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GALERIA DOS GOESES ILUSTRES

INTROSPECÇÃO SOBRE A ORIGEM, O ALCANCE E OS LIMITES DA IDENTIDADE GOESA, E O SEU CONTRIBUTO HISTÓRICO E SOCIAL EM PORTUGAL E NO MUNDO

GALERIA DOS GOESES ILUSTRES

INTROSPECÇÃO SOBRE A ORIGEM, O ALCANCE E OS LIMITES DA IDENTIDADE GOESA, E O SEU CONTRIBUTO HISTÓRICO E SOCIAL EM PORTUGAL E NO MUNDO

627 SUSIE COELHO (05/12/1953)

 

Praticamente desconhecida em Portugal e na Europa, Susie Coelho é uma celebridade no mainstream audio visual e da moda nos EUA.

Origem

Susie Coelho nasceu em Cuckfield, Sussex, Inglaterra, em 7 de dezembro de 1953, filha de George e Rani Coelho. 

 

Os seus pais eram de origem Norteira (East-Indian na terminologia inglesa), ou seja, descendentes da antiga comunidade Indo-Portuguesa da cidade de Baçaim (e territórios adjacentes), naquilo que hoje constitui a península da Grande Bombaim. 

Susie cresceu em Bethesda, Maryland, Estados Unidos da América.

 

Início de Carreira

Frequentou a American University em Washington DC, e trabalhou como modelo para a Ford Models, e também como atriz e como repórter de entretenimento. 

 

Em 1982, desempenhou o papel de uma professora de arte no filme «Breakin '2: Electric Boogaloo». 

 

Em 1983, como jornalista, viajou para a Índia para entrevistar Phoolan Devi, conhecida como “A Rainha Bandida” da Índia Central, enquanto esta era uma fugitiva da justiça indiana.

 

Foi cofundadora do restaurante Bono's em Hollywood juntamente com o seu marido Sonny Bono, além da boutique de moda para o jet set 'A Star is Worn'.

 

Carreira Posterior

Em 1997, Susie Coelho criou a «Susie Coelho Enterprises, Inc.» tendo colaborado para os programas «The View» e «Today Show». 

 

Foi apresentadora da série de televisão «HGTV Surprise Gardener» e «Outer Spaces». 

 

É também autora de quatro livros de lifestyle, Everyday Styling (Simon & Schuster 2002), Styling for Entertaining (Simon & Schuster 2004), Secrets of a Style Diva: A Get-Inspired Guide to Your Creative Side (Thomas Nelson 2006), e Style Your Dream Wedding (Thomas Nelson 2008). 

 

Foi premiada com o Women in Film & Video-DC Women of Vision Awards em 2007

 

Em 2019 Coelho fundou a House of Sussex, uma marca de acessórios de moda com foco em colaborações com artistas, criando mochilas usando designs de ex-artistas de rua e tatuadores, e também joias. Além de estarem à venda, as suas peças foram exibidas em museus.

 

Susie também projetou móveis e acessórios para o varejo: Mervyn's com “Susie Coelho Style”, Grandin Road através de uma Signature Collection, e QVC com “Susie Coelho Home”.

 

Vida Pessoal

Coelho foi casado com Sonny Bono de 1981 a 1984, tendo tido um relacionamento com ele desde meados da década de 1970. 

 

Foi então casada com Robert Rounds, com quem divide dois filhos. 

 

É casada com Michael A. Peel desde 2017.

 

Na foto: Sonny Bono, Susie Coelho, Farrah Fawcett e Lee Majors.

626 FORTUNATO FRANCO (1937)

 

 

Franco nasceu em Colvale em Goa, Índia Portuguesa, mudando-se com a sua família para Bombaim aos seis anos de idade.

 

Carreira de clube

Centro-campista, Franco jogou futebol de clubes com Western Railways, Tata, Maharashtra e Salgaocar F.C.

 

Foi capitão do Maharashtra por oito temporadas com o qual ganhou o Troféu Santosh de 1964. 

 

Carreira internacional 

Franco fez parte da equipe nacional da Índia que apareceu nas Olimpíadas de 1960, embora não tenha jogado. 

 

Ganhou o ouro com a Índia nos Jogos Asiáticos de 1962, sediados em Jacarta, Indonésia, através de um golo seu a Coreia do Sul. Estavam presentes, cem mil espectadores.

 

Na Asian Cup de 1964, chegou a final com a seleção indiana, a qual perdeu por 2-0 com a anfitriã Israel.

 

Também pela Índia jogou a Merdeka Cup em 1964 (prata) e 1965 (bronze), um torneio comemorativo da independência da Malásia.

 

No total, somou 26 partidas pela seleção nacional indiana antes de se aposentar após lesão grave no joelho em 1965. Contava menos de 30 anos.

 

Fortunato Franco representou a melhor época do futebol indiano internacional.

 

Vida e morte 

Depois de se aposentar do futebol, em 1966 trabalhou para o Grupo Tata como gerente sênior de relações públicas, antes de se aposentar em 1999 e voltar para Goa. 

 

Morreu em 10 de maio de 2021, aos 84 anos.

625 AVERTINO BARRETO

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Médico moçambicano, nasceu na cidade da Beira onde foi estudante no emblemático Liceu Pêro de Anaia.

 

Decorrente da sua especialização, tem sido a principal figura em Moçambique, no combate às muitas doenças epidemiológicas que assolam o país.

 

Foi Diretor Nacional Adjunto daquele país africano, e também responsável de epidemiologia e doenças endémicas no respectivo Ministério da Saúde.

 

Atualmente o cientista é membro da Comissão Técnica-Científica ao Covid 19.

625 AVERTINO BARRETO

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Médico moçambicano, nasceu na cidade da Beira onde foi estudante no emblemático Liceu Pêro de Anais.

