17 filhos.

 

471 OS GOESES E A GUERRA DO ULTRAMAR II

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A caracterização da participação goesa nas Guerras do Ultramar, não se limita à contabilização dos óbitos e dos feridos.

 

Ela acaba por ser o espelho da própria presença goesa na sociedade portuguesa, de modo que os Goeses, não sendo nunca muitos em termos absolutos, estão em todos os graus da hierarquia militar, e em todos os ramos e armas das forças armadas.

 

Houveram oficiais milicianos Goeses no Exército, na Marinha e na Força Aérea, e, dentro destes três ramos, Oficiais de Cavalaria, Oficiais Pilotos-Aviadores, Oficiais-Médicos, etc, fruto das respectivas formações de base, quer fosse em Direito, Medicina, Engenharia ou outra área.

 

Já em 1961, bem no início do conflito em larga escala, o Alferes Freitas, pilotava aviões militares em Angola, terra onde nascera, de pais goeses. Este é apenas um exemplo.

 

Também ao nível dos Sargentos milicianos, com um nível de instrução base intermédia, houveram um número considerável de Goeses e, obviamente, ao nível dos Praças, como seria expectável.

 

De destacar que as primeiros vitimas do embate com os indiano na Índia Portuguesa, eram objectivamente goeses do pessoal do Quadro Permanente, respetivamente Chefe de Polícia, Cabo de Polícia e Guarda, o que acaba por reflectir um pouco a longa presença e tradição goesa na carreira e administração pública portuguesa.

 

Do Quadro Permanente existiram também mais alguns casos, o mais conhecido e mediático, o de Otelo Saraiva de Carvalho, oficial de baixa/média patente e ex-instrutor da Mocidade Portuguesa, que ganhou notoriedade enquanto líder operacional do 25 de Abril, revolução que pôs termo á Guerra do Ultramar. Sendo português e moçambicano por nascimento, tinha ligações a Goa pelo lado materno. Terá também sido mentor do grupo terrorista «FP-25 de Abril», responsável por alguns atentados e assaltos, no período subsequente à Revolução dos Cravos.

 

Outro caso bem conhecido, não pelas melhores razões, é o do homem responsável pela morte do líder da Frelimo, Eduardo Mondlane. Trata-se de Casimiro Monteiro, agente da Pide, nascido em Goa, de mãe goesa e pai transmontano. Autêntico "cão de fila", foi um personagem implacável, que esteve em três teatros de guerra distintos (Europa durante a Segunda Grande Guerra, Índia e África Portuguesa).

 

A ele também se atribui a eliminação física do General Humberto Delgado e de sua secretária em Badajoz. Certo é que terá preparado o engenho explosivo que terminou com a vida do líder guerrilheiro moçambicano, e terá sido o próprio Casimiro quem, penetrando em território inimigo (Tanzânia), o enviou por correio tanzaniano, a fim de evitar suspeitas.

Por fim, não seriamos isentos, se não referíssemos a presença goesa no outro lado do conflito.

 

Em Moçambique, na génese da Frelimo, estiveram envolvidos pelo menos três líderes Goeses: Sérgio Vieira, Óscar Monteiro e Aquino de Bragança. Jorge Rebelo, outro histórico da Frelimo, será de ascendência goesa também, hipótese que contudo carece de confirmação. Todos participaram ativamente na auto-denominada "luta de libertação", como estiveram também presentes nas negociações de independência em 1975 e período subsequente.

 

Em Angola e já tardiamente (1975), junta-se ao MPLA como dirigente política, a jovem e bela Sita Valles, angolana por nascimento e coração, goesa por ascendência. Seria executada pelo próprio partido, tal como foi o seu marido, Nito Van Dunen, irmão da actual ministra da justiça portuguesa, Francisca Van Dunen.

 

Também a União Indiana teve entre as suas fileiras alguns militares goeses como foi o caso do «Airfield Marshal», Willmot Pinto, aviador que participou na Invasão de Goa e que, coisas do destino, morreu algum tempo depois nos Himalaias, numa queda de helicóptero.