 

Decorrente da sua especialização, tem sido a principal figura em Moçambique, no combate às muitas doenças epidemiológicas que assolam o país.

 

Foi Diretor Nacional Adjunto daquele país africano, e também responsável de epidemiologia e doenças endémicas no respectivo Ministério da Saúde.

 

Atualmente o cientista é membro da Comissão Técnica-Científica ao Covid 19.

624 ABEL REGALADO ÁLVARES COLAÇO (1913)

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Natural de Margão, o Dr. Abel Regalado Álvares Colaço foi o último Procurador da República do Estado da Índia, mantendo-se em funções alguns meses após a invasão da União Indiana.

 

Formou-se em Direito em Portugal e ingressou na magistratura do Ministério Público indo depois para Desembargador da Relação de Goa e para Secretário Geral do Governo do Estado da Índia.

 

Dissemos um seu familiar: "Após a invasão de Goa,na ausência do Gov.General Vassalo e Silva, foi instado pela União Indiana a assinar o acto de rendição, o que recusou. Argumentou então, que à sua função de Secretario Geral do Governo da India, não tinham sido delegadas competências para assinar uma acto dessa importância. Na sequência dessa recusa esteve preso por um curto período de tempo.

 

Demitido pelos indianos, foi reintegrado em Portugal onde faleceu em 1979.

 

#beingIndoPortuguese

623 ANTÓNIO TOMÁS PRISÓNIO FURTADO

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Nasce em Goa a 22 de Dezembro de 189

 

Licencia-se em Direito exercendo posteriormente advocaci

 

Foi Presidente da Comissão de Província da União Nacional da Índia Portugues

 

Enquanto deputado ao Parlamento de Portugal participou na VIII Legislatura, entre 1961 e 1965.a.a.9.

622 JOSÉ CRISTÓVÃO PATROCÍNIO DE SÃO FRANCISCO XAVIER PINTO (08/11/1851)

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Cristóvão Pinto nasceu em Santa Cruz, Ilhas, Go

 

Foi três vezes nomeado representante da Índia Portuguesa no Parlamento de Lisboa

 

Devido ao seu talento extraordinário para a escrita e o jornalismo, foi também nomeado bibliotecário do prestigiado Instituto Vasco da Gam

 

Cavaleiro da Ordem de Cris

Membro da Academia de Ciências de Lisbo

 

Deputado às Cortes de Portug

 

.Eleito Deputado em 1890 em representação de Margão, prestou juramento a 15 de janeiro de 189

.Reeleito em 1893, prestou juramento em 23 de fevereiro de 189

.Reeleito em 1894 e representou Nova Goa (Goa) até 1906

 

Foi Professor do Escola Superior Colonial

 

Autor de Publicações e Projetos de Lei nas Corte

 

.As Gauncarias de Goa, Nova Goa, 18

.Plano da organização administrativa do ensino público em Portugal, projecto de Lei apresentado ao Parlamento, Lisboa, 189

.Estudos de política portuguesa com uma carta do Exmo. Sr. Conselheiro Thomaz Ribeiro, Lisboa, 189

.O Antigo Imperialismo Português e as Leis Modernas do Governo Colonial, Lisboa, 189

.Les Indigenes de L'Inde Portugaise: Memoire, Lisboa, 190683380s:. .30.alatoa.. a.

621 LYNN MÁRIO TRINDADE MENEZES DE SOUZA

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Lynn Mário Trindade Menezes de Souza é Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP (1987-1992). 

 

Realizou estágio de pós-doutoramento na The University of Western Ontario, UWO, (Canadá, 2004) e na Monash University (2010, Austrália) e livre-docência pela USP (2006). 

 

Atualmente é professor titular da Universidade de São Paulo (Departamento de Línguas Modernas). 

 

Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Letras Estrangeiras, atuando principalmente nos seguintes temas: ensino-aprendizagem, linguística aplicada, língua estrangeira, letramento, crítica literária e literatura pós-colonial.

620 EMELINA DA CUNHA (21/05/1873)

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de Filipa Lowndes Vicente 

em O Público 2021.04.04

 

EMELINA DA CUNHA, UMA MÉDICA GOESA PIONEIRA NO MEIO DA PESTE DE BOMBAIM

 

Emmeline da Cunha é considerada a primeira mulher médica goesa. A licenciatura em Bombaim coincidiu com o deflagrar da peste bubónica, em 1896, e foi no porto da grande cidade da Índia colonial britânica que começou a trabalhar. Partiu depois para Florença, Newcastle e Londres para se especializar em Bacteriologia e Medicina Tropical, numa breve, mas intensa, carreira. O seu percurso, cosmopolita e contraditório, permite-nos refletir sobre os cruzamentos entre género, ciência e colonialismo.

 

O Grant Medical College, a primeira universidade de Medicina ocidental criada na Índia colonial britânica foi inaugurado em 1845. Quase 40 anos depois, em 1884, começou a aceitar mulheres, antes de várias universidades europeias o fazerem (Edimburgo, por exemplo, em 1889). A primeira a licenciar-se, em 1892, foi Freny Cama, parsi, comunidade próspera e progressista de Bombaim. Quatro anos mais tarde, são já seis as mulheres a concluir Medicina: outra parsi, Manak Turkhad; quatro britânicas e Emmeline da Cunha (1873-1972), mulher indiana [??] de nacionalidade portuguesa por ter nascido em Pangim, criada em Bombaim por pais goeses católicos.

 

Durante o curso, Emmeline ganhou vários prémios universitários — Sir James Fergusson Scholarship (1890), Lady Reay Medal, Bai Hirabai Petit Medal, Scholarship of Medical Women in India Fund e, em concorrência com candidatos de ambos os sexos, o Balkrishna Sudamji Prize em Obstetrícia e Ginecologia (1893). O seu nome aparece enunciado em vários lugares como a primeira médica goesa e é provável que o tenha sido, embora as afirmações de pioneirismo corram sempre o risco de serem incertas ou mesmo incorretas.

 

No mesmo ano em que Emmeline e as colegas se licenciam, 1896, a doença que assolava uma favela da grande cidade indiana foi identificada como sendo peste bubónica pelo médico, também de origem goesa, Acácio Gabriel Viegas. Já tinha havido um surto na China e, até à viragem do século, contagiaria muitos lugares do mundo naquela que foi considerada a terceira pandemia de peste da história.

 

O enorme desenvolvimento da navegação ao longo do século XIX — dos navios a vapor à abertura do Canal do Suez em 1869 — e o aumento da circulação global de pessoas e bens fizeram com que as cidades portuárias se tornassem especialmente vulneráveis à circulação da doença. Do Porto ao Rio de Janeiro ou a Bombaim, cidade de entrada na Índia e de passagem entre a Europa e a Ásia. Emmeline da Cunha foi nomeada médica-inspetora do Porto de Bombaim, durante o início da peste, antes de partir para Itália e Inglaterra para prosseguir os seus estudos em Bacteriologia e Medicina Tropical.[...]

 

★Quem era Emmeline da Cunha?

 

Emelina Maria Antonieta da Cunha, ou Emmeline da Cunha, nome já inglesado como tantas vezes acontecia nas passagens entre as duas índias, a portuguesa e a britânica, era fruto do meio mais privilegiado da comunidade goesa de Bombaim, os brâmanes católicos. Eram aqueles que conjugavam o catolicismo com a casta brâmane, ou seja, os privilégios de pertencer à religião dos portugueses, governadores daqueles território indiano desde o século XVI, com os daquela que era considerada a casta mais alta do sistema indiano de desigualdade social e religiosa. Bombaim era a cidade de uma vasta comunidade cristã, quer aquela que lá estava antes de Bombaim ter passado de domínio português para britânico — como dote de casamento entre a portuguesa Catarina de Bragança e o monarca britânico Carlos II —, quer aquela formada pelos goeses, de maioria católica, mas também hindu, de diversas origens sociais e castas que no século XIX foram para Bombaim à procura de oportunidades de estudo e de trabalho.

 

Emmeline era filha de Ana Rita da Gama e do médico e historiador José Gerson da Cunha. Nascera em Pangim em 1873 numa das estadias longas que os pais faziam na terra natal. Prova de que o casal investiu tanto na educação das duas filhas como na do filho, é que Olívia, a outra irmã, estudou Arte em Florença depois de se graduar na Universidade de Bombaim.

 

A análise histórica tem identificado alguns padrões constantes na relação das mulheres com o conhecimento ou a criatividade desde o século XVI — um deles é o modo como o incentivo de pais, homens, era determinante para as filhas prosseguirem estudos superiores ou se dedicarem à escrita, às artes, à ciência, como às diversas profissões que implicavam presença no espaço público e remuneração. Parece ser o caso de Emmeline.

 

Numa carta dirigida ao orientalista italiano Angelo de Gubernatis, em 1897, Gerson da Cunha escreve: “[Os meus filhos] estudam todos com aproveitamento e têm-me dado, graças a Deus, muito prazer e satisfação. A minha filha mais velha vai concluir o seu curso de Medicina.” Numa outra carta enviada de Bombaim para Florença muito antes, em 1883, o pai orgulhoso referia como Emmeline, então com 9 anos, tinha feito exames e fora proposta para o “primeiro prémio da sua classe”. Uns meses depois, volta a escrever ao italiano, dizendo-lhe como a filha era também “uma pianista de instinto”, como a mãe.

 

Esta correspondência entre Gerson da Cunha e o indianista De Gubernatis, na secção de manuscritos da Biblioteca Nacional de Florença, foi o ponto de partida para o meu livro Outros Orientalismos: a Índia entre Florença em Bombaim (2009). Foi também neste espólio manuscrito e pessoal de dois homens, disponível numa instituição pública, que, pela primeira vez, encontrei o nome desta mulher. Encontrei a filha a seguir ao pai.

 

Na minha investigação em curso sobre Gerson da Cunha e a produção de conhecimento sobre a Índia, feita por indianos, na segunda metade de Oitocentos, o percurso médico de Emmeline será um capítulo e não uma nota de rodapé, o lugar a que ficaram remetidos tantos nomes femininos. Este caso é exemplificativo. Para conseguir encontrar traços históricos de mulheres é necessário escrutinar arquivos masculinos de um modo criativo e empenhado.

 

★Florença, primeira paragem na Europa

 

Foram três as cidades europeias onde Emmeline prosseguiu os seus estudos. Florença primeiro, depois Newcastle e finalmente Londres. Os arquivos históricos universitários são determinantes para este tipo de pesquisa, mais ainda para os casos de mulheres que, concluídos os estudos, deixaram poucos ou nenhuns registos em documentação pública. Se a ida de indianos para prosseguir estudos em Inglaterra era comum — os itinerários imperiais a ditarem o caminho —, a ida para Florença só se explica devido a uma conjuntura muito específica, indissociável das relações intelectuais e de amizade que o seu pai, Gerson da Cunha, tinha com a cidade italiana — em 1878 passara uma longa temporada em Itália, para apresentar uma conferência no Congresso Internacional de Orientalistas de Florença e para fazer investigação nos arquivos históricos do Vaticano, em Roma.