 

Políticos de esquerda ditos"nacionalistas", intelectuais arvorados em "anti-colonialistas", e agitadores de serviço, conhecidos por «freedom-fighters», e que não iremos aqui elencar, estiveram também do lado da União Indiana.

 

Podemos com segurança afirmar que o conflito denominado Guerra do Ultramar, teve uma presença transversal dos Goeses, quer fosse a nivel ideológico, operacional, geográfico ou sociológico.

470 OS GOESES E A GUERRA DO ULTRAMAR I

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A definição de “Guerra do Ultramar” varia, conforme o autor ou o enfoque que se queira dar.

 

Alguns autores consideram apenas o período dos conflitos em África, que começaram em Angola, Guiné-Bissau e posteriormente em Moçambique; outros incluem os acontecimentos verificados no Estado Português da Índia, e que começaram em 1954, com a anexação dos enclaves de Dadrá e Nagar-Aveli. Em qualquer das considerações é inegável a participação de Goeses desde o primeiro momento.

 

A Liga dos Combatentes e a Liga dos Veteranos da Guerra do Ultramar contabilizam as baixas desde esse primeiro acontecimento.

 

De facto, o Chefe de Polícia Aniceto Patrocínio Francisco do Rosário e o Guarda António Joaquim Francisco Fernandes foram, no posto de Silvassa (22.07.1954), os primeiros homens a tombar em todos os conflitos armados ultramarinos da segunda metade do século XX. A eles, seguiu-se o Cabo de Polícia Francisco Xavier Plácido Soares de Melo, em Goa, a 25.10.1955. Eram os três Goeses.

 

No total, até 1974 e em todos os cenários do conflito, terão nascido na Índia Portuguesa, entre 22 e 29 vítimas mortais, a maioria goeses católicos.

 

http://ultramar.terraweb.biz/03Mortos%20na%20G…/4MEC_var.pdf

 

Contudo há que salientar que a maioria dos Goeses que participou na Guerra do Ultramar nasceu em outros territórios ultramarinos, ou até mesmo em Portugal, o que dificulta a sua identificação enquanto tal. Outros ainda eram apenas Goeses por descendência parcial.

 

Por exemplo, quem isto escreve, teve um tio-segundo (primo de um dos progenitores), que ocupou o posto de Furriel do Exército no teatro de guerra em Moçambique, onde nascera, e que faleceu vítima do rebentamento de uma mina. Sendo de ascendência inteiramente goesa, o seu nome consta apenas no rol das vítimas nascidas em Moçambique. Não há nada que o identifique como goês.

 

Assim sendo, das cerca de oito mil vítimas mortais no serviço do exército português ao longo de todo o conflito, é tarefa complicada apurar um número concreto de goeses e descendentes envolvidos. Haja quem o faça!

 

Por fim, haveria também que ter em conta os feridos e traumatizados. Conheci certa vez em Odivelas, um goês que tinha sido Comando e operado nos piores cenários de guerra, e que por via disso, passava então os dias, afogado em taças de vinho tinto. Lá teria as suas razões.

469 ESTÁDIO DR. AGOSTINHO LOURENÇO (1960)

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Situado no Bairro Padre Cruz, no termo de Lisboa, é o campo de uma pequena agremiação desportiva, o «Clube de Futebol Os Unidos», nascida em 1940 e inspirada no maior «Clube de Futebol Os Belenenses».

 

De relva sintética e com capacidade para 1.000 espectadores, o actual recinto, que homenageia o ilustre cientista goês (023), existe desde 1960, tendo adotado em 1991, a designação alternativa de "Campo de Jogos Bairro Padre Cruz".

 

A equipa milita na primeira divisão da Associação de Futebol de Lisboa.

 

Por apurar a razão de tal batismo do estádio, construído num ermo de Lisboa, e o cientista que viveu em meados do século XIX, sendo que o título de "Dr." afasta qualquer equívoco com o homónimo e sinistro fundador da PIDE.