 

Quando é que Emmeline partiu para a Europa? Em 1896, Gerson da Cunha escreve uma carta à mulher do presidente da Câmara de Florença a dizer que a família passaria por Florença a caminho de Londres. Mas esta também é a data em que Emmeline teria sido nomeada médica inspetora do Porto de Bombaim. O surgimento da peste bubónica teria alterado os planos familiares? O jornal The Times of India, diz que em 1898 Emmeline era ainda “lady plague inspection doctor” e só em 1899 é possível confirmar que as três mulheres da família estão a viver em Florença.

 

A tese final de Emmeline da Cunha, escrita em italiano e intitulada Sulla esistenza di microrganismi patogeni nella bocca e nel naso d'individui sani, encontra-se disponível online, no âmbito de um projeto recente de inventariação de todas as teses de mulheres que estudaram na universidade de Florença desde 1875, data em que as mulheres foram autorizadas a frequentar as universidades italianas, até à Segunda Guerra Mundial, altura em que os seus números se multiplicam.

 

A encabeçar as cartas deste período estão duas moradas: Via dei Banchi, n. 4 e a Pensione Pendini, na Via Strozzi. O pai ficara a trabalhar em Bombaim e só regressa para apresentar uma conferência no Congresso Internacional de Orientalistas de Roma em 1899. As três mulheres da família aparecem inscritas no congresso como participantes ouvintes, como atestam as atas do evento. Não eram as únicas — o periódico I’llustrazione Italiana chama a Angelo de Gubernatis, organizador do congresso e amigo da família Cunha, o “feministe da Vigília” por ter convidado tantas representantes do “sexo gentil”.

 

Após o congresso, elas ficaram em Itália e ele regressa à Índia, com a promessa de muito em breve se reunir com a família em Florença. Mas a morte por peste bubónica aos 56 anos apanha-o ainda em Bombaim, em 1900. Ana Rita, recém-viúva, escreveu numa carta a Gubernatis: “Tivesse o meu marido cumprido a promessa que lhe fez a si e a mim de regressar a Roma seis meses depois, não teria certamente morrido, e estaríamos todos aqui felizes a viver na bela Itália, essa terra divina, rodeados de amigos bons e amáveis como você, meu caro Conde, e a sua excelente família.”

 

★Medicina na metrópole colonial

 

O que é que Emmeline fez entre a conclusão da especialidade em bacteriologia em Florença e a inscrição na Universidade de Newcastle, no Norte de Inglaterra, em 1901? Voltou à Índia ou permaneceu na Europa? Sabe-se que no primeiro trimestre do calendário académico de 1901 estava matriculada no College of Medicine de Newcastle. Um ano depois faria os exames finais do bachelor of Hygiene e, a 27 de setembro de 1902, obtinha a sua licenciatura. Um dos seus trabalhos escritos mereceu o Prémio Luke Armstrong Scholar em Patologia Comparada.

 

O facto de ter obtido o grau académico apenas num ano era comum para quem, como no seu caso, tinha completado estudos prévios. Este percurso era especialmente frequente em sujeitos colonizados que começavam por estudar nas várias instituições de Medicina ocidental que o império britânico criara nos territórios dominados para depois concluir — e legitimar — a sua aprendizagem na própria metrópole.

 

Estes itinerários coloniais de validação científica também se deram no caso português, em que muitos jovens preferiam ir para Lisboa ou para Coimbra (ou Bombaim) a estudar na Escola Médica de Goa, que, como afirmou Cristiana Bastos, lhes subalternizava os percursos profissionais e os concursos públicos.

 

Tudo indica que, depois de um ano no Norte de Inglaterra, Emmeline tenha ido logo para Londres. “Miss Emmeline Da Cunha” — é assim que aparece no arquivo histórico da London School of Tropical Medicine, onde estudou no primeiro trimestre de 1902. Uma fotografia de grupo marca a sua passagem pela prestigiada instituição de Medicina tropical. Encontrar Emmeline entre os outros estudantes e professores é fácil. É a única mulher e a única pessoa de origem não europeia.

 

Duas outras referências escritas associam-na à universidade, uma privada e uma pública. Uma morada em Manchester, provavelmente porque o seu irmão Gilberto aí estudava Medicina, e outra em Londres, surgem no seu registo universitário.

 

A sua passagem por Londres deixa uma marca mais pública — participa num estudo científico e, ao lado de 13 colegas, o seu nome surge a assinar um artigo numa das mais prestigiadas publicações médicas da época, o British Medical Journal. O texto, de 22 de novembro de 1902, descrevia a identificação do parasita protozoário — tripanossoma — que causava a doença do sono no ser humano. Foi polémico e deu azo a vários intercâmbios de artigos nas publicações seguintes. A denominada “doença do sono”, que afetava (e continua a afetar) de forma mortífera milhares de africanos, era então objeto de investigação científica em vários lugares do mundo, também em Portugal.

 

Em Londres como em Lisboa, a palavra “tropical” era indissociável das ciências coloniais que se desenvolviam a par e passo com os interesses de domínio europeu em África como na Ásia. David Arnold é um dos historiadores que se dedicam ao cruzamento entre medicina e império na Índia.

 

★Bombaim como um laboratório científico

 

Os serviços de Emmelinne como médica inspetora no Porto de Bombaim “mereceram altos louvores no relatório do chefe do serviço sanitário do porto em 1897, e especiais agradecimentos do governo da cidade em 1897 e 1898, e do presidente da Plague Committee, em 1897”, afirma um livro sobre a família Cunha.

 

A doença era consequência da bactéria que tinha sido identificada dois anos antes, em 1894, pelo médico bacteriologista do Instituto Pasteur Alexandre Yersin. Foi em Hong Kong que Yersin deu nome à bactéria transmitida através de pulgas, que — soube-se então — tinha estado na origem de várias epidemias mortíferas ao longo da história. A diferença agora, em finais de Oitocentos, era que a investigação médica em países distintos tinha já condições para ambicionar uma vacina.