 

468 RENATO DE SÁ (1908)

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"Nascido em Panjim-Goa, foi farmacêutico, literato e jornalista.

 

Estudou na famosa escola Médica de Goa.

 

Colaborou em numerosos jornais e revistas goeses e portugueses, sobre assuntos literários, biográficos, crónicas e reportagens. Entre eles o «Diário de Lisboa», «O Primeiro de Janeiro» do Porto e «O Globo», do Rio de Janeiro.

 

O seu grande amor por tudo o que fosse cultura e língua portuguesa levou-o, em 1964, a fundar o Centro de Cultura Latina na cidade de Panjim. Quatro anos mais tarde, em 1968, criou uma interessante revista anual com o formoso título de «A Harpa Goesa, na que tiveram cabida textos tagoreanos e depoimentos sobre a sua figura.

 

Da mesma publicaram-se catorze números. O último de dezembro de 1981 é um monográfico dedicado à memória de Renato de Sá. [...]

 

Manteve correspondência com o grande poeta Tagore, que lhe enviou uma foto autografada.

 

467 JOÃO BAPTISTA AMÂNCIO GRACIAS (08/04/1872)

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    "De nome completo João Baptista Amâncio Gracias, nasceu em Loutulim, concelho de Salcete-Goa.

 

Foi um historiador e polígrafo ilustre. Escreveu infinidade de artigos num elevado número de publicações periódicas goesas.

 

Também morou em Moçambique, Angola e Cabo Verde. Foi secretário da Imprensa Nacional de Goa, colaborador do jornal O Século de Lisboa e correspondente da Academia das Ciências de Lisboa, do Instituto de Coimbra e do instituto Vasco da Gama de Panjim e, por muitos anos, vogal da Comissão Permanente de Arqueologia de Goa.

 

Entre os seus múltiplos e interessantes artigos sobre temas dos mais variados, históricos e bibliográficos, etnográficos e arqueológicos, quero destacar aquele intitulado “Tagore, político e poeta”. Publicado, também como separata, no Boletim do Instituto Vasco da Gama, número 51, do ano 1941 (Bastorá-Goa, Tipografia Rangel), analisa no mesmo duas destacadas facetas de Tagore, a de sócio-político e a de poeta.

 

Entre outros interessantes aspetos tagoreanos, comenta a pertença de Robindronath ao Brahmo-Samaj, criado pelo Raja Rammohun Roy a princípios do século XIX. Também, de forma ampla, o grande valor de Tagore ao renunciar ao título de “Sir” dado pelos britânicos, depois das famosas matanças de inocentes indianos no ano de 1919 na cidade de Amritsar.

 

Entre os livros tagoreanos do seu maior interesse no artigo comenta especialmente as obras Nationalism (Nacionalismo), Gitanjali (Oferenda lírica), Creative Unity (Unidade Criadora), The Religion of Man (A Religião do Homem) e, entre os poéticos as Canções vespertinas e matutinas, ademais do Kori o Komol (Duro e Tenro).

 

É também enormemente interessante a análise que faz da escola tagoreana de Santiniketon, da universidade internacional de Visva-Bharoti, e de que por próprio merecimento, como grande mestre de mestres que foi, Tagore é conhecido na Índia como “Gurudev”, apelativo de uso exclusivo para Robindronath."

 

Foi Director da Fazenda de Goa.

466 GOESES NA EXPEDIÇÃO BURTON-SPEKE (1856/59)

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"A presença de Goesa em Zanzibar tem centenas de anos.
 
Embora sempre em número reduzido, a presença duradoura de talentosos comerciantes, diplomatas, professores, musicos, fotógrafos e artesãos goeses, permitiu que estes deixassem uma marca permanente na história e na sociedade de Zanzibar.
 
 
 
Uma presença goesa na exploração inicial da África Oriental também deve ser recordada.
 
Em 1856, o explorador Richard Burton viajou para Bombaim com  o seu segundo comandante, o tenente John Hanning Speke, a fim de obter permissão para Speke, que era do exército anglo-indiano.
 
 
Lá, Burton contratou dois goeses como assistentes de viagem. Eles eram Valentino Rodrigues e Caetano Andrade.
 
 
Ambos viajaram com Burton para Zanzibar em dezembro daquele ano e em janeiro de 1857, ambos o acompanharam em curtas explorações costeiras, viajando para Mombaça, Tanga e Pangani.
 
 
Então, em 16 de junho, penetraram no continente e, depois de contratarem carregadores em Bagamoyo, eles e quase 200 outros homens, marcharam em direção à vastidão da África central em busca da nascente do Nilo.
 
 
Ambos os goeses sobreviveriam a esta duríssima jornada de quase dois ano. Acidentes e doenças, fizeram muitos ficarem para trás.
 
 
Caetano Andrade foi um dos apenas 35 homens que deram os últimos passos com Speke, quando Burton adoeceu gravemente ficando temporariamente cego. 
 
Estes 35 homens marcharam as últimas 226 milhas em 25 dias. Finalmente, no dia 3 de agosto de 1885, chegaram juntos a uma pequena colina com vista para o enorme mar interior que Speke chamou de Lago Victoria, e que Burton não conseguiu ver.
 
 
De volta a Zanzibar em 1859 e apesar de algumas queixas de Burton sobre o desempenho de alguns de seus trabalhadores, incluindo os dois goeses, estes foram pagos.
 
 
Speke, ao responder a essas reclamações, observou que "era de simples justiça dar-lhes o salário, pois eles ficaram conosco até ao fim ...". Observou também que "Valentino Rodrigues falou Swahili e foi útil na cozinha e na costura, enquanto Caetano Andrade foi um enfermeiro gentil e, embora fisicamente fraco, corajoso ".
 
 
Não se sabe se Rodrigues e Andrade permaneceram em Zanzibar, mas a amizade entre Burton e Speke terminou abruptamente por este e outros motivos, nomeadamente na discórdia quanto a origem do Rio Nilo, pois Burton afirmava que o Lago Vitória estava abaixo do nível do Nilo.
 
 
Num encontro público marcado entre os dois, a arma de Speke disparou acidentalmente quando se preparava para ir ao mesmo, e este morreu."

 

465 ÓSCAR CONCEIÇÃO MONTEIRO E A DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA NO CANADÁ

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OSCAR FRANCISCO CONCEIÇÃO MONTEIRO nasceu em Pangim, Goa, e viveu a maior parte da sua infância e adolescência em Lourenço Marques, Moçambique, onde completou o curso dos Liceus (hoje grau 12 das Escolas Secundárias). Em seguinda estudou na Universidade de Lourenço Marques.

Um ano antes do 25 de Abril mudou-se para Lisboa, onde continuou os seus estudos universitários.

 

Em Portugal, casou-se com Rosamaria Monteiro, natural de Lisboa. Mais tarde, em busca do além, rumou com a esposa, para o Canadá, onde agora radica e labuta. 

Ávido e curioso por conhecer e saber, completou os seus estudos universitários na Universidade de York, em Toronto, obtendo a licenciatura em Psicologia (B.A. honours degree - HONOURS THESIS: Imagery Vividness Ratings and Memory for a Common Object, Course Director and Supervisor - Prof. Ron Okada). Tirou ainda a licenciatura de Professor do Ensino Secundário na Universidade de Toronto (B.Ed. - OISE), nas disciplinas de Português e Economia. É membro do Colégio de Professores de Ontário (Ontario Teachers' College). 

Trabalhou como editor da revista mensal "News & Views" dedicada aos empregados do Departamento de Electrónica da empresa automóvel da FORD.

 

Desejoso de transmitir os conhecimentos aos mais novos, há mais de 30 anos que ensina a Língua e Cultura Portuguesas a jovens e adultos.