 

Foram diversas as comissões de cientistas que de Florença, como da Alemanha, Rússia e Egito viajaram para Bombaim para estudar a peste in loco, numa prova de como os circuitos transnacionais da medicina nem sempre coincidiam com os circuitos das relações coloniais. Indissociáveis dos desafios estritamente médicos do Bombay Plague Committee eram os sociais e económicos. As medidas sanitárias impostas pelo Governo britânico levaram a várias formas de revolta por parte das populações nativas. Levantamentos fotográficos feitos em 1896-1897, sobretudo do capitão britânico C. Moss e do indiano Shivshanker Narayen testemunham quer o trabalho de visitas à população pelos responsáveis de saúde pública, quer as fomes que resultaram da praga, naquela que é considerada a primeira crise biopolítica.

 

A comissão florentina, liderada por Alessandro Lustig, director do Laboratório de Patologia Geral do Instituto de Estudos Superiores de Florença, chega mesmo a instalar um laboratório em Bombaim, no verão de 1897. Objetivo: poder “aplicar na prática as [suas] observações de laboratório” vacinando a população com o soro antibubónico concebido em Florença.

 

Pouco depois, seriam publicados os artigos sobre os ensaios clínicos efetuados entre a população indiana, com resultados menos positivos do que se desejaria. Como afirmou Gyan Prakash, as “colónias eram laboratórios de modernidade demasiado extensos e com pouco investimento”. Estaria a ida de Emmeline para estudar Bacteriologia em Florença, em 1899, em detrimento de Inglaterra, lugar mais óbvio para quem estudava na Índia britânica, relacionada também com os contactos profissionais feitos em Bombaim no contexto do combate à peste bubónica?

 

★Entre vida familiar e a carreira

 

São inúmeros os casos de mulheres nos séculos XIX e XX em que casamento e maternidade significam o fim do exercício da profissão ou dos estudos. Foi também o caso de Emmeline da Cunha. A sua biografia foi cortada ao meio — antes do casamento e depois do casamento, a maior parte da sua longa vida (morreu em 1972, na véspera de fazer 100 anos).

 

A primeira parte da biografia corresponde ao usufruto de todas as possibilidades de formação científica a que era possível aceder e uma transgressão das expectativas em relação à maior parte das mulheres suas contemporâneas. Mesmo tendo em conta que alguns contextos geográficos distintos significam uma maior abertura a percursos de conhecimento e criatividade femininos — maior em Bombaim do que em Pangim, maior em Londres do que em Lisboa.

 

A segunda parte da biografia implica o desaparecimento das fontes escritas. Isto, porque os afetos e as experiências de vida privada tendem a não deixar documentos escritos e também por isso fazer a história das mulheres obriga a abordagens mais criativas e esforçadas dos arquivos. O casamento, em Londres, em 1904, aos 31 anos, com um médico goês de formação britânica, foi a fronteira entre as duas partes da sua biografia. De um capítulo de livro a uma nota de rodapé. A sua educação tinha sido tão ou mais completa e cosmopolita do que a do marido, Francisco Xavier Santana da Costa, mas o regresso à Índia logo em 1904 determinou um caminho distinto para um e para outro — o género a marcar os percursos profissionais.

 

Começam por se instalar em Goa, mais precisamente em Margão, onde ele exerce como médico e diretor de um hospício. De Emmeline já não há notícias. Em 1908 partem para Bangalore, cidade da Índia britânica onde Santana da Costa se tornou médico e director do Hospital de Santa Marta. Tiveram seis filhos, três raparigas e três rapazes. De médica-cientista a mulher de médico e mãe. O modo como as relações pessoais se entrelaçam com os percursos profissionais é muito mais determinante para as mulheres do que para os homens. As dimensões subjetivas e invisíveis — das negociações familiares, dos contextos domésticos e afetivos, dos pais e maridos — afetaram as escolhas públicas e profissionais femininas. Vimos como o pai de Emmeline foi decisivo para a sua breve carreira académica. Terá o marido um papel igualmente preponderante na sua decisão de não ter prosseguido um itinerário na medicina?

 

★Bombaim Goesa: entre dois impérios

 

E o espaço geográfico? Viver em Goa ou em Bombaim, cidade grande e cosmopolita, significaria possibilidades diferentes para as mulheres goesas de Oitocentos? Seria a Índia colonial britânica uma oportunidade adicional para a emancipação intelectual das mulheres para lá da esfera privada? Penso que sim e assim o tentei demonstrar num artigo sobre as mulheres goesas que publicaram durante este período. A sofisticada cultura de imprensa que se vivia na Goa do século XIX — estudada no livro de Rochelle Pinto Between Empires, Print and Politics in Goa e tema do projeto Pensando Goa, da Universidade de São Paulo, do qual faço parte — era sobretudo uma cultura masculina, em que os saberes das mulheres se manifestavam dentro de casa e os dos homens nas muitas publicações impressas em tipografias de Pangim, Margão ou Bastorá.

 

Emmeline personifica as contradições vividas por tantas outras mulheres durante este período histórico, tanto na Índia como na Europa — usufruiu de todas as possibilidades académicas que na transição do século se começavam a abrir ao sexo feminino e o seu talento e inteligência ficaram documentados em registos escritos. Mas o prenúncio prometedor sucumbiu à força da norma.

 

A Índia britânica tinha ainda outra vantagem para os goeses e esta afetava ambos os géneros — a possibilidade de tornarem mais ambíguo o seu estatuto de “colonizados”, categoria que lhes era inevitavelmente adscrita, fosse na Índia portuguesa, fosse em Portugal metrópole colonial. Na Índia britânica, mas sobretudo nessa cidade cosmopolita que era a Bombaim de finais do século XIX, a identidade híbrida dos goeses continha algo de emancipatório. Eram indianos de nacionalidade portuguesa e por isso não estavam sujeitos ao governo britânico como estavam os indianos da Índia britânica.

 

A relação de goeses com a medicina vem também invalidar oposições fáceis entre medicina ocidental europeia, por um lado, e medicina indiana aiurvédica, por outro. No contexto do império português, desde o século XVI que a medicina dita “ocidental” era parte intrínseca da cultura goesa, sobretudo daqueles convertidos à religião e à língua. Quando o pai de Emmeline escreve um ensaio histórico sobre a vida e o trabalho do judeu português Garcia de Orta em Bombaim, afirmou também como a genealogia da Medicina e Botânica quinhentistas era indissociável da história da Índia (e da sua própria formação enquanto goês).

 

Mas as potenciais vantagens de esta comunidade goesa viver em Bombaim — na sua identidade colonial, em geral, como na maior abertura para o género feminino — tiveram um preço. Nos interstícios e fronteiras entre contextos imperiais, os goeses de Bombaim tenderam a ficar de fora das lentes de observação das historiografias, quer britânica, quer portuguesa, mais centradas nos eixos entre as metrópoles e as colónias. Pelo contrário, é nestes lugares híbridos, de múltiplas geografias, línguas e culturas, que se encontram personagens como Emmeline da Cunha, uma mulher cosmopolita, tanto nos seus itinerários transnacionais na Medicina, como na própria identidade – mas também contraditória, sobretudo no modo como renunciou a uma carreira científica promissora para desaparecer dos traços da história.

TENDA INDO-PORTUGUESA (Museu Militar de Toledo)

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TENDA INDO-PORTUGUESA (Museu Militar de Toledo)

Foi com enorme satisfação e surpresa que soubemos da existência desta peça indo portuguesa do séc XVI, e do mandante da obra, Martim Afonso de Souza, descendente de Martim Afonso "Chichorro" (1250), filho bastardo de Afonso III e de Madragana Ben Aloandro, filha do último alcaide mouro de Faro recém conquistada. Foi oferecida ao imperador Carlos V.

ALFREDO OSÓRIO DOS ANJOS

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ALFREDO OSÓRIO DOS ANJOS, natural de Salcete em 1926, formou-se em Farmácia na Escola Médica de Goa e em Letras. Mas foi com a especialização em Matemáticas Modernas que deixou a sua marca em Portugal. Ensinou nos liceus Pedro Nunes, Gil Vicente e de Lourenço Marques. A sua bibliografia tem feito parte da vida dos estudantes portugueses nas últimas décadas. Faleceu em Lisboa onde residia.

619 Padre ALEIXO XAVIER DE MARIA CORDEIRO (1916)

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"Com um distinto Curso Teológico de Rachol (1936), ordenado Padre (1938), foi autorizado a fazer um doutoramento em Roma, desistindo da intenção face á II Grande Guerra, rebentada em 1939.

 

Fixou-se no Patriarcado de Lisboa, onde foi capelão de Palma (1941/45), professor no Seminário de Almada (1945/46), Capelão no Sanatório da Ajuda (1956), Pároco de Carcavelos (1970) e Vigário do Termo de Lisboa (1972).

 

Em 1974/75 regressou a Goa e dali voltou para a Casa Paroquial de Carcavelos.

 

Seu busto em bronze foi colocado no Centro Comunitário de Carcavelos (1999), por ele fundado em 1981 e a Junta de Freguesia de. Carcavelos atribuiu seu nome a uma importante via pública de Carcavelos [Passeio Padre Aleixo Cordeiro].

 

Faleceu de provecta idade, nos primeiros anos de 2000."

 

por Domingos Soares Rebello

618 Padre OLEANDRO VICENTE FRANCISCO MENEZES (1925)

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por Domingos Soares Rebelo

 

"Desde remotos anos a recordação dos mortos se evidenciou como um dos mais expressivos símbolos do grau de evolução dos povos na esteira da História da Humanidade. Assim, a evocação dum conterrâneo falecido com o rol de excelsas virtudes e de grande saber é quase um dever cívico que se nos impõe para apontá-lo às gerações novas e vindouras como um exemplo digno de imitação. Eis a razão deste meu modesto in-memoriam dedicado ao ilustre conterrâneo, Padre Oleandro Vicente Francisco Menezes, falecido aos 18.09.2006 na provecta idade de octogenário.

 

Consta que Oleandro Menezes viera a este mundo aos 22.05.1925 no seio duma família cristã de Loutolim, Salcete (Goa) e que, após os estudos primários, provavelmente acabados na aldeia natal, se enveredara nos estudos eclesiásticos dos Seminários de Saligão e de Rachol findos os quais ele recebera as Ordens Sacras de Presbítero aos 17.10.1950.

 

Pouco depois, em 1955, na designação de Mons. Altino Ribeiro Santana como o 1º Bispo da Diocese de Sá da Bandeira (Angola), Oleandro Menezes e meia dúzia dos seus colegas-sacerdotes, seguiram o Antístide até à África Ocidental para servir o novo Bispo. 

 

Padre Oleandro Menezes demorou na dita Diocese de 1956 a 1962, provavelmente regressando à terra do seu berço natal em 1963.

 

Decorridos 3 lustros, Padre Oleandro Menezes fora indigitado pela Arquidiocese de Lisboa para assumir o múnus de Vigário da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição onde se manteve, de 1976 a 1992, assinalando-se como o Vigário de Turquel, com mais longos anos após o Padre Pedro Vicente Ribeiro (1984/87) Vigário de Turquel de 1980 a 1987.