 

Assim, foi docente de várias Direcções Escolares de Toronto (School Boards of Education), nomeadamente de Toronto District School Board, Toronto Catholic District School Board, Durham Catholic District School Board e Halton Catholic District School Board e "First Portuguese Canadian Cultural Centre."

É actualmente Director da Escola "PORTUGUESE STUDIES & SKILLS ACADEMY INC."  que funciona com o nome de Escola Portuguesa "A Caminho do Saber", (www.portugueseclasses.2ya.com) que tem raízes na Escola Portuguesa "A Magia das Palavras" da saudosa Professora e Directora Judite Ondarra.

É também autor. Como tal, deu já expressão ao seu pensamento através de poemas publicados nos livros "DA POESIA" - Antologia de Poesia Portuguesa Contemporânea (Vol. VII, Edição Editorial Minerva, Junho de 1997, Lisboa, Portugal) e "Portugal e a Saudade em Verso" (Peregrinação Publications, 2000, Rumford, Rhode Island, USA). Semanalmente colaborou no semanário de Toronto "Sol Português".  Publicou a revista "A Nossa Escola" para a Escola do "First Portuguese Canadian Cultural Club" e ainda outras para a  Escola Portuguesa "A Caminho do Saber", de Toronto. Colaborou nas revistas da Casa dos Açores, durante as semanas culturais (1999 e 2001), e na revista do 45 aniversário da fundacção da Associacço "First Portuguese C. C. Centre", (2001).  Alguns dos seus poemas foram lidos nos Clubes e Associações Portuguesas e não só. 

Entre as suas publicações como autor único, consta o livro "NAS ASAS DA PALAVRA" a venda nas livrarias de Toronto e em Portugal (lista das livrarias no website www.portugueseclasses.2ya.com ). Podem ler também as apresentações/críticas ao livro no mesmo portal.

A sua grande paixão pela música fê-lo abraçar muito cedo à guitarra, e a tocar em agrupamentos musicais em Lourenço Marques e Tete (Moçambique). No Conjunto Académico - teclado, no Conjunto Cabora Bassa - guitarra, no Conjunto Universitário - guitarra.

 

Em Toronto no Conjunto Zip-Zip - guitarra-baixo. Entrelaçada entre os acordes e trinados, vivia a poesia que circulava efervesscente nas suas veias de musicófilo. Como prolífero leitor e amante da poesia passou a escrever poemas e a compor música e destarte nos transmitir a sua paixão pela Língua de Camões.

Assim, agora debruça-se também, concomitantemente entre as outras tarefas, a escrever letras e compôr músicas. Algumas já foram gravadas em CDs por artistas da comunidade como Mara Tavares, Michelle Tavares, Paula Alexandre, Steve Vieira, Catarine Marie (Mika) e Nicole Santos, Jennifer Abadesso, Sthefanie Pais e Sara Ferreira, entre outros.

 

 

Foi um dos fundadores do Grémio Literário de Língua Portuguesa e o seu primeiro Presidente. Também foi o primeiro Presidente do Senado desse mesmo Grémio Literário. Foi ainda o criador dos portais do Grémio Literário (http://www.gremioliterario.ca) e do Orfeão Stella Maris de Toronto (http://stellamaris.ca). 

464 ANDRÉ PEREIRA DOS REIS (séc.XVII)

 

 

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André Pereira dos Reis foi capitão, piloto e cartógrafo renomado, natural de Goa, embora não nos seja claro a sua ascendência.

 

Esteve envolvido nas guerras contra os Árabes e Persas. servindo nas frotas das fortalezas da Índia portuguesa.

 

Em 1647, foi feito Cavaleiro.

 

Ficou para a história por ter sido sob o seu comando que Mascate, em poder de Portugal desde Albuquerque (1505), e após a queda de Ormuz (1622), foi perdida definitivamente para o Imã de Omã, no dia 23 de janeiro de 1650, data essa que os Omanitas ainda hoje celebram como data da Independência.

 

A queda de Omã, precipitou o declínio português na costa norte oriental de África.

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