 

De Turquel, Padre Oleandro Menezes foi servir outras paróquias diocesanas como a Igreja de São João-Porta de Lisboa e, já nos fins da vida, como Vigário de Caldas da Rainha.

 

Grande foi a dedicação e o carinhoso afecto votados pelo Padre Menezes à Paróquia de Turquel e aos seus paroquianos como se infere do facto de ele ter nas disposições testamentárias, providenciando um legado de 2.000 contos à Paróquia e manifestado o desejo dos seus restos mortais baixarem ao Cemitério da Vila de Turquel.

 

A estima e a veneração granjeados pelo Padre Oleandro Menezes foram de tal ordem que provocaram certa admiração até mesmo na vizinha freguesia da Benedita. Dois conceituados correspondentes do mais antigo jornal alcobacense e de orientação Católica - O ALCOA, Alcoabaça, Ano LXI, Nº 2143, de 12.X.2006 - dedicaram seus insuspeitos testemunhos à benquista memória do benfeitor turquelense, em prosa (de Acácio Lopes Ribeiro, de Turquel e em verso (de Hermínio, da Benedita) que os interessados poderão consultar em apreciação das préstimas qualidades da sua bela alma de católico e português, vindo para radicar-se em Turquel na vida e na morte, deixando a terra natal de Goa.

 

Embora domiciliado em Alcobaça desde meados de 1980, infelizmente nunca tive o ensejo de conhecer a pessoa do ilustre conterrâneo como Vigário de Turquel. Isto porém não impede que dedique o presente IN MEMORIAM a esse exemplar sacerdote num preito de sincera homenagem, com votos que DEUS lhe dê o eterno descanso em recompensa da sua labuta na Vinha do Senhor na Índia, em Angola e em Portugal."

Fotos de Linette Barreto

 

617 LINETTE BARRETO, por Marco Valle Santos

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"Faleceu no dia 15 de janeiro de 2021 vítima de Covid-19, Maria Linette Filomena Selda Barreto, goesa, filha de Agostinho Blásio Horácio Barreto e Selda Genelina da Costa Lopes. 

 

Era neta de José Sebastião da Piedade Barreto e Luisinha Clementina Ubelina Rosinha Fernandes Barreto pelo lado do pai e de Augusto Gambeta Manoel Mousinho Lopes e Maria Aurora Zulema Amália Quitéria Filomena Lopes de Noronha da Costa pelo lado da mãe. 

 

Nascida em 20 de Setembro de 1948 em Pangim, Goa, Estado Português de India, era residente na cidade da Beira em Moçambique com a família desde os 4 anos de idade, território onde seu pai se estabeleceu com o primeiro cinema itinerante de Moçambique, que infelizmente teve de deixar por complicações de saúde relacionadas com a doença parasitária grave, comum na região, a bilharziose.  

 

Linette Barreto cresceu no seio de uma família feliz até aos seus 10 anos, altura em que seu pai faleceu por complicações de saúde. 

 

Recaiu então sobre a mãe, Selda da Costa Lopes, mulher de armas, a difícil tarefa de criar dois filhos, contando apenas com o seu próprio esforço prestando serviços de modista. 

 

Foram anos de bastantes dificuldades, que levaram a jovem Linette a concorrer e entrar para o Banco Nacional Ultramarino (BNU) com apenas 18 anos. 

 

Passou pelos anos anos 60 e 70, de intensas transformações sociais e culturais, com grande influência da cultura americana de bailes, coca-cola e rock & roll, dos clubes de fãs dos Beatles e Elvis Presley aos quais fervorosamente pertenceu. 

 

Cruzou-se no liceu com figuras conhecidas da nossa sociedade como as manas Jardim, Yolanda Noivo, entre outras. 

 

Esta fase da sua vida culminou com a participação no concurso Miss Moçambique 1972. Foi uma das primeiras goesas a participar num concurso de misses, onde foi eleita Miss Radio e Televisão de Moçambique, tendo sido escolhida pela sua beleza e “ar" exótico, para se incluir no grupo de misses que veio a Lisboa numa campanha de charme do Estado Português. 

 

Apareceu nessa altura na RTP a ser entrevistada pelo conhecido apresentador Henrique Mendes e muitos serão os portugueses residentes na altura em Moçambique, que ainda se recordarão da sua indelével participação. 

 

Não voltou a participar em eventos do gênero, pois dedicou-se a criação dos três filhos e ao seu trabalho como caixa do BNU de Tomar onde trabalhou até à reforma.

 

Os seus últimos anos foram marcados por um infeliz avanço do Alzheimer, mas o seu doce sorriso acompanhou-a sempre até ao fim, iluminando o dia de quem quer que a conhecesse."

616 FRANCIS DE SOUZA

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#beingindoportuguese 

 

Com raízes em Saligão e Moirá, Francis D'Souza é um ex-jornalista âncora de notícias da City em Toronto, Ontário, Canadá. 

 

D'Souza foi o rosto do noticiário das 17h na cidade, desde o início em 2011, até maio de 2019.

 

Anteriormente havia divido a apresentação do noticiário de fim de semana com Merella Fernandez, e o noticiário do meio-dia, em 2010. Foi também apresentador substituto no programa matinal Breakfast Television.

 

Em junho de 2019, D'Souza ingressou na CBC como Editor-Chefe da Programação de Notícias, supervisionando o jornalismo, a operação e a direção estratégica de "The National", "World at 6", "World Report", "World this Weekend", "Front Burner" e oCBC News Specials.

 

Biografia

D'Souza interessou-se por uma carreira na televisão depois de ser selecionado na audição da Citytv's Lunch Television para fazer o anúncio de abertura na Queen Street. 

 

Antes de ingressar na Citytv, D'Souza, era voluntário na Rogers Cable TV em Mississauga, sua cidade natal quando foi escolhido para apresentar o Plugged In! na Rogers Television. 

 

Foi assistente de produção da CBC, videógrafo da Global News Toronto e por dois anos (2000-2002) em Sudbury, Ontário, apresentou o CTV Northern Ontario News às 23h30. 

 

Educação

B.A.A. 2000, Radio and Television Arts, Ryerson Polytechnic University

D'Souza formou-se na Clarkson Secondary School em 1996.

 

Prémios

Prémio Canadense de Cinema 2019 para Melhor Especial de Notícias ao Vivo, CityNews - #CityVote - The Debate

Prémio Gemini 2011 para Best Breaking Reportage, Local, CityNews - G20 Summit

615 STEPHEN LOBO (22/11/1973)

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#beingindoportuguese 

 

Stephen Lobo é um ator canadense-britânico, mais conhecido por seus papéis na série de televisão Arctic Air, Godiva's, Painkiller Jane, Falcon Beach, Little Mosque on the Prairie e Continuum. Em 2011, apareceu no filme de Mike Clattenburg, Afghan Luke.

 

Stephen Lobo nasceu em Toronto, Ontário, em 1973. 

 

O seu pai é um eletricista goês que emigrou para o Canadá vindo de Tanga, na Tanzânia. Sua mãe, de ascendência iraniana, é enfermeira. 

 

Lobo frequentou a Universidade de Toronto, onde estudou ciências ambientais. Aos 27 anos, começou a ter aulas de teatro e mudou-se para Londres, onde se formou em no Drama Centre London. Lobo apareceu em várias peças enquanto estava na Inglaterra, incluindo The Seagull e Paradise Lost.

 

Carreira de Ator

Depois de fazer teatro por vários anos no Canadá e no Reino Unido, Lobo chamou a atenção do público pela primeira vez na televisão como a estrela da série dramática canadense Godiva's sobre um chef talentoso tentando ter sucesso no negócio de restaurantes. 

 

Mais tarde, ele conseguiu um papel principal na série de ficção científica Painkiller Jane (2007) interpretando um cientista e teve um papel recorrente como engenheiro na segunda e terceira séries de Little Mosque on the Prairie. 

 

Interpretou o papel do piloto indiano Dev Panwar na série Arctic Air até ser cancelada em 2014. Participou na série de ficção científica Continuum como um vigarista que viaja no tempo, Matthew Kellog. Em outubro de 2019, Lobo foi escalado como Jim Corrigan no crossover Arrowverse "Crisis on Infinite Earths".

 

Vida Pessoal

Lobo é casado com a atriz Sonja Bennett. O casal tem dois filhos. Ele possui dupla cidadania no Reino Unido e no Canadá.

 

Stephen Lobo é já detentor de uma participação em dezenas de séries e filmes, tendo sido nomeado para alguns galardões, onde venceu em 2006 no Canadá, o prémio Best Lead Performance by a Male in a Dramatic Series, pela sua participação em Godiva's.

614 DOMINGOS JOAQUIM DE MENEZES, Capitão-Médico (1846)

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O Dr. Domingos Joaquim de Menezes era natural de Batim, Goa.

 

Era filho de António João da Conceição e Menezes e de Ana Severina Pinto.

 

Frequentou o Real Colégio de Educação de Chorão, também denominado Real Seminário de Chorão.

 

Completou o curso de medicina na Escola Médico Cirúrgica de Goa.

 

Casa com Anna Roza Henriqueta Natalina do Rosário Rodrigues, natural de Goa e têm três filhos já em Cabo Verde. Anna Rosa vem a falecer na Guiné, juntamente com o filho mais velho, António.

 

Casa-se em segundas núpcias, a 18.07.1880.

 

Deste segundo casamento com a Profª. Dª. Maria Augusta da Conceição Cordeiro e Menezes, natural de Cabo Verde resultaram seis filhos caboverdianos. 

 

O seu neto Filinto Elísio de Menezes, nascido em Cabo Verde e emigrado em Angola, funcionário do BNU, veio a ser um precursor da nova literatura luso africana.

 

Médico-Cirurgião, foi facultativo de 2ª classe de Cabo Verde por decreto de 23.6.1870, posteriormente promovido, e Delegado de Saúde (1872) na Bolama, Guiné-Bissau. 

 

Foi nomeado Juiz de Paz da Comarca de Sotavento, Distrito de Santa Catarina, Santiago, Cabo Verde.

 

O Dr. Menezes exerceu medicina em Coimbra até falecer a 18 de Dezembro de 1904.

 

Foi agraciado com as seguintes condecorações:

 

.Cavaleiro da Ordem Militar de S. Bento de Aviz (19/11/1886)

 

·Cavaleiro da Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa (22/07/1889)

 

·Medalha de Oiro de Assiduidade de serviço no Ultramar (9/11/1894)

 

·Oficial da Real Ordem Militar de S. Bento de Aviz com o grau de Capitão (1/01/1897)

 

PS. Agradecemos a senhora D.Teresa Marques, bisneta do Dr.Domingos, uma série de informação que nos foi facultada.

PEDRA DE AMARRAÇÃO ROMANA (?)

 

Junto ao cemitério da Igreja de Santa Inês, em Pangim, existe num local onde outrora chegava a orla marítima, uma enigmática pedra de amarração Romana de onde se destaca a figura tutelar de Neptuno.
Este e outros fatos, atestam a presença constante no território de diversos povos não indianos, como os citados Romanos, e Gregos, Fenícios e Sumérios, que aportavam a Goa numa lógica de entendimento e comércio e que certamente terão contribuído ao longo dos séculos, para moldar a identidade goesa, muito mais do que os seus atuais "concidadãos" de outros estados.

